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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Memórias apagadas

Nem me lembrava mais deste texto - assim como outros tantos que escrevi na faculdade. Aos poucos vou resgatando.


Imagine entrar numa máquina do tempo e voltar na época das ferrovias, e fazer uma viagem de trem até Santos, como seria?
“Sábado, 7 horas e 30 minutos. No pátio da estação da Luz o chefe de manobras faz soar longamente o apito. Um solavanco percorre seis velhos vagões de madeira. É o anúncio da hora da partida para cerca de 400 passageiros que, dali a alguns minutos, descerão os 800 metros da Serra do Mar em um trem sustentado apenas por um cabo de aço.”, conta o ex-funcionário da linha, Waldemar Iotti.
Serão duas horas para chegar a Santos pela Estrada de Ferro Santos a Jundiaí (EFSJ), meia hora a mais do que gasta um ônibus, na mesma viagem. Conseguiu imaginar esse trajeto?
Pois é, há alguns anos isso era mais do que comum para a população, qualquer viagem era feita de trem. E isso não significava desconforto, significava luxo, comodidade.
Quem trabalhava na ferrovia também vivia essa época áurea. Um exemplo fácil de perceber: “era só chegar à loja e mostrar a folha de pagamento da ferrovia, conseguia crédito e status na hora”, diz, Elisabete Aparecida Iotti, filha de um dos ex-funcionários.
Tudo começou em 1862 e 19867, quando a São Paulo Railway ou popularmente "Ingleza" - foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista. Tinha inicialmente como um de seus maiores acionistas o Barão de Mauá. Ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muitos anos o café e outras mercadorias, além de passageiros de forma monopolística do interior para o porto, sendo um verdadeiro funil que atravessava a cidade de São Paulo de norte a sul. Em 1946, com o final da concessão governamental, passou a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997.
"Nunca me esqueço e tenho saudade de quando eu era pequena e nossa família pegava o trem na estação ferroviária de Jundiaí. Íamos em direção a São Paulo ou Santos. Quando o trem parava na estação, meu pai nos pegava no colo (eu e minha irmã) e nos colocava dentro do trem através da janela. Virávamos os bancos e nos sentávamos de frente. Era maravilhoso e divertido ver as paisagens, passar pelos túneis.....descer a serra do mar até Santos era divino e assustador devido à altura. Não dá para acreditar que não temos mais nossos trens de passageiros circulando. É muito triste" (Marisa Franchi).
Infelizmente a lembrança é tudo o que resta para a população que viveu os momentos de glamour das ferrovias. Hoje elas estão sucateadas. A população usa raramente, porque os vagões estão mal conservados, não há segurança. Para quem trabalhou na FEPASA, “é triste ver que um meio de transporte rápido e seguro, não seja mais usado para nada.”, relata o ex-funcionário.

Voltando aos dias atuais. Se for pensar em uma viagem de trem agora, em 2008: “São seis e meia da manhã, a composição vitima de vandalismo está apinhada. Por R$2,40 as pessoa vão de Jundiaí à São Paulo (estação da Luz). Os vagões estão sujos, e há venda de alimentos e são encontrados mendigos por todo o lado. Paramos em Francisco Morato para fazer a baldeação. O Trem está mais do que super lotado. Duas horas praticamente até chegar à estação da Luz... isso se não acontecer nenhum imprevisto no meio do caminho.”. Será que esses passageiros gostariam de voltar à década de 50?






Vivian Lourenço

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu quero viver no mundo de Alice

Continuando o tema do post anterior, ou seja, conto de fadas. Se bem que eu não tenho muita certeza se Alice no País das Maravilhas pode ser considerado um conto de fadas; pelo menos eu não o consideraria, já que não tem aquela baboseira de happy after ever, muito menos de príncipe encantado, etc. e tal. Se alguém quiser corrigir a informação, fique a vontade.
Mas, como a vida não é um conto de fadas, vou levar em consideração que Alice no País das Maravilhas não é um conto de fadas; muito porque eu estaria caindo em contradição dizendo que queria viver no mundo de Alice.
Anyway, vamos para de divagar e ir direto ao o que interessa.
Alice no País das Maravilhas certamente é o único conto infantil que ainda me fascina. Primeiro porque ele não faz sentido algum. Muitos já tentaram decifrar o que Lewis Carroll tentou dizer e ninguém ainda chegou a conclusão alguma. Ou seja, temo eu dizer que Alice no País das Maravilhas é LSD total, só pode ser.
Bom geralmente eu uso a expressão “Viver no mundo de Alice” para designar pessoas que vivem fora da realidade, ou seja, estão em uma terceira dimensão, realidade paralela e não conseguem se libertar dessa ficção.
Explicando melhor: são pessoas que acham que a vida é um conto de fadas, uma comédia romântica ou o enredo da novela das 8. Preferem viver a mentira, viver em um mundinho só delas, com medo de encarar a realidade e o mundo real. São pessoas que escolheram cair dentro da toca do coelho e viver lá para sempre. Para saber mais, leia o post abaixo desse, ou clique aqui.
Mas, não é por isso que eu quero Viver no Mundo de Alice. Muito pelo contrário. Essa forma alienada de estar no mundo de Alice me abomina; espero eu nunca caia nesta toca do coelho; provavelmente é um caminho sem volta.
Eu quero Viver no Mundo de Alice, porque ali não tem conto de fadas; não é um mundo cor-de-rosa, é o mundo que mais se aproxima do mundo real. Ou seja, cheio de pessoas que não gostam de você, caminhos errados, tentações e incertezas. Cada decisão que Alice toma, afeta drasticamente sua vida.
Por isso eu gosto tanto de Alice no País das Maravilhas. É um conto fantasioso, mas sem toda a baboseira sentimentalista e muito menos sem a sensação ou a função de iludir as pessoas. Alice paga pela sua curiosidade e precisa sozinha descobrir um caminho para sair ilesa da toca do coelho.
Alice, apesar de pequena e sozinha, não se desespera. Ela tenta encontrar sozinha – e com ajuda de seres para lá de estranhos, complicados, confusos e mentirosos, a saída para a confusão que caiu – literalmente falando. Uma das coisas que eu mais gosto em Alice no País das Maravilhas se forem comparar com outros contos: ela não espera que alguém a salve, ela mesma sabe que precisa sair de lá, sozinha.
E o principal de tudo, Alice no País das Maravilhas mostra, no final, que Alice sabia que aquilo não era realidade; que a vida era outra, chata e monótona como sempre. Ela se perdeu por alguns momentos em um mundo diferente, mas não pretendia ficar presa ali por muito tempo; tinha consciência de que deveria voltar para a realidade, por pior que ela seja.
É por isso que eu quero Viver no Mundo de Alice. Primeiro, porque toda a história tem um final – e invariavelmente sabemos como essa história terminará antes mesmo dela estar no meio. É claro, que até eu que sou mais boba gostaria de, pelo menos ter uma leve noção de como seria a minha vida; escapar um pouco do Murph faz bem para a saúde.
Segundo porque é um mundo mais cruel – ou tão cruel quanto o mundo real. A realidade não é cor-de-rosa, onde podemos sentar e esperar até que um príncipe ou um protagonista de comédia romântica venha nos salvar. Se você não levantar a bunda da cadeira, nada vai cair do céu, muito pelo contrário, já que quanto mais parado você ficar, mais chances de ficar preso no mundo de Alice você estará.

Eu queria Viver no Mundo de Alice para brincar de “fora da realidade” por alguns instantes e saber que eu posso voltar ao mundo real são e salva; de poder saber como certas coisas irão terminar; para ter um script a seguir e saber que alguém escreveu um final decente – não disse feliz, muito menos happy after ever. Eu queria ser Alice.

E para quem quiser ler: Alice no País das Maravilhas

PS: Ainda não consegui assistir ao filme. Não sei o que Tim Burton aprontou e tenho medo de saber. Prometo fazer uma resenha quando tiver a chance de assistir. Ou seja, a foto do Johnny Depp é apenas para embelezar o texto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Vida de Jornalista parte I

Peripércias em uma terra desconhecida.
Cá estou eu, no meu primeiro trabalho pós faculdade. Responsabilidade de fazer o fechamento de uma revista sozinha. Ou seja, escrevi, editei, fiz pautas tudo ao meu bel prazer. Medo, sério. Acabei de sair da faculdade e já tenho essa responsabilidade.
Mas graças às aulas muito bem aproveitadas (ou não) eu estou me saindo bem e estou orgulhosa do meu trabalho (afinal se eu não estiver, quem estará?). Parte de construção, decoração e afins, eu confesso que nunca foi meu forte, mas não dá para escolher, concordam? E como eu tenho o pensamento de que se é para fazer algo, faça bem feito; estou me esforçando ao máximo. Vai saber o que me espera ou quem lerá essa revista.

Vamos ao que interessa. Quinta-feira passada eu fui para a sede da editora, em Jarinu, interior de São Paulo. Nunca tinha ido para lá antes, só passei nos limites da cidade quando fui para o litoral norte ou Aparecida do Norte. Peguei o ônibus as 7 da matina. São 50 minutos de viagem. Agora observa bem o que eu vou escrever.
Nesse mesmo tempo eu vou de Jundiaí para São Paulo de Cometa, com ar condicionado e banco confortável. Ok, o Comenta custa R$ 9,00 e o para Jarinu só R$2,60. Outra coisa: Para andar dentro de Jundiaí, eu gasto R$2,50, horas de estresse esperando ônibus que não chega no horário. Sentiram o drama? Compensa mais ir para Jarinu do que andar dentro de Jundiaí. Fica a dica senhor Prefeito de Jundiaí, sim você, possuidor do maior número de cassações ever!
Sem contar que o ônibus morria toda a vez de parar em algum ponto. Não sabia se eu dava risada ou se rezava. Como dar risada é mais prático, eu ri.

Dia andou bem, tirando o fato de a chuva ter derrubado a internet à rádio. Veja minha situação: No fim do mundo e sem comunicação! Desespero total. A notícia boa ficou por parte de que a Feiccad nos disponibilizou finalmente um stand para a feira. Lá vou eu trabalhar na feira por 4 dias! Bom, assim mais gente vê o meu trabalho, certo?
Eu e o diagramador ficamos até mais tarde para adiantar as coisas e o que acontece? Perdemos o ônibus das 20:00, ele saiu adiantado. Mas que raio de ônibus intermunicipal sai adiantado? Ah se eu pego esse motorista.
Fomos até a praça para ver se conseguíamos um taxi, mas cadê? Não tem taxi em Jarinu. Pasmem, acho que os motoristas terminam o expediente as 17:00.
Solução: Eu que não ia ficar presa lá até as 22:00 quando saia o último ônibus. Liguei e solicitei resgate (que se perdeu, só para variar um pouco).

Na sexta-feira tudo ocorreu bem até, fui embora cedo para não perder o ônibus. E por incrível que pareça, Jundiaí faz muito mais frio do que Jarinu. Eu moro na roça mesmo.


Impressões sobre Jarinu: Cidade bonita, o centro inteiro é do tamanho da praça da Sé em São Paulo (só a parte da igreja galera). Dizem quem nos finais de semana o pessoal e a molecada se reúne na praça. Eu me senti naqueles filmes velhos sabem?! E eu reclamo de Jundiaí. Reclamo mesmo... eu poderia morar em São Paulo (revoltada modo off).

PS¹: Meu Deus, na sexta-feira, na volta passei pela Av. 9 de julho com o ônibus e vi uma cena vergonhosa: Fila quilométrica para entrar no recém inaugurado Burger King. Jundiaienses, vocês me envergonham. Fico imaginando quando abrir o Iguatemi, se é que vai abrir. A prefeitura não quer ceder o terreno.

PS²: Obrigado a todos que deixaram recado no meu twitter falando no blog! Minha responsabilidade está aumentando!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

20º Bienal Internacional do Livro







Sim senhoras e senhores. Começou. A maior feira do livro começou. E claro que alguém que devora livros, como euzinha, não poderia deixar de ir. Balanço? Hum... leia


Um pequeno resumo do que é a feira:



"A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece entre os dias 14 e 24 de agosto, no pavilhão do Anhembi, traz uma homenagem ao Japão. O mote é o centenário da imigração japonesa, com palestras e lançamentos de livros relacionados ao tema. Quem for à feira encontrará livros de fotografia, de sociologia e antropologia, obras sobre a história da imigração japonesa no Brasil, a história do Japão e sobre artes, entre outros. Para as crianças, há opções de livros ilustrados e com lendas tradicionais. Outra oportunidade é conhecer mais sobre ética e filosofia nipônicas, por meio de lançamentos como “A Ética Budista e o Espírito Econômico do Japão”. O livro se aproxima mais de uma auto-ajuda do que um tratado acadêmico, tal qual fez o autor alemão Max Weber (1864-1920) sobre a ética protestante. “Moderna Cozinha Japonesa” também será lançado na Bienal e mostra a culinária moderna e tradicional daquele país oriental. Arnaldo Lorençato, crítico de gastronomia, escreve um capítulo inteiro sobre o desenvolvimento das comidas típicas do Japão no Brasil. A 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paul conta com 350 expositores nacionais e estrangeiros nos 60 mil m² do pavilhão do Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209) representando mais de 900 selos editoriais. O evento é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), sendo um dos maiores do mundo, ao lado da Feira de Frankfurt, e acontece entre os dias 14 e 24 de agosto, das 10 às 22 horas. Preços entre R$5,00 e R$10,00. "





Nunca imaginei que fosse tão fácil ir para lá. Descemos na Rodoviária do Tietê, pegamos o translado gratuíto (poxa, vendo assim, nem parece Brasil) e em menos de 10 minutos da nossa chegada a rodoviária estávamos dentro da Bienal. E por onde começar?


São tantos corredores, tantas opções, tantas pessoas... Que até dá para ficar tonto. Livros de todos os jeitos, os mais vistos (e baratos) eram os de auto-ajuda. Uma boa pedida para quem gosta.


Infelizmente achei o preço dos livros caros demais. Só salvou o stander do Sebo do Messias que achamos por lá, livros novos (praticamente) por R$ 6,00, R$ 15,00. Livros do Harry Potter por apenas R$ 20,00. Por isso que eu sempre amei sebos. Tudo o que você quiser levar por uma quantia mínima. Falando nisso preciso visitar de novo esse sebo, muito bom.


Vasculhando bem dá até para encontrar títulos interessantes por R$ 10,00. Pra quem gosta de ler, sempre é bom explorar novos assuntos e autores.


E o show a parte de livros imensos com poemas de autores brasileiros, bonecos gigantes do Hulk. Um banquete para os olhos.



Ah, e como falar de Bienal sem falar de São Paulo. Como eu adoro essa cidade. Me sinto melhor nela do que na minha terra natal. Tudo tão fácil, pessoas tão legais. Homens bonitos (só para variar um pouco).



O fato engraçado do dia fica para mim, é clarooooo.


Saindo da Bienal encontramos algumas pessoas vendendo revistas para ajudar na formatura. Eis que um deles, insistindo muito e vendo que eu só negava, começa a correr atrás de mim gritando: "então me leva pra casa com você". Eu falei: "Mas eu nem moro aqui" e ele:"num tem problema, me leva pra casa com você".


Pois é, vou falar o que? Bom, é melhor eu não falar nada mesmo.

PS: Putz, andar tudo aquilo lá cansa...

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