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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Encontros, desencontros e o que ficou

      Depois de um longo e tenebroso inverno (who cares anyway?), achei coragem e paciência para voltar a escrever aqui. Além da falta de tempo dos últimos meses com a troca de emprego e o acerto do novo, que com muito prazer lhes informo que é o trabalho que eu amo, fui acometida por uma grave síndrome do patinho feio, que persiste em me perturbar já faz alguns meses e me faz odiar todos os espelhos que eu encontro pela frente. Mas sobre isso eu já disse aqui, então, vamos para a novidade.
       Agora, 23h48 de uma sexta-feira, terminei de assistir o filme “Um Dia” (One Day – 2011). Para quem não assistiu (melhor passar para o próximo parágrafo, não diga que eu não avisei), o filme conta a história de Dexter e Emma, que se conheceram na noite em que eles se formaram, na Universidade de Edimburgo em 1988, e concordaram em manter a amizade e visitar um ao outro na mesma data todos os anos para ver como estão suas vidas. Embora ambos passem por diversos envolvimentos românticos, eles têm uma ligação especial que não conseguem explicar.
Na verdade só consegui me emocionar no filme quando ele sobe a colina com a filha, mas enfim, eu sempre tive a fama de ser um pouco insensível mesmo, então eu não esperaria muito de mim.
Encontros, reencontros e o que ficou. Afinal, não é disso que a vida é feita? Queria realmente ouvir a história de uma pessoa que conheceu alguém e nunca mais, em momento algum dos 77 anos (segundo o IBGE) que uma pessoa pode viver, a reencontrou, ao menos por alguns segundos.
A coisa que mais vai acontecer na sua vida é reencontrar pessoas. Por menos que você queira ver fulano ou ciclano pintado de ouro na sua frente, ele(a) vai voltar para a sua vida, mais cedo ou mais tarde.
E não pense que são somente os outros, os que chamamos de carma (ok, nem todos, pois a maioria, “leia-se eu” pelo menos, fico bem feliz quando voltam a fazer parte da minha vida), que voltam para nós. Inconscientemente, ou não, eu, você, ela, ele, o vizinho, o amigo, também acabam voltando para a vida de alguém.
Ou, há casos que, simplesmente, não queremos sair. Existe muita gente, que eu sei, que eu deveria ter me afastado faz anos, mas por algum motivo não consigo. O que chega a ser algo meio kamikaze, já que é uma relação autodestrutiva.  Por mais que eu queira, espere, briga, xingue, trate bem ou ame, a pessoa nunca mudará.
Até porque, se fosse mudar, depois de todos esses anos, já o teria feito. É triste, enfim, é algo que eu sinto que devo fazer. E provavelmente nunca me acrescentará em nada, além de alguns socos no estômago e o fim do pouco de autoestima que ainda me resta (acho que isso, nem tenho mais).
Em contrapartida, há muitas surpresas acontecendo. Muita gente que eu pensei que nunca mais viria na vida reapareceu. Ligou, acertou o que tinha se partido. Mas alguns até mesmo nem precisaram dizer nada; já se passou tanto tempo que a culpa fica na imaturidade da adolescência.
E provavelmente muitas besteiras serão feitas. Muitas palavras idiotas serão ditas e muitas brigas serão travadas. Mas enquanto as pessoas tiverem a consciência de que não são somente elas (e eu generalizo e me incluo nesse bolo todo) que tem razão, os encontros e desencontros continuarão acontecendo. Encontros amorosos ou de amizade.
Aliás, as relações de amizade me chamam mais a atenção do que os reencontros amorosos. Muita gente se esquece do que os outros fazem, e na hora da raiva, acabam falando besteiras, para quem não deve. É triste, mas todo mundo sabe que 90% das pessoas que estão do seu lado só te tratam bem quando precisam de um favor. Por isso, saiba distinguir quem são os 10% e cuide bem. Tem gente que olha tanto para dentro de si mesmo, que provavelmente um dia irá virar do avesso.

As pessoas descartam umas as outras com grande facilidade. É complicado, difícil você ver alguém cabisbaixo e ter a dignidade de perguntar o que acontece. Ou lembrar-se de fazer um convite, antes que pareça forçado. Lembrem-se de que os reencontros sempre acontecem, e é impossível estar por cima sempre.
         Porém, quem sabe, de tudo isso, não sobre algo bom. Algo que deveria ficar marcado e apagará tudo o que de ruim aconteceu. Afinal, o que importa é o hoje. O amanhã está muito longe e ninguém nos garante que vamos conseguir chegar tão longe.
Eu, que não sei praticamente nada da vida, dou um conselho. Pare, pense e olhe a sua volta: Olhe para todo mundo que convive com você. Preste atenção como você trata as pessoas; uma brincadeira pode magoar e uma palavra áspera sem sentido, ferir.
Entre esses encontros e reencontros, tente fazer o melhor para que, um dia, quem sabe, você possa subir uma colina e encontrar lá no topo só momentos bons.



Um dia...
Um dia, quem sabe, eu te encontre.
Um dia, quem sabe, em uma distração qualquer do destino, você esteja no mesmo lugar que eu estarei, no mesmo minuto.
Um dia, quem sabe, você pare de olhar através de mim, e me enxergue realmente.
Um dia, quem sabe, você vai prestar atenção no som da minha voz.
Um dia, quem sabe, você vai confiar a mim, algo que ninguém nunca sonhou em saber.
Um dia, quem sabe, você vai pegar na minha mão. Só pela sensação de que eu não irei a lugar nenhum sem você.
Um dia, quem sabe, você vai querer passar a noite toda acordado, conversando e rindo.
Um dia, quem sabe, você não vai querer fazer planos comigo. Pois o amanhã demora muito, e o presente é mais urgente.
Um dia, quem sabe, eu vou olhar para você e me perguntar porque você demorou tanto.
Um dia, quem sabe, você fará toda essa espera valer a pena.
Um dia, quem sabe, isso não pareça apenas palavras.
Um dia, quem sabe, isso não seja apenas enredo de um filme.
Um dia, quem sabe, algo real aconteça.
Um dia, quem sabe, você me cure.
Um dia, quem sabe, eu conheça essa sensação de felicidade.
Um dia.... Quem sabe... Um dia!

domingo, 8 de maio de 2011

Entre a realidade e a ficção, você fica sem nada

11 em cada 10 pessoas que eu conversei nos últimos meses se queixam da mesma coisa: Relacionamento – de todos os níveis possíveis e imagináveis (amigos, família, amor). Pois é, parece que ter – e também manter um relacionamento ficou mil vezes mais difícil do que no tempo de nossos avôs.
Anda tudo muito fácil. Você quer sexo? Vai até uma balada que consegue fácil – por vezes basta jogar um charme na rodoviária, terminal, no trem, metrô ou em qualquer outro lugar. Você quer mulher nua? Ligue a TV a qualquer hora do dia ou da noite; e assim por diante. Tudo o que era proibido ou difícil de ser conseguido, virou mais fácil do que ir à padaria comprar um pão.
Ou seja, se a pessoa acha a meia dúzia que encontrou no caminho são fáceis (ou seja, ela conseguiu o que queria sem esforço algum), ela não vai procurar o que é difícil. E vai além: toma aquilo como regra: considera todas as pessoas da mesma maneira que as fulanas e fulanos que encontram por ai. E ai eu te pergunto: E são?
Mas o grande problema é que nem todo mundo é assim, graças a Darwin. Se você está acostumado ao fácil, não adianta querer forçar o mesmo com todo mundo, não vai rolar. As pessoas são foram feiras em série, elas têm suas particularidades e diferenças, físicas, emocionais e de pensamento.
É igual à famosa frase: “Mas você está solteira (o) e eu quero ficar com você, qual é o problema?” – algo do tipo: estou salvando sua vida, me agradeça. O problema é que eu tenho todo o direito de não querer; não é o fato de estar sozinha (ou na solteirice) que vai obrigar a 100% das pessoas a seguirem o mesmo padrão que algumas poucas seguem.
Você não é obrigada (o) a ficar com ninguém, nem manter um relacionamento falido só para não ser considerado sozinho (a) – o medo da solidão e da pressão da sociedade acabam transformando uma pessoa neste tipo de ser humano. Se as pessoas acostumaram-se a se tratar e serem tratadas feito lixo, nada te obriga a aceitar o mesmo. Muito pelo contrário: está mais do que na hora de mostrar que nem tudo é assim. Sucumbir a pressão não é o caminho; a não ser que você pretenda ter a mesma vida vazia e sem sentido que impera na sociedade.
Não adianta você sair por ai, cultuando aos 4 ventos que fulano ou sicrano da mídia são seu desejo de consumo ou seu amor eterno. Ok concordo que a mídia mexe com a cabeça dos menos desavisados e menos culto; achar alguém bonito e desejável é válido, quando acontece uma ou duas vezes, não adianta ficar falando incansavelmente disso, só vai afastar as pessoas.
Mas pense a situação de alguém que precisa se aproximar de alguém assim. A mídia cultua algo inalcançável, justamente para você se prender a ela; é um vício: se aparece alguém bonito hoje, amanhã aparecerá uma pessoa 200 vezes mais desejável. Mas isto é a realidade?
Não, não é. A realidade é aquela do dia a dia. As pessoas são bonitas do jeito que são; sem falsidade, sem maquiagem e sem máscaras. Não é apenas beleza física que faz alguém se ligar a outra pessoa. Há quem ache que começar uma conversa com: “nossa, você é bonita!” significa a porta de entrada para um motel, um quarto ou um relacionamento.
A mente humana pode até ser conquistada pela imagem, mas e quando a imagem atrapalha a conquista? Se você não esconde de ninguém que pessoa X, Y ou Z da mídia são seus “amores”, “lindas”, etc. e tal, como você espera que um reles mortal se aproxime de você?
É claro que tudo o que é falado atinge direta ou indiretamente uma pessoa. Incomoda-me muito esse culto ao exterior. Primeiro porque ninguém consegue ser artificial quanto um personagem e segundo porque esse é um modelo inalcançável então você nunca vai se contentar com outra pessoa. E acredite: a outra pessoa sabe disso; é como você namorar alguém e saber que ela tem várias amantes porque está apenas com você por dó – o que é bem comum atualmente.
É como uma pessoa da alta sociedade casar com um morador de rua e ficar falando 24 horas por dia que só está com ele por dó. É mais ou menos a mesma coisa. O mundo da Sociedade do Espetáculo envolveu tanto o ser humano, que ele não consegue mais ver o que é real e o que é ficção. A prova são as novelas e filmes: Tudo é fácil ali, então as pessoas pegam esse modelo como algo real e necessário para as próprias vidas. O problema é que elas não tem ideia da manipulação que sofrem e como fazem isso totalmente sem pensar e sem perceber; apenas copiam.
Tem a certeza de quem tudo o que está ali pode ser real; de que todo mundo aceita ser tratado da mesma maneira e de que tudo pode ser forçado através de algumas palavras vazias, máscaras e mentiras.
Você não tem mais o direito de dizer não; de escolher, de querer algo melhor. Tem que se contentar com a sobra, como se isso fosse caridade, uma forma de te tirar do limbo ou debaixo da ponte.
O que aconteceu com o respeito, a dedicação, carinho etc. e tal que havia em todo o relacionamento – amoroso, familiar ou de amizade – em um passado nem tão distante assim?
Tudo o que vejo são pessoas querendo tirar proveito; usando e jogando fora, descartando como se fosse uma folha de sulfite usada e sem utilidade. Tudo se tornou muito fácil e muito na mão que nada mais tem sentido; faz-se porque todo mundo faz. Tem-se porque é fácil conseguir em qualquer esquina e descarta-se porque ninguém mais se importa, já que volta ao ciclo inicial: você acha outra em outra esquina, usa, descarta e por ai vai. E você nem percebe como entrou nesse ciclo, e nem se preocupa em saber que está nele ou em querer sair do mesmo.
Até quando esbarra na realidade: A vida não é assim. Não precisa ser banalizada, nem descartada, muito menos irreal.
Se você conseguir ver a realidade, verá que aquele seu “amor eterno” pelo rosto bonito na TV não significa mais do que a solidão de quem impõe barreiras para qualquer outra pessoa mortal se aproximar.

Não sei onde isso vai parar. Mas digo que eu não me curvo e não aceito esse modelo de vida reinante.
Mudo de opinião, mas minha dignidade continua intacta. Posso estar certa, ou errada; e isso é uma coisa que nunca saberei.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Menina meiga, mas nem tanto

Para ser sincera, sempre tive certo preconceito com os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme. Nunca achei que foram tão “UAU” quanto eu esperaria de um longa premiado com tal honraria.
Mas o trailer do Cisne Negro (Black Swan, 2011) me chamou atenção; queria ver realmente como o diretor e os atores conseguiram traduzir num simples cenário de balé algo tão dramático e transformador como o sofrido pela personagem – ou seja, a menina meiga se transformando na megera ou bitch, como preferirem.
Há duas maneiras de interpretar o filme: você pode pensar em obsessão ao extremo ou a queda da inocência – ou ainda cortar toda a manipulação externa e viver aquilo que se quer; eu prefiro pensar em um misto de todas essas coisas com certos agravantes.
Nina Sayers (Natalie Portman) é uma bailarina quase no auge da carreira. A primeira vista ela é bem sem sal e sem açúcar – ok, eu sempre achei ela sem tempero nenhum. Uma garota meiga, confusa, insegura e que ainda não conseguiu se libertar nem da mãe, muito menos da infância, apesar dos seus 24 anos. Ela vive o que os outros querem que ela viva.
Com a aposentadoria de uma das bailarinas, Beth MacIntyre (Winona Ryder), que até então era a Rainha dos Cisnes, Nina tem a chance de tentar o posto de “supra-sumo” do Lago dos Cisnes. Para isso, ela precisa ser escolhida por Thomas Leroy (Vincent Cassel), diretor da companhia de Balé em Nova Iorque. E claro, como todo homem no meio da mulherada, banca o Don Juan geral na meninada.
É então que a trama começa. Nina é aquela personagem chata: a menininha insegura e perfeccionista – daquelas que você tem vontade de dar um tapa na cara para ver se acorda. E toda essa pressão é entendida pelo comportamento de sua mãe, a bailarina aposentada Erica (Barbara Hershey).
Erica é certamente a primeira causa do surto de Nina: mulher amarga e possessiva que a trata como uma criança, controlando seus horários, o que come, o que veste e ainda a deixando em um quarto totalmente infantil – daquele tipo que só falta pegar na mão e deixar na porta do ensaio. Ou seja, 200% controladora; ela trata a filha como uma bonequinha de luxo em forma de gente. Não demora muito para Nina surtar.
A obsessão pela perfeição começa quando Nina se depara com Lily (Mila Kunis), uma bailarina vinda de São Francisco e totalmente fora do normal; se Nina tende a ser perfeita, Lily é seu oposto, porém consegue o mesmo resultado que Nina, o que a deixa mais enfurecida ainda por ofuscar o momento que deveria ser dela.
Toda pressão de ser perfeita começa a surtir efeitos, muito bem explorados pelo diretor Darren Aronofsky, que consegue causar arrepios nas cenas em que a unha, ou um pedaço de pele se solta da personagem principal. Nina começa a se arranhar e a metáfora de que ela está passando de Cisne Branco para Cisne Negro começa no momento em que ela realmente imagina ter pedaços de penas saindo dos lugares onde estava arranhado.
Nina é perfeita para ser o Cisne Branco, mas não tem personalidade o suficiente para se tornar o Cisne Negro – e no Lago dos Cisnes, a transformação tem que ser feita com a mesma bailarina.
Toda essa pressão, mais a concorrência de Lily fazem Nina se transformar por completo; parece que acorda do torpor da vida que levava. O primeiro passo é se desprender a lunática e amarga mãe; depois Nina começa a perceber que ser boazinha o tempo todo, de nada vai lhe adiantar.
De que adianta ter sido boazinha a vida toda se no momento em que ela precisou se impor, surtou de uma tal maneira que acabou com a própria vida? Ela viveu uma vida que não era dela; e quando começou a realmente ter controle sobre tudo o que queria as alucinações e o medo de que Lily tomasse seu lugar foram iminentes.
Na verdade, no fundo Nina queria ser como Lily; livre, sem preocupações e com luz própria. Nina nada mais era do que uma garota que decorou muito bem os passos de balé, quando na verdade era preciso muito mais para se tornar uma bailarina completa. Ela não fazia isso porque que queria, por paixão, e sim porque alguém a estava mandando. Neste caso, por pura pressão da mãe. Provavelmente o único lapso de vontade própria da personagem acabou com ela totalmente pirada entre a transformação de Cisne Branco para Negro.
A fotografia do filme é boa e os atores realmente se esforçaram para incorporar o papel na dança, apesar de que em muitas cenas é dá para ver claramente o uso dos dublês. E Natalie Portman não ficou com muito trejeito de bailarina em algumas cenas.
Um bom filme, não brilhante, mas que consegue captar um pouco da angústia de ter que ser perfeito o tempo todo, e de passar os dias querendo algo que não sabe se é aquilo mesmo; de fazer as coisas por fazer, até surtar.

Mais cedo ou mais tarde, todo bonzinho larga a máscara angelical de lado e acaba surtando.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Segredos

Nunca entendi porque têm pessoas que metem (no bom sentido) tanto o pau no Dan Brown. Dos 4 livros que eu li: O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital e o Símbolo Perdido (ainda falta o Ponto de Impacto) mostraram-se serem histórias fascinantes, que prendem o leitor do início ao fim.
É claro que eu não vou usar um romance ficcional para aprender história, muito menos espero que os fatos ali contidos sejam 100% verdadeiros. Mas é possível ter uma bela noção de como a simbologia é trabalhada na sociedade. E para quem passou uns bons 6 meses do TCC desvendando os segredos dos mitos e o papel deles na sociedade contemporânea, ler Dan Brown é uma verdadeira diversão.
Tudo ao nosso redor está baseado na mitologia, símbolos e imagens. E claro que a partir de uma ficção a pessoa passa a se interessar mais pelo assunto e busca novas fontes de informação – estas sim baseadas em fatos e não mais um best-seller. Duvido que alguém leve ao pé da letra tudo o que Dan Brown ou qualquer outro romancista escreve.
A peça chave de quase todos os livros de Dan Brown (exceto o Fortaleza Digital) é o simbologista Robert Langdon, que sempre é requisitado para desvendar os mistérios. No último Romance, O Símbolo Perdido Robert Langdon, que já esteve em Paris e no Vaticano agora se dirige até a capital dos Estados Unidos, Washington D.C.
Imaginar histórias e simbolos perdidos no Louvre ou nas estátuas do Vaticano parece mais fácil do que imaginar a capital dos Estados Unidos sendo construída sobre as regras e berço da francomaçonaria americana. Langdon chega à capital americana por um convite do amigo e maçom, Peter Solomon.
Mas chegando ao local marcado para a palestra, Robert Langdon descobre que seu amigo na verdade foi sequestrado e que o simbologista precisa desvendar um mito que ele nem ao menos acredita.
O incrível é que Dan Brown consgue envolver o leitor a cada página. As descrições são tão perfeitas –
jutamente com as ilustrações que você acaba se sentindo realmente dentro dessa “caçada ao tesouro”; é claro que eu não serei estraga prazer ao ponto de contar como a história termina, mas para quem não leu e gosta de tentar adivinhar a página seguinte, a dica é ter atenção redrobada aos personagens Mal'akh e Peter Solomon.
Uma das coisas mais interessantes do autor nos livros como O Símbolo Perdido, Código Da Vinci e Anjos e Demônios é que Dan Brown sempre consegue colocar religião no meio da história. Neste em especial, não é uma religião biblica, mas sim outra visão do que a biblia diz. As experiências da irmã de Peter Solomon, Katherine Solomon revelaram que a alma tem peso, ou seja, você vivo tem um peso, e quando morre esse peso diminui. Outro fato interessante é que na francomaçonaria, eles fazem uma releitura da biblia, ou seja, Peter Solomon explica que não existe um Deus apenas. Mas que cada um de nós é um templo e temos um poder; nós somos nossos próprios deuses. O que na verdade para mim, pessoalmente faz muito mais sentido do que acreditar na versão contada nas igrejas e nos mitos criados a partir dela. Mas isso é um tema para outro assunto.
É claro que boa parte da históra é fantasiosa e ninguém vai viajar até os Estados Unidos em busca de um portal que revelesse a palavra perdida que daria um poder inimaginável
a quem a possisse.
O escritor consegue realmente instigar o leitor a querer saber mais sobre o assunto. Confesso que se fosse homem, depois de terminar O Símbolo Perdido, já teria entrado na maçonaria. É engraçado como existem sociedades que ainda preservam seus costumes, seus segredos e toda uma simbologia. E como esses segredos continuarão dentro desse grupo seleto por anos e anos. E se for pensar bem, todos os grupos fazem isso: de maneira aberta ou não, guardam seus segredos; é assim que aprendemos desde crianças. Há coisas que devem ser públicas, outras privadas e por fim as intimas que nunca serão reveladas.
Para quem gosta de simbolos, mitos e de ver como as histórias se modificaram ao longo dos anos, Dan Brown pode ser uma porta de partida interessante. É claro que há livros mais específicos sobre o assunto, e um que eu recomendo é “O Poder do Mito” de Campbel que mostra bem na prática porque vivemos rodeados de simbolos e mitos, e o que eles representam em nossa vida.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pessoas que encontramos pela vida

Depois de muitas recomendações, ontem o Telecine colaborou comigo e eu assisti 500 dias com ela (ou 500 Days of Summer), de 2009. O filme é muito ruim. Basicamente aquele velho lero-lero de Hollywood sobre o cara que encontra a menina, se apaixona, toma um pé na bunda, fica na fossa, supera tudo e fim. Ou seja, nada do que você ainda não tenha visto antes, tanto na ficção, quanto na realidade.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) conhece e se apaixona pela colega de trabalho, Summer (Zooey Deschanel). O diretor do filme conta a história como se ela fosse pequenos clipes; intercalando os bons e maus momentos. O detalhe da trama é que, diferente de outros filmes água com açúcar, os papéis são invertidos: normalmente a mocinha sofre de amores pelo mocinho que a renega. Inverta isso e terá o enredo do longa. Bom, até esse ponto é uma grata surpresa; é tão difícil fazerem os machões chorarem de amor pelas mulheres.
O problema da história de amor dos dois é que Summer não acredita no amor (ok, não que isso seja o fim do mundo, vamos deixar claro); ou seja, ela não está ligando nem um pouco para o que Tom sente. É algo tão casual que se Tom largar Summer, ela nem vai ligar. Mas é claro que é o oposto que acontece e quando Summer larga Tom, ele fica na fossa.
E é nesse ponto que eu quero chegar. A Summer é a personificação da pessoa filha da puta (ok, desculpe o palavrão, mas não achei nada melhor para descrever). Quem nunca encontrou uma pessoa assim na vida? Olha, se você nunca encontrou agradeça, porque não é fácil lidar com alguém assim.
Summer sabe que Tom é apaixonado por ela (e não é tão difícil descobrir quando alguém está apaixonado; tem um letreiro luminoso piscando na testa incansavelmente), e sabe que ele fará tudo para conquistá-la. E Summer, na falta de ter o que fazer (sabe aquele tédio que bate ás vezes, pois é, ela deveria estar entediada) dá corda para Tom. É aquela velha história: não tenho nada para fazer, ele gosta de mim, vou lá gastar meu tempo. Depois se eu mudar de ideia eu invento algo e desapareço.
Só que Summer é aquele tipo de pessoa que pouco se importa. Ou seja, para ela tanto faz se durar um dia, uma noite ou vários meses. Um belo dia ela vai acordar e mudar de ideia, cansar e partir para outra.
E é claro, que pessoas que são filhas da puta iguais a ela pouco se importam com quem está ao seu redor. É um tipo de egoísmo humano desenfreado, de andar de cabeça baixa olhando somente para o próprio umbigo.
Ao invés dela dizer a Tom que não queria mais, ela foi se tornando fria e distante. Até sumir. E a pior coisa que alguém pode fazer para quem está apaixonada é sumir; isso é a maior das covardias que o ser filho da puta pode fazer – e é claro, que ele sempre faz, já que não tem coragem de encarar a realidade.
No final, depois de recuperado (porque todo mundo sempre se recupera, por maior que seja a rasteira que uma Summer tenha te dado), Tom acaba a reencontrando e descobre que ela casou. E que ela estava com outro enquanto dançava com ele, alimentando os sentimentos do rapaz, sem que ele soubesse de nada. Sabe aquele tipo de coisa: “olha só, ele ainda gosta de mim; como eu sou foda”.
O que mais me desanima nos relacionamentos é isso. Encontrar esse tipo de gente que não liga para exatamente nada; nem para ela mesma, se duvidar. Acho que são coisas tão desnecessárias, sem sentido.
Gosta, então goste de verdade. Se gostou e agora não gosta mais, diga, explique, deixe isso claro. Agora criar a expectativa e deixar a pessoa ali, isso não se faz. Por mais que você seja seguro de si e do que quer. Há certas coisas que somente seres filhas da puta conseguem fazer sem sentir remorso.
É aquela velha história: Se não tiver coração, que pelo menos tenha consciência de que você pode afetar positivamente ou negativamente a vida de alguém com apenas um gesto. Sinceridade é tudo; ninguém vai morrer ao ouvir: “não te quero mais”, mas certamente o desaparecer sem explicação vai deixar muitas marcas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É apenas um sonho?

ATENÇÃO AMEBA: Esse post é uma critica ao filme A Origem e a várias cenas do mesmo, se não quiser saber o filme NÃO LEIA... Eu avisei.

Esqueça tudo o que eu já disse, pensei ou escrevi sobre viver no Mundo de Alice, acordar em uma realidade alternativa. É tudo simples demais diante da complexidade do filme A Origem.
A Origem nada mais é do que um simples filme de roubo, entraria facilmente na categoria filme de ação. Só que um roubo em uma complexidade maior. Não é um simples roubo a banco, joalheria ou qualquer outro local físico. É o roubo de ideias, informações e memórias. É entrar na mente e roubar informações, usando o método mais simples que existe: dormir.
Ou seja, podem querer comparar, mas A Origem, ao meu ver, não tem relação nenhuma com Matrix. São conceitos e desenrolar totalmente diferentes, por isso, não adianta assistir querendo comparar os dois filmes.
Sonhos. É através deles que há o roubo das informações. A pessoa é colocada para dormir com a ajuda de um sedativo, cria-se dentro da mente dela, ou seja, uma realidade alternativa onde é possível manipular a pessoa para que ela acredite que aquilo é real. Simples assim, a informação necessária é retirada de sua mente, sem que se perceba. É como acordar de uma noite de sonhos, sem vestígios ou rastros deixados para trás como prova.
Seria um crime perfeito, se não fosse por alguns detalhes primordiais. Quando você, eu e todos nós sonhamos, sempre aparecem memórias pessoais. Podem ser lugares, pessoas, objetos ou situações já vividas. Por isso mesmo, quem faz o cenário do roubo precisa deixar de lado tudo o que conhece, para criar um mundo sem interferência da própria mente.
E esse é o maior problema mostrado no filme. Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é atormentado por uma lembrança que ele mesmo não quer esquecer: sua mulher (ou ex-mulher) Mal (Marion Cotillard). Isso sempre o atrapalha quando o assunto é roubar informações através dos sonhos. Como ele a mantém presa, ela sempre reaparece para dar fim ao plano de roubo dele.
O problema fica maior quando Cobb tem a missão de inserir e não mais roubar ideias. Ele faz isso em troca de sua liberdade, já que é acusado de matar Mal e sendo assim, nunca mais poderá rever seus filhos (que também estão presos em sua memória). Para invadir a mente de Fisher (Cillian Murphy), Cobb recruta uma nova arquiteta de sonhos, Ariadne (Ellen Page).
Arquiteta de sonhos nada mais seria do que a pessoa que monta o cenário dentro da cabeça de quem será invadido. É como se pudéssemos escolher o que vamos sonhar; quanto mais detalhes, mais a pessoa vai sentir que aquilo é real. Mas o problema ao invadir a mente de Fisher é o fato de que eles terão de colocar algo e não retirar. Para isso toda a equipe terá que ir mais fundo; ou seja, um sonho dentro de um sonho, que resulta em um sonho. Três níveis de profundidade.
É deste ponto que o filme começa a ficar emocionante. Toda a arquitetura, os conflitos, disfarces e o medo do fracasso são potencializados pelas relações externas, como a sagacidade de Fisher de ter a mente treinada contra este tipo de invasão e o fato de Cobb ser dominado pelo seu passado, que só Ariadne sabe qual é e tenta fazer a todo custo com que Cobb o deixe para trás.
Impossível não fazer relação do filme com a realidade. Como por exemplo, o chute, que é uma das técnicas usadas para acordar. O chute consiste em derrubar a pessoa, ou tirar o seu centro de gravidade. E o que acontece quando alguém sonha que está caindo? Acordamos, de certo.
Outra maneira de acordar em A Origem é matar a pessoa no sonho. O que também condiz a realidade. Dificilmente alguém sonha que está sendo morto e não acorda. Assim como o filme mostra que quando alguém apanha no sonho, acaba se lembrando disso quando estiver acordado. Ou ninguém nunca acordou imaginando que caminhão o atropelou durante a noite?
Sonhos são estranhos. Quase nunca me lembro do que sonhei. Mas tenho sonhos que se repetem, aliás, um que anda se repetindo e que perdura por quase um mês. Acho que os sonhos são a revelação de todo o nosso subconsciente. Das coisas que fugimos ou que não entendemos. É uma maneira de aprender algo ou de entender determinada situação.
Ainda quero aprender a ver o significado dos sonhos. E na verdade, me encanta muito o fato de sonharmos coisas inacreditáveis, tanto com pessoas, lugares e até mesmo situações. Quão complexa nossa mente é, para formar essas situações?
E quando você não consegue lembrar se a situação aconteceu em sonho ou na realidade? Não sei se aconteceu isso já com alguém, de ter pensando que falou ou fez algo e quando se deu conta, apenas tinha sonhado com isso. Não é raro eu parar para pensar se eu sonhei ou realmente aconteceu.
Não é raro eu sonhar com situações que ainda vão acontecer; já acordei diversas vezes assustada pensando: “Ah, não, como eu fui sonhar isso com essa tal pessoa; ou que lugar é esse?” pode não demorar muito e bingo! o sonho vira verdade. Mas o problema é que eu só faço relação do sonho com o real algum tempo depois.
Acho que meu subconsciente fala demais comigo; e é por essas e outras é que começo a ter medo quando sonho muito com a mesma coisa. Atualmente meu sonho diário diz respeito a eu ser atropelada, em um semáforo que atravesso todo dia. Era fim de dia, saída do trabalho (sei por que estava de uniforme) um carro preto passa no sinal fechado e me atropela e fim, não resisto. Se alguém souber o significado disso, agradeço.
Falando em não entender sonhos, o final de A Origem me fez pensar se sabemos realmente a diferença de estar sonhando ou acordado. Cobb estava sonhando ou no mundo real quando reencontra os filhos? Pelas roupas e jeito das crianças, ele estava sonhando. Mas ainda tenho minhas dúvidas, já que posso pensar que no filme inteiro Cobb estava sonhando dentro de vários sonhos; uma linha infinita.

Então, tudo é apenas um sonho?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

As máscaras sempre caem

É quase unanimidade (não é totalmente, porque toda unanimidade é burra). Quanto mais eu converso com as pessoas, mais elas reclamam da mesma coisa: Mentiras, falsidade, meias verdade e pessoas se fazendo passar por aquilo que não são.
Vamos aqui resumir todos esses fatores em apenas um – o que é na verdade uma descrição muito mais acertada para definir mentiras, falsidades e fingir ser quem você não é apenas para impressionar as pessoas.
Então vamos chamá-las de máscaras. Todos nós usamos máscaras em algum momento da vida. A vida em sociedade nos força a isso. Não podemos ser 100% sinceros o tempo todo, já que ninguém agüentaria ouvir verdades o tempo todo.
Primeiro porque a verdade dói, é cruel, coloca o dedo na ferida e ainda nos deixa expostos e indefesos. Segundo porque quem falasse a verdade o tempo todo certamente seria mais jurado de morte do que Bin Laden em território americano.
Por isso mesmo nós criamos dentro de nós as máscaras. As máscaras são usadas para disfarçar a verdade em momentos oportunos. Não é preciso tacar a verdade na cara das pessoas o tempo todo; nem a pessoa mais cruel do mundo tem coragem de fazer isso. Este é o lado “benéfico” das máscaras. Manter a sociedade andando bem, sem conflitos; é o eufemismo natural das pessoas.
Então, qual é o problema das máscaras? O problema é que as máscaras devem ser usadas apenas em caso de necessidade, quando se sabe que vai magoar alguém sem necessidade. Mas há aqueles que usam máscaras o tempo todo; não conseguem mais se livrar delas.
Se sentem tão confortáveis atrás das mesmas que não conseguem mais encarar a realidade. As máscaras podem transformar a pessoa no que ela quiser. Ela pode fingir ser o que quer, ou melhor, o que mais lhe convém.
E há inúmeras máscaras que podem ser usadas. Cada uma tem um propósito de esconder a pessoa e fazer dela aquilo que ela não é. E porque alguém se esconderia atrás de algo que não é verdade?
Pelo simples fato de querer ser aceito, de impressionar o ambiente a sua volta. Ninguém gosta de se sentir renegado, de sentir que não se encaixa em qualquer lugar que seja. Quando a pessoa que tem compulsão pelas máscaras (ou pela mentira) se vê em um local assim, já veste a máscara que mais lhe convém para ser aceito e fazer parte do ambiente que foi inserido.
A necessidade de agrade e de ser aceito é tão grande que a montanha de mentiras que começou com uma pequena ilusão, logo se transforma em uma bola de neve sem tamanho, que desce ladeira abaixo desenfreada, sem controle arrastando tudo o que vê pela frente.
É assim que começa, com algo banal para se conquistar alguém ou o ambiente e termina em uma avalanche de falsidade, falsas promessas e de máscaras caídas. Não se engane, uma hora as máscaras sempre caem; não importa o quanto bom a pessoa seja, no fim das contas ela vai sempre se entregar.
Não há quem consiga viver apenas de aparência, apenas para ser aceito e amado por todos. Todos sabem quando alguém usa máscaras ou não. É querer enganar a si mesmo. E para que?
Não precisa mentir, iludir ou ser falso para as pessoas gostarem uma das outras. A sinceridade também atrai, aliás, atrai muito mais do que a mentira. Porque a sinceridade nunca muda e não magoa para sempre, apenas momentaneamente.
A mentira pode ser bela e linda no seu início, mas quando a máscara cai, a mentira e a falsidade podem ser piores que qualquer verdade dita no início; deixa mais marcas e ainda deixa a pessoa “marcada” para sempre.
Por isso, pense bem antes de manter alguma máscara; isso pode se tornar um vício difícil de se livrar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mitos e as leis do ouvir e ver

Não me perguntem onde eu li, ou quem me disse. Mas tem uma frase que faz todo sentido e pode ser muito bem explicada – não que isso a faça ser de maior ou menor compreensão.
“As mulheres se apaixonam pelo que ouvem, homens se apaixonam pelo que veem” – Quem souber da onde ela surgiu, pode me avisar que eu darei os créditos.
E é a mais pura verdade. Não adianta encher um cara com palavras e nem uma mulher com imagens. A atração em ambos funciona de maneira bem diferente, porém totalmente e facilmente explicado. E não é somente a atração. Se for pensar bem, não é muito raro ver essa frase aplicada a outros setores da vida das pessoas. É basicamente uma regrinha.
Nós, mulheres nos apaixonamos por aquilo que ouvimos. E adivinhem da onde surgiu tudo isso? Dos malditos e tenebrosos contos de fadas e seu fatídico Happy after ever (alô Disney, eu ainda te processo), copiado incansavelmente por Hollywood e pela novela das 20 horas.
Não adianta. As mulheres aprenderam a ouvir – aliás, desculpe-me rapazes, somos muito melhores ouvintes do que vocês; por isso mesmo, quando precisarem realmente conversar, procurem uma mulher, ela vai te ouvir.
Você pode ser o cara mais feio do mundo, se achar a pior das pessoas. Meu amigo, se você souber falar, você pode conquistar qualquer mulher. Parem de procurar, o primeiro ponto G de uma mulher está no ouvido.
Mas, e vamos abrir um parágrafo aqui: Isso não significa que você deva ser um idiota fofo, como bem definiu o Felipe Voigt no blog dele, Questão de Ordem. Leia o post e você vai entender o que eu quero dizer.
Chega até mesmo ser imbecilidade, mas pode fazer o teste. Qual de nós mulheres não consegue se derreter com algumas palavras bem ditas? Não há segredos. Aprendemos desde sempre que temos que esperar e ouvir palavras. Ou seja, tudo o que essas comédias românticas, novelas e seriados fazem é comprovar tudo isso. De nós as copiamos. Porque como diria Debord, “o que é bom aparece, o que aparece é bom”. Preciso definir mais?
É um mito. Passado ano após ano. Geração após geração. As músicas usam musas como inspiração, desde sempre foi assim. Os artistas usam musas como inspiração. Ou seja, a mulher sempre foi tida como objeto de admiração. E o que se faz quando se admira algo? Fala-se, fala-se incansavelmente sobre ele.

Já os homens, se apaixonam por aquilo que veem. Pegando um gancho no parágrafo acima, perceba-se que o homem sempre busca algo para admirar. Ou seja, a mulher pode ser a mais inteligente de todas, mas se ela não chama atenção do homem, nada feito.
É claro que isso não é regra. Sempre há suas exceções. Mas alguns mitos, por mais que os anos e até mesmo séculos tenham passado, ainda se preservam. Eles podem ter mudado a roupagens, estarem com a embalagem diferenciada. Mas eles continuam todos os mesmos.
E são exatamente esses mitos que definem a sociedade e a forma como as pessoas se comportam ou não. Quebrar esses parâmetros não é difícil, e nem muito menos complicado.
Há alguns mitos que estão sendo modificados, ou seja, ganham uma roupagem diferente, mas na verdade ainda continuam com o mesmo significado. E não há nada de errado em se ter os mitos na sociedade.
São eles que, na verdade acabam “ditando” o estilo de vida das pessoas nelas. A maioria das coisas que fazemos, pensamos e agimos são totalmente baseados por eles. Juntando-se isso a Sociedade do Espetáculo que dita realmente às regras, temos a sociedade atual.
As mulheres se baseiam por aquilo que ouvem, os homens, por aquilo que veem. Pode começar a reparar. As mulheres se contentam em ouvir os fatos. Os homens até ouvem, mas precisam ver para ter certeza se estão ou não falando a verdade.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Vida de Jornalista parte II


Já assistiram ao filme “O Diabo Veste Prada”? Pois bem, quem já assistiu vai saber e principalmente entender direitinho o que eu vou escrever agora.
Eu ando me sentindo a própria personagem de Anne Hathaway chamada Andrea (ou Andy) Sachs. Quer dizer, tirando o estilo, a magreza e o namorado gatão (ok, dos três itens que me falta, esse era o que eu menos dispensaria).
Eu explico: Quando eu entrei na faculdade eu queria mudar o mundo. Pura ingenuidade de iniciante no mundo universitário. Agora você me pergunta: Se eu queria mudar o mundo, porque escolhi jornalismo e não medicina, por exemplo? Porque eu acho que há várias formas de se mudar o mundo e as pessoas. Mas isso só pode acontecer se o mundo e as pessoas quiserem ser mudados; não se pode mudar quem não quer mudar.
Voltando...
Eu entrei na faculdade com a mentalidade de que um dia iria fazer a diferença. O que não é verdade. Imaginei-me várias vezes, assim como a personagem do filme, escrevendo coisas sérias, que seriam lidas por todos e talvez fizesse a diferença na vida de alguém.
Só que quando se sai da faculdade, nada disso é verdade. Tudo o que você planejou durante 4 longos e cansativos anos desmorona e você se vê obrigado a sobreviver.
Só que sobreviver no “mundo adulto” não significa necessariamente fazer aquilo que se gosta realmente. E é nesta parte que eu me identifico com a personagem principal do filme O Diabo Veste Prada.
A Andy Sachs, depois de muito procurar por emprego, consegue uma vaga no local mais badalado de todos, a Runway Magazine, como assistente de Miranda Priestly, uma tirana, sarcástica e provavelmente sem o pingo de humanidade nas veias.
Andy não gosta do trabalho, mas sabe que precisa do sacrifício para poder fazer aquilo que realmente quer. Então ela vira a secretária de Miranda e passa maus bocados na mão da chefe maligna.
O resto da história tudo mundo já sabe, Andy se rende ao mundo da moda, vira workaholic, muda de estilo e faz todas as vontades da chefe, esquecendo até mesmo sua própria vida pessoal e o namorado (desperdício, diga-se de passagem).
E o que isso tem a ver com a minha pobre pessoa? Não, eu não estou trabalhando em uma empresa poderosa de moda, não tenho roupas chiques a minha disposição e não vou virar workaholic.
A questão é: será que vale a pena se empenhar tanto para poder se ver livre e fazer realmente aquilo que gosta? Qual é a compensação que se tem nisso tudo. Não vejo nenhuma vantagem.
Estou como a Andy, trabalhando em algo que aprendi a gostar e sendo mais uma assistente que assessora de imprensa – apesar de ter a clara sensação que nem todo mundo sabe o que assessora de imprensa significa, ou qual a sua real função.
E quando será que eu vou poder fazer aquilo que eu gosto? Não faço a menor ideia, mas torço para que seja logo. Parece que a vontade de mostrar trabalho e fazer aquilo que se gosta é sempre inversamente proporcional as propostas e oportunidades que aparecem à sua frente.
Andy Sachs teve que agüentar apenas um ano no cargo de assistente da Miranda para pode fazer aquilo que sempre quis. Só falta saber quanto tempo eu terei que esperar para que a minha vez finalmente chegue.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O problema em ser legal

Eu já escrevi por aqui sobre os problemas em ser sincero. E esses dias me deparei que, além de sofrer do problema de ser sincera (sim, eu sofro desse mal e acabo ficando com fama de chata, leia o post para entender), eu sofro também do problema de ser legal.
Não, não estou aqui dizendo que sou a última bolacha do pacote. Nunca diria isso, primeiro porque eu sofro da
síndrome do patinho feio segundo porque a última bolacha do pacote sempre está quebrada, murcha e ficou ali porque ninguém quis. Pensando bem eu até seja a última bolacha do pacote, olhando por esse ângulo. (chega de divagar)
O que eu estou querendo dizer é que as pessoas não estão acostumadas a encontrarem gente legal. Eu explico: Não é raro você conviver com pessoas que geralmente estão de mau humor e que não ligam para nada que não seja o seu próprio umbigo.
Pois é, eu encontro um monte de gente assim na minha vida. E todo mundo deve encontrar também. Mas o detalhe é que nem todo mundo é assim. Algumas pessoas tendem a ser um pouco diferente das demais. E é exatamente neste ponto – o ser diferente – é que trás tantos problemas.
Não é todo mundo que está acostumado a pessoas legais. Vamos aqui traduzir o que seria uma pessoa legal, já que muita gente deve imaginar que pessoa legal é aquela popular e conhecida por todos.
Uma pessoa legal é aquela que ajuda todos. Não se importa em ajudar quem precisa de ajuda. Ela conta piadas, sorri e quase nunca demonstra estar triste ou com problemas; disfarça tudo isso conversando sobre banalidades. Ela se interessa pelo o que os outros dizem e está disposta a ouvir e conversar sobre tudo.
Pronto, está feito o estereótipo de uma pessoa legal. E o que acontece quando se é legal? As pessoas começam a confundir as coisas. Ou seja, ninguém está acostumado a receber atenção tão facilmente e quando se depara com uma pessoa legal, se assusta e fica até mesmo fascinado.
Ora, quem não gosta de ter uma pessoa prestativa e que ainda lhe dê atenção por perto? Até eu que sou a mais boba (isso eu explico em outro post) gosto de ter alguém que me dê atenção.
E qual seria o problema nisso tudo? O problema é que quando não se está acostumado com algo, ele vira novidade. E tudo o que é novidade instiga. É como se fosse aquele animal raro no zoológico: todo mundo quer ver, tocar e desvendar. Depois que se conhece acaba a curiosidade e a pessoa vira apenas mais uma. E assim ela é descartada e acaba abrindo espaço para outra “raridade” que também durará alguns dias, por sorte meses.
As pessoas confundem ser legal (ou nos termos do Orkut, ser bonzinho, por isso tantas comunidades “bonzinho só se fode”) ou qualquer outro sentimento. E nem sempre é assim – preste atenção que eu não estou generalizando.
Nem sempre as pessoas são legais apenas porque estão interessadas em alguém. Mas acontece que sempre, em 100% dos casos, as pessoas se encantam ou acabam achando que a pessoa legal está dando mole para ela. Quem é assim, não é porque veste um estereótipo, é porque é de sua natureza; algo que não dá para evitar.
Nem sempre as pessoas se aproximam de alguém por ter algum interesse – seja contato físico, tirar vantagem ou simplesmente estar encantada. É muito comum as pessoas confundirem atenção “normal” com outro tipo de atenção.
Eu, particularmente, sofro muito com isso. Sou toda tonta (isso também é tema para o próximo post) e gosto de agradar a quem está ao meu redor. Quem me conhece sabe que não dispenso um abraço ou uma boa conversa. E há quem ache que só por causa disso eu tenho um interesse a mais na pessoa.
Muito pelo contrário. A quem eu tenho interesse eu deixo muito bem claro; a quem eu vejo que está confundido as coisas, eu até mesma sou dura e chego a pedir para não confundir amizade com algo mais.


E quem acaba sofrendo com isso somos nós, pessoas consideradas legais. Acabamos nos envolvendo demais e achando que tudo é nossa culpa; que se não fossemos assim nada disso teria acontecido. O que nem sempre - eu disse NEM sempre é verdade.

É por isso que tantas pessoas se “apaixonam” por quem é assim. E acabam falando demais; falando sem pensar e sem ter certeza. Mas isso também é tema para outro texto.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Give me a break

Eu queria dormir e acordar em uma realidade alternativa. Não estou falando de tomar chá de cogumelo, muito menos de ingerir qualquer outra substância alucinógena. Se por um dia, apenas um dia você pudesse ter e ser tudo aquilo que imaginou. Já pensou como seria?
Todo mundo precisa de um tempo. Ainda mais quando se bate sucessivamente na mesma tecla. As repetições cansam e muitas coisas perdem o sentido. Não há quem agüente – não pelo menos mantendo a sanidade em dia. É o famoso: “pare o mundo que eu VOU descer”.
E se você pudesse ter um dia só seu, do jeito que quer pode imaginar como ele seria? E se depois de fazer tudo o que gostaria, de se sentir bem, descobrisse que alterou drasticamente as coisas. Ou seja, mudou sua realidade e quando voltou, tudo ficou diferente.
É mais ou menos isso que acontece no último filme do Shrek, intitulado de
Shrek Para Sempre. No primeiro filme ele era um ogro, que não queria mudar de jeito nenhum. No segundo ele continuou resistindo a mudança, mas teve que admitir que mudar era bom. No terceiro, veio a mudança mais drástica: três pequenos diabos, quero dizer, filhos para alegrar a vida do ogro.
E o que aconteceu nesse meio tempo? Ora, o que acontece com todo mundo que “muda”. Ninguém aceita que precisa mudar. É a velha história: Casados sentem falta da solteirice; os solteiros sentem falta de quando estavam namorando e por aí vai.
Ninguém nunca está satisfeito. O problema é quando o copo enche demais e a paciência e a saudades do passado transbordam. O que fazer? Bom, Shrek trocou a vida boa de casado e pai de três diabretes por um dia de solteiro, quando assustava todo mundo e se sentia o máximo.
E claro que até mesmo nos contos de fadas (ou pseudo contos de fadas) as ações têm conseqüências. E Shrek fez um acordo com Rumpelstiltskin (quem leu os contos dos Irmãos Grimm vai se lembrar dele. Quem não leu, está na hora de ler). Shrek queria um tempo então trocou um dia do seu passado por um dia para voltar ser aquele ogro de antigamente.
E quando você aparentemente muda, tudo muda. Ou seja, Shrek não salvou Fiona, não teve filhos e o reino de Far Far Away na verdade é de Rumpelstiltskin; o vilão. E o que acontece? Ora, o obvio: Shrek começa a sentir falta de tudo aquilo que ele tinha. É o famoso clichê: “só nos damos conta do que temos quando perdemos tudo”.
Para a sorte, Shrek pode voltar para boa e velha vida de ogro casado e pai de três fofuras. Bastava apenas ele dar um beijo no seu amor verdadeiro (ou seja, um ótimo gancho de união entre o primeiro e o último filme). Não que esse último filme seja ruim. Mas ele é bem mais sentimental que os outros, mas ainda muito melhor que o terceiro. Porém não supera o primeiro, que tinha muito mais ironia e acidez.
Mas, mesmo assim foi uma boa despedida para o ogro e sua família de contos de fadas quase perfeito. Pelo menos a Disney se deu conta que seus contos de fadas são ultrapassados e só servem a um propósito: Servir de chacota para animações do gênero.
A trilha sonora também não é de todo mal. Fecharam com chave de ouro ao escolher a música tema do primeiro filme, "I'm a Believer" do Smash Mouth. Uma das coisas que eu mais gosto do filme decididamente é a trilha sonora.

Resumindo: O que dá para tirar de lição do filme a não ser que o Gato de Botas ficou ainda mais meigo balofo e o Burro sempre será o Burro?
Simples: Mudar não é fácil. As pessoas se acomodam demais àquilo que tem e esquecem que há outras opções ao seu redor. A comodidade é o que mais me irrita no ser humano. Vive-se uma vida “infeliz”, conformada e maçante só porque se está muito mais seguro naquilo que é conveniente do que no desconhecido.
E qual é a graça disso? A vida é muito curta para viver acomodado a algo que nem lhe interessa mais. Qual é o problema em mudar? Ninguém consegue viver a mesma vida o tempo todo.
Todo mundo precisa de uma realidade alternativa. De acordar um dia e decidir que já é hora de se mover; que a vida em círculos não tem graça alguma.
Assim como todo mundo precisa de um tempo. Um tempo para tentar fazer as coisas certas; e um pouquinho de ajuda nisso não faz mal a ninguém. A não ser que você seja o House, todo mundo precisa e até mesmo merece uma chance.
Já imaginou quantas oportunidades não está perdendo nesse tempo todo? E há oportunidades que não voltam mais. Nem todo mundo tem a pode ter o luxo de sair do lugar comum, encontrar o que quer perder e recuperar. Isso só acontece nos filmes; ou melhor, só acontece no Shrek.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu não preciso de uma casquinha

Tudo acontece em Elizabethtown (2005) é um filme antigo. Mas que fala sobre coisas interessantes sem cair na mesmice. É um filme bobo, mas não necessariamente pode ser rotulado como água com açúcar. E porque eu estaria falando de um filme tão velho por aqui? Simples: Primeiro porque nunca falei dele, segundo porque tem frases e teorias muito interessantes, que vão de encontro com várias coisas que ando escrevendo por aqui.
O filme começa de um jeito totalmente diferente dos outros. Com o protagonista tentando se matar. Primeiro ele descobre que nem para isso ele presta. Depois é a vez de ser interrompido pela morte de seu pai; e é ele quem precisa ir até a cidade que ele morreu fazer os preparativos para o enterro.
E nessa jornada o protagonista encontra a mocinha. E ao contrário dos demais filmes, a mocinha não é tão “boazinha” assim. Ela é cheia de teorias e frases feitas e realistas. Uma mistura de uma pessoa autoconfiante que sabe o que quer, mas também extremamente carente (e eu não estou falando de mim, mas sim da personagem, só para deixar claro). E são justamente essas frases e teorias que mais me fascinam no filme.
Claire (a mocinha meio má) explica a teoria que eu mais gosto. A que algumas pessoas são pessoas substitutas. Para explicar melhor: Sabe no filme, aquele personagem que só está ali para fazer o papel de “melhor amigo(a)”? Pois é, essa é uma pessoa substituta. Ela está ali para “tapar um buraco”, mas nunca para brilhar.
É muito parecida com a teoria do estepe. Ou seja, é uma pessoa que está ali apenas para fazer número. Isso não quer dizer que ela vá (ou não) ocupar um papel de destaque na vida de outrem.
E quem nunca foi uma pessoa substituta? Aquela pessoa que aparece na nossa frente só quando ela precisa. Nada definitivo, somente para preencher um vazio necessário e momentâneo – ou para a pessoa sair da rotina.
Não importa por qual motivo seja. Todo mundo já foi – ou ainda será uma pessoa substituta. Ou seja, não se assuste se você for descartado – ou substituído em um piscar de olhos. E lembre-se que isso vai acontecer no momento em que você achar que vai ocupar o papel principal. Então nunca se esqueça que “melhores amigos” serão eternamente melhores amigos e nada mais. ATENÇÃO: quem assiste a filmes conhece essa analogia.
Mas, Tudo acontece em Elizabethtown não tem só essa teoria que eu acho valiosa. Tem um diálogo muito interessante entre o protagonista e a mocinha. Mais uma mostra de que esse não é um filme “tradicional”. Primeiro porque em qualquer filme tradicional a mocinha é tonta, segundo porque ela nunca renegaria o protagonista:

Drew: You’re kind of great, Claire. You do know that. Sort of amazing, even.
Claire: Oh, come on! I don’t need an ice cream cone.
Drew: It’s not an ice cream cone. What’s an ice cream cone?
Claire: You know. “Here’s a little something to make you happy. Something sweet that melts in five minutes.”

Ou seja, traduzindo: “Eu não preciso de uma casquinha. Você sabe. Aqui está alguma coisinha pra te deixar feliz. Alguma coisa doce que derrete em cinco minutos”.
Quer frase mais realista do que essa? Porque todo mundo pensa que precisa dar alguma coisa para ver alguém feliz. Principalmente quando precisam dizer algo ruim. É como se fosse um “bate, depois assopra”. Ninguém precisa de uma casquinha; algo que só vai alegrar por alguns minutos.
E porque eu gosto tanto dessas teorias e frases? Porque elas são reais! É fácil ser uma pessoa substituta (eu já fui por várias vezes e serei até o momento que alguém decidir que eu posso ser uma protagonista).
O que eu não gosto nisso tudo, é das pessoas quererem “dar uma casquinha”. Não preciso de algo momentâneo, que dure pouco tempo só para me sentir bem. A realidade me atrai muito mais do que o mundo da imaginação.
Toda pessoa substituta sabe que mais cedo ou mais tarde alguém vai oferecer uma casquinha “pelos serviços prestados”. O problema é que nem todo mundo quer essa casquinha.

E as duas frases vencedoras do filme:


"Você tem 5 minutos para se entregar a tristeza profunda: curta-a, abrace-a, descarte-a e prossiga"

I'm impossible to forget, but I'm hard to remember - "sou impossível de esquecer e difícil de se lembrar".


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quando tudo parece dar errado

Já que não consigo ver filmes atuais (leia-se lançamentos), vou tentando me atualizar à medida que o Telecine permite que eu faça isso. Esse final de semana assisti dois filmes. Um, o horrível Guerra ao Terror nem vale a pena ser comentado.
Aliás, se alguém quiser “ver mais do mesmo” pode assistir a esse filme. Aliás, mais um filme de guerra (?) que mostra os americanos como coitadinhos em uma guerra que eles mesmos provocaram. Viram algum sentido nisso? Não, e nem tentem, pois não há. E eu que achei que a mediocridade americana de se fazerem de coitadinhos na guerra havia parado no desastre do Vietnã.

Voltando.

O outro filme se chama A Vida Secreta das Abelhas, de 2008. (E sim, esse também é um filme do estilo “mais do mesmo”, mas todos os filmes são). E, ao contrário do que eu imaginei quando li o título, não é uma animação, muito menos um filme infantil. Muito pelo contrário; ao que eu me lembro, esse é o primeiro papel em que vejo Dakota Fanning interpretando uma adulta, e não mais uma criança como ela sempre fez.
E o filme fala justamente disso, de amadurecimento, crescimento, encarar as dificuldades e perceber que a vida não é cor-de-rosa. Um filme que pode muito bem ser rotulado como sendo do gênero “água com açúcar”. Apesar de andar meio longe desse estilo, esse filme me instigou.

Na trama, Fanning vive Lily, uma menina com uma vida difícil. Aos quatro anos, por sua culpa, sua mãe morreu. Dez anos depois ela vive com o pai abusivo (Paul Bettany, ótimo), rancoroso pela morte da esposa, e a empregada negra Rosaleen. O ano é 1964 e a luta pelos direitos civis dos negros está em um de seus mais tensos momentos. Um acontecimento dramático, porém, leva ambas a fugir de casa em direção ao apiário da Nossa Senhora Negra: uma imagem gravada em uma caixinha da mãe de Lili. Lá conhecem August Boatright (Queen Latifah) e suas irmãs, June (Alicia Keyes) e May (Sophie Okonedo), que fazem o melhor mel da Carolina do Sul - e mudam a vida das duas para sempre. Fonte: Omelete.

Até aí, nenhuma novidade. Mais um filme como tantos outros que já foram produzidos. E porque eu o achei diferente. Simples, ele mostra uma pequena realidade que todos nós vivemos (ou viveremos) um dia. O de pensar que não nos encaixamos no mundo, de pensar que tudo o que tocamos vira pó e se desfaz.
A protagonista do filme deixa isso muito claro. O desejo dela de fazer as coisas corretas é inversamente proporcional as coisas boas que acontecem ao seu redor. É a velha teoria: quanto mais se tenta agir corretamente, consertar tudo, mais as coisas se quebram e saem dos eixos.
Aliás, a diretoria do longa-metragem poderia muito bem deixar de maquiar tanto a realidade; o filme é carregado de um eufemismo exagerado e sem nexo. Quando eu vi, pensei em algo mais realista e não tanto Hollywoodiano como foi retratado. A maquiagem só serve para disfarçar, esconder imperfeições que ninguém quer ver. Ponto novamente para a Sociedade do Espetáculo; já que é isso que as pessoas querem ver, vamos lá.
Mas não é Lily e sua busca por se encaixar no mundo que mais me chamaram a atenção. Na verdade há uma personagem mais forte de todo esse filme, sem ser a pobre menina. A minha personagem preferida na trama é May, espetacularmente interpretada por Sophie Okonedo. Aliás, as três irmãs (que eram 4) tem nomes provenientes do calendário justamente porque sua mãe gostava da primavera e do verão.
May tinha uma irmã gêmea, April que faleceu quando ainda eram crianças. Desde então May parece que divide as angústias do mundo com todo mundo. Ela sente e sofre todo sentimento mal que está perto dela. É como se ela carregasse o fardo do mundo.
E quem nunca se sentiu dessa maneira? Carregando o fardo dos outros, vivendo problemas que não lhe dizem respeito; sofrendo por coisas inevitáveis e também por aquelas que todos nós já sabemos no que vai resultar.
Essa mistura entre Lily e May é o que mais me intriga no filme. Todo mundo quer se encaixar, perceber que não está só, e que também não é culpado por tudo. Todo mundo carrega uma dor que não é sua, mas que precisa carregar para aliviar outra pessoa – mesmo que essa pessoa pouco se importe com você, ou nem se dê conta da sua presença.
E o principal: Todo mundo quer ser amado, quer ter a sensação de que não é culpado por todos os problemas do mundo. Que não está sozinho e que tem alguém ali que realmente se importa com você.
Dentre tudo o que é retratado no filme, essa última parte ainda é a mais complicada: Complicada de entender e de se achar. Porque quando tudo parece dar errado, é o momento que você se sente mais sozinho, sente que só faz coisa errada e que não há ninguém disposto a cuidar de você e dizer que isso tudo vai passar.

domingo, 20 de junho de 2010

Eu sou um imã

Provavelmente todo mundo conhece qual é o objetivo do imã: Atrair materiais, desde que os mesmos estejam em uma polaridade diferente do imã. Essa é provavelmente a única coisa que ainda consigo lembrar que seja relacionada à física e afins; o resto deletei do meu cérebro quando entrei na faculdade.
E provavelmente quem lê esse blog, meu perfil no
twitter, etc. já deve ter ouvido e lido muito a história de eu viver uma novela mexicana. Se Silvio Santos ou o SBT soubessem da minha história, já a teriam comprado. É uma história que daria pelo menos umas 5 novelas mexicanas completas, com direito a música dramática e tudo. Fica a dica.
E o que novela mexicana e imã têm a ver? Todo mundo ou vivem um capítulo de novela mexicana ou é um imã. O problema em ser imã é descobrir o tipo de pessoas que você vai atrair.
Cada um atrai um tipo diferente de pessoa ou de situação. E é exatamente isso que vai determinar se você viverá ou não uma novela mexicana ou sobre a influência de Murphy.
Você pode atrair naturalmente pessoas alegres, que te ajudem; pessoas que te coloquem para baixo, pessoas que vão estar ali a sua vida inteira e pessoas que não vão ficar nem um dia.
Cada um é um imã, um imã natural. O que faz cada um atrair um determinado tipo de pessoa ou de situação para mim ainda é um mistério. Ainda não consigo entender como gente boa só atrai gente podre e como tanta gente sem nada a oferecer pode atrair tanta gente boa.
Talvez nós sejamos iguais aos imãs de verdade. Atraímos nossos opostos. Deve ser exatamente por isso que tanta gente boa, gente que só quer ajudar atraia tantas pessoas más, vazias.
Pessoas essas que só sabem nos usar, e descartar feito uma folha de papel usada. Sem peso na consciência, sem eufemismo, sem sentimento. Quanto mais você tenta ajudar, tenta ser uma pessoa boa, mais filhos da puta de marca maior você vai atrair. Considero essa uma das leis infalíveis da natureza.
Assim como os opostos se atraem na física, as pessoas boas só atraem filhos da puta. E não há nada que você possa fazer para mudar isso. É da sua natureza, você vai nascer e morrer exatamente assim.
Isso não quer dizer que você só atraia pessoas filha da puta. Você pode ter a chance de ter pessoas boas ao seu redor. O problema é que as filha da puta tem um peso muito maior sobre você do que as boas. As pessoas filha da puta te jogam pra baixo, sem dó nem piedade, com frases, propostas e afins que você não merece e que não são da sua índole.
São coisas que eu ainda, na altura dos meus pobres 25 anos não consigo entender. Porque tantas pessoas agem dessa maneira? Porque elas não ligam, não pensam. Apenas jogam lixo na cara de qualquer um, achando que são donos da verdade. Achando que todo mundo tem um preço. Achando que podem te comprar por uma noite, uma semana, um mês, por toda a vida.
Nem todo mundo tem seu preço. Nem todo mundo gosta de ser descartado feito um copo plástico. Nem todo mundo gosta de servir como estepe. Nem todo mundo tem rótulo. Nem todo mundo aceita ser tratado assim.

E eu, sou uma delas. Por mais que eu faça, ainda não consegui evitar ser um imã que atrai 95% de pessoas filhas da puta. A minha sorte é que as 5% restantes compensam toda a filha da putice que acontece.
Aos 5% - e vocês sabem quem são – Meu muito obrigada. Vocês são meus pilares.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu quero viver no mundo de Alice

Continuando o tema do post anterior, ou seja, conto de fadas. Se bem que eu não tenho muita certeza se Alice no País das Maravilhas pode ser considerado um conto de fadas; pelo menos eu não o consideraria, já que não tem aquela baboseira de happy after ever, muito menos de príncipe encantado, etc. e tal. Se alguém quiser corrigir a informação, fique a vontade.
Mas, como a vida não é um conto de fadas, vou levar em consideração que Alice no País das Maravilhas não é um conto de fadas; muito porque eu estaria caindo em contradição dizendo que queria viver no mundo de Alice.
Anyway, vamos para de divagar e ir direto ao o que interessa.
Alice no País das Maravilhas certamente é o único conto infantil que ainda me fascina. Primeiro porque ele não faz sentido algum. Muitos já tentaram decifrar o que Lewis Carroll tentou dizer e ninguém ainda chegou a conclusão alguma. Ou seja, temo eu dizer que Alice no País das Maravilhas é LSD total, só pode ser.
Bom geralmente eu uso a expressão “Viver no mundo de Alice” para designar pessoas que vivem fora da realidade, ou seja, estão em uma terceira dimensão, realidade paralela e não conseguem se libertar dessa ficção.
Explicando melhor: são pessoas que acham que a vida é um conto de fadas, uma comédia romântica ou o enredo da novela das 8. Preferem viver a mentira, viver em um mundinho só delas, com medo de encarar a realidade e o mundo real. São pessoas que escolheram cair dentro da toca do coelho e viver lá para sempre. Para saber mais, leia o post abaixo desse, ou clique aqui.
Mas, não é por isso que eu quero Viver no Mundo de Alice. Muito pelo contrário. Essa forma alienada de estar no mundo de Alice me abomina; espero eu nunca caia nesta toca do coelho; provavelmente é um caminho sem volta.
Eu quero Viver no Mundo de Alice, porque ali não tem conto de fadas; não é um mundo cor-de-rosa, é o mundo que mais se aproxima do mundo real. Ou seja, cheio de pessoas que não gostam de você, caminhos errados, tentações e incertezas. Cada decisão que Alice toma, afeta drasticamente sua vida.
Por isso eu gosto tanto de Alice no País das Maravilhas. É um conto fantasioso, mas sem toda a baboseira sentimentalista e muito menos sem a sensação ou a função de iludir as pessoas. Alice paga pela sua curiosidade e precisa sozinha descobrir um caminho para sair ilesa da toca do coelho.
Alice, apesar de pequena e sozinha, não se desespera. Ela tenta encontrar sozinha – e com ajuda de seres para lá de estranhos, complicados, confusos e mentirosos, a saída para a confusão que caiu – literalmente falando. Uma das coisas que eu mais gosto em Alice no País das Maravilhas se forem comparar com outros contos: ela não espera que alguém a salve, ela mesma sabe que precisa sair de lá, sozinha.
E o principal de tudo, Alice no País das Maravilhas mostra, no final, que Alice sabia que aquilo não era realidade; que a vida era outra, chata e monótona como sempre. Ela se perdeu por alguns momentos em um mundo diferente, mas não pretendia ficar presa ali por muito tempo; tinha consciência de que deveria voltar para a realidade, por pior que ela seja.
É por isso que eu quero Viver no Mundo de Alice. Primeiro, porque toda a história tem um final – e invariavelmente sabemos como essa história terminará antes mesmo dela estar no meio. É claro, que até eu que sou mais boba gostaria de, pelo menos ter uma leve noção de como seria a minha vida; escapar um pouco do Murph faz bem para a saúde.
Segundo porque é um mundo mais cruel – ou tão cruel quanto o mundo real. A realidade não é cor-de-rosa, onde podemos sentar e esperar até que um príncipe ou um protagonista de comédia romântica venha nos salvar. Se você não levantar a bunda da cadeira, nada vai cair do céu, muito pelo contrário, já que quanto mais parado você ficar, mais chances de ficar preso no mundo de Alice você estará.

Eu queria Viver no Mundo de Alice para brincar de “fora da realidade” por alguns instantes e saber que eu posso voltar ao mundo real são e salva; de poder saber como certas coisas irão terminar; para ter um script a seguir e saber que alguém escreveu um final decente – não disse feliz, muito menos happy after ever. Eu queria ser Alice.

E para quem quiser ler: Alice no País das Maravilhas

PS: Ainda não consegui assistir ao filme. Não sei o que Tim Burton aprontou e tenho medo de saber. Prometo fazer uma resenha quando tiver a chance de assistir. Ou seja, a foto do Johnny Depp é apenas para embelezar o texto.

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