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domingo, 23 de setembro de 2012

Não vai passar...

— Sabe o que é bom nos corações partidos? — Perguntou a bibliotecária.
Neguei.
 — É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões.
                                                                                       O Jogo do Anjo
 
 
Lembra quando você caia e sua mãe dizia para não se preocupar que iria passar? Ou quando você chegou em casa chorando porque aquela sua paquera da escola estava dando bola para outra? Pois é, tudo isso vai passar. E passa mesmo, depois de um tempo você nem lembra mais que um dia sofreu por isso. Ou melhor, até lembra e sente uma certa vergonha.
Com o tempo a gente vai aprendendo e descobre por quais pessoas e sentimentos vale a pena entrar no fogo. É claro que o que parece certo em um dia, pode desmoronar no outro; mas a maturidade ensina muito, e os tombos do passado já não doem tanto e o que fica é o aprendizado.
O tempo é aliado, mas também é um problema. Do mesmo modo que ele te ajuda a aprender e a superar, ele também te cansa. Com o tempo você vai descobrindo que nem sempre “vai passar”, porque chega uma hora que você mesmo não quer que passe.
Chega uma hora que você fica cansado de tentar e começa a perceber que se as coisas deram errado, mais uma vez, só há uma explicação. O fato é que, nem sempre o problema são os outros. O problema, de vez em quando, pode ser a gente.
Uma hora você cansa de levantar, cansa de tentar, cansa de se curar. Decide que é hora de ficar ali, com o joelho ralado, no chão. Vai ser muito melhor do que levantar e partir de novo para a luta; você sabe que vai cair de novo e não vai aguentar a queda.
Assim funciona também pros corações partidos. Eles suportam mais do que deveriam, e a culpa é toda nossa. Ficamos com esse pensamento tolo de “só mais essa vez, tenho certeza de que vai ser diferente”. Ah, quanto egoísmo com esse pobre músculo pulsante.
E igual das outras vezes, você gasta tempo, dedicação e faz de tudo para ajudar. E o que recebe em troca? Absolutamente nada; ou melhor, ganha sim, um monte de disparates no meio da cara, que fazem você parecer o animal mais imundo, baixo e desprezível da face da terra.
Mais uma vez é igual; o mesmo final se repete. E você começa a se achar culpado disso tudo: como não achar, não é? Te pintam tanto como monstro, colocam essa ideia na sua mente que você começa a acreditar. E se eu for mesmo assim; se eu for mesmo a errada, sempre, o tempo todo? Acho que nasci assim... e quem garante que não?
E quando você pensa que vai passar que consegue virar a página (mais uma vez, são tantas que até perdeu a conta), mais coisas começam a aparecer; o que te faz sentir mais culpada ainda. Pois é, dessa vez não vai passar; você não quer que passe, e quem pode te culpar por isso?
Não, não vai passar. Não dessa vez; o estrago foi maior e você está cansada. Nem tudo passa e é normal. Anda difícil viver nesse mundo, onde as pessoas são tão egoístas que só sabem forçar as suas vontades como se o outro não existisse.
De pessoas que não se importam em saber se você está vivo, morto, bem, mal; não querem dividir a vida, querem apenas jogar seus problemas nos nossos ombros para que a gente resolva. Depois que a vida deles melhora, fica fácil jogar a gente no lixo; pior ainda, fazer com que a culpa seja toda nossa.

É... não vai passar... não dessa vez...

terça-feira, 24 de julho de 2012

E vale a pena?

Hoje eu estava sentada na minha mesa na redação, olhando o pôr-do-sol quando me bateu uma dúvida, e até mesmo uma tristeza. Aquela cena tão linda e eu ali, presa as obrigações do dia-a-dia.
Não que eu não goste do meu trabalho, muito pelo contrário, não poderia ser mais feliz e realizada naquilo que eu faço, e certamente acertei em cheio na profissão que escolhi para o resto da minha vida.
Mas o que eu faço com essa vontade de viver lá fora? De conhecer tudo o que há para conhecer, de saber se o pôr-do-sol em Jundiaí é igual ao do Egito? De viver livre, de fazer o que tem vontade. O que eu faço?
Então porque isso tudo? Pois é, nem eu sei bem... só me lembro dessa inundação de pensamentos na mente naquela tarde ensolarada e amena – apesar de ser inverno. Comecei a lembrar de tudo o que já tinha planejado pra minha vida e que até agora, nem ¼ havia se concretizado. E provavelmente, o resto nunca se tornará realidade.
Então fui desistindo. Primeiro, desisti de tentar agradar todo mundo, depois desisti de encontrar alguém, mais tarde, desisti de ser reconhecida pelo meu trabalho. Engraçado é, que de tudo isso que eu desisti, e eu acho que é exatamente por ter desistido, que elas tinham acontecido.
Quando parei de tentar agradar todo mundo percebi que não fiquei sozinha, como eu temia, mas sim rodeada de pessoas que realmente se importavam comigo. E isso me surpreendeu.
Então eu desisti, depois de inúmeras tentativas falhas, de encontrar alguém. Já estava conformada em passar o resto dos meus dias em um apartamento velho, rodeada de gatos e sendo o motivo pelo qual as crianças tinham medo. E foi ai que veio a surpresa número dois. Não é que apareceu alguém?! É claro que isso não significa que não vou passar o resto da minha vida sozinha, mas já é um vagalume no fim do túnel.
Ai eu desisti de ser reconhecida. Pois bem, nessa parte não tem surpresa nenhuma, já que isso eu ainda não sou mesmo. Salvo uns três e-mails e apenas uma ligação, nunca vi ninguém me elogiando ou agradecendo pelas minhas matérias. E sim, eu estou contando os parentes, que nem sabem que eu trabalho em um jornal e a outra metade faz questão de não tocar no jornal que trabalho.
Mas, apesar de ter desistido de algumas coisas, que acabaram acontecendo, aquele pôr-do-sol me fez refletir: “E vale a pena?”. Será que vale a pena mesmo tanto sacrifício?
Será que no fim todo esse sacrifício vale a pena? Ver a vida pela janela é realmente viver? Ficar aguentando, apenas por educação, quem não suportamos vale do que?
Na hora pode parecer a única saída, mas e daqui 40 anos, como você vai olhar para trás e ver sua vida? Todo esse esforço te terá levado a qual lugar? Passamos metade da nossa vida trabalhando, enfurnados em um ambiente para acumular riqueza e não tempo nenhum para aproveitar a vida.
E quando temos tempo, vamos ter saúde para aproveitar o dinheiro acumulado? Não faz sentido viver assim; viver com medo, sempre adiando tudo o que aparece. Ninguém arrisca mais, tudo pende sempre para o lado do comodismo.
Você vive guardando frases que gostaria de ter dito; olhares que teria dado; passos que o levariam certamente em outra direção, e se ela é melhor ou pior, agora você nunca saberá.
Vai passar a vida vivendo com medo do que as pessoas vão achar de você; com medo de nunca ninguém achar nada em você. Vale a pena passar a vida agradando as pessoas, acumulando dinheiro e sem viver?
E no final, vale a pena?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Encontros, desencontros e o que ficou

      Depois de um longo e tenebroso inverno (who cares anyway?), achei coragem e paciência para voltar a escrever aqui. Além da falta de tempo dos últimos meses com a troca de emprego e o acerto do novo, que com muito prazer lhes informo que é o trabalho que eu amo, fui acometida por uma grave síndrome do patinho feio, que persiste em me perturbar já faz alguns meses e me faz odiar todos os espelhos que eu encontro pela frente. Mas sobre isso eu já disse aqui, então, vamos para a novidade.
       Agora, 23h48 de uma sexta-feira, terminei de assistir o filme “Um Dia” (One Day – 2011). Para quem não assistiu (melhor passar para o próximo parágrafo, não diga que eu não avisei), o filme conta a história de Dexter e Emma, que se conheceram na noite em que eles se formaram, na Universidade de Edimburgo em 1988, e concordaram em manter a amizade e visitar um ao outro na mesma data todos os anos para ver como estão suas vidas. Embora ambos passem por diversos envolvimentos românticos, eles têm uma ligação especial que não conseguem explicar.
Na verdade só consegui me emocionar no filme quando ele sobe a colina com a filha, mas enfim, eu sempre tive a fama de ser um pouco insensível mesmo, então eu não esperaria muito de mim.
Encontros, reencontros e o que ficou. Afinal, não é disso que a vida é feita? Queria realmente ouvir a história de uma pessoa que conheceu alguém e nunca mais, em momento algum dos 77 anos (segundo o IBGE) que uma pessoa pode viver, a reencontrou, ao menos por alguns segundos.
A coisa que mais vai acontecer na sua vida é reencontrar pessoas. Por menos que você queira ver fulano ou ciclano pintado de ouro na sua frente, ele(a) vai voltar para a sua vida, mais cedo ou mais tarde.
E não pense que são somente os outros, os que chamamos de carma (ok, nem todos, pois a maioria, “leia-se eu” pelo menos, fico bem feliz quando voltam a fazer parte da minha vida), que voltam para nós. Inconscientemente, ou não, eu, você, ela, ele, o vizinho, o amigo, também acabam voltando para a vida de alguém.
Ou, há casos que, simplesmente, não queremos sair. Existe muita gente, que eu sei, que eu deveria ter me afastado faz anos, mas por algum motivo não consigo. O que chega a ser algo meio kamikaze, já que é uma relação autodestrutiva.  Por mais que eu queira, espere, briga, xingue, trate bem ou ame, a pessoa nunca mudará.
Até porque, se fosse mudar, depois de todos esses anos, já o teria feito. É triste, enfim, é algo que eu sinto que devo fazer. E provavelmente nunca me acrescentará em nada, além de alguns socos no estômago e o fim do pouco de autoestima que ainda me resta (acho que isso, nem tenho mais).
Em contrapartida, há muitas surpresas acontecendo. Muita gente que eu pensei que nunca mais viria na vida reapareceu. Ligou, acertou o que tinha se partido. Mas alguns até mesmo nem precisaram dizer nada; já se passou tanto tempo que a culpa fica na imaturidade da adolescência.
E provavelmente muitas besteiras serão feitas. Muitas palavras idiotas serão ditas e muitas brigas serão travadas. Mas enquanto as pessoas tiverem a consciência de que não são somente elas (e eu generalizo e me incluo nesse bolo todo) que tem razão, os encontros e desencontros continuarão acontecendo. Encontros amorosos ou de amizade.
Aliás, as relações de amizade me chamam mais a atenção do que os reencontros amorosos. Muita gente se esquece do que os outros fazem, e na hora da raiva, acabam falando besteiras, para quem não deve. É triste, mas todo mundo sabe que 90% das pessoas que estão do seu lado só te tratam bem quando precisam de um favor. Por isso, saiba distinguir quem são os 10% e cuide bem. Tem gente que olha tanto para dentro de si mesmo, que provavelmente um dia irá virar do avesso.

As pessoas descartam umas as outras com grande facilidade. É complicado, difícil você ver alguém cabisbaixo e ter a dignidade de perguntar o que acontece. Ou lembrar-se de fazer um convite, antes que pareça forçado. Lembrem-se de que os reencontros sempre acontecem, e é impossível estar por cima sempre.
         Porém, quem sabe, de tudo isso, não sobre algo bom. Algo que deveria ficar marcado e apagará tudo o que de ruim aconteceu. Afinal, o que importa é o hoje. O amanhã está muito longe e ninguém nos garante que vamos conseguir chegar tão longe.
Eu, que não sei praticamente nada da vida, dou um conselho. Pare, pense e olhe a sua volta: Olhe para todo mundo que convive com você. Preste atenção como você trata as pessoas; uma brincadeira pode magoar e uma palavra áspera sem sentido, ferir.
Entre esses encontros e reencontros, tente fazer o melhor para que, um dia, quem sabe, você possa subir uma colina e encontrar lá no topo só momentos bons.



Um dia...
Um dia, quem sabe, eu te encontre.
Um dia, quem sabe, em uma distração qualquer do destino, você esteja no mesmo lugar que eu estarei, no mesmo minuto.
Um dia, quem sabe, você pare de olhar através de mim, e me enxergue realmente.
Um dia, quem sabe, você vai prestar atenção no som da minha voz.
Um dia, quem sabe, você vai confiar a mim, algo que ninguém nunca sonhou em saber.
Um dia, quem sabe, você vai pegar na minha mão. Só pela sensação de que eu não irei a lugar nenhum sem você.
Um dia, quem sabe, você vai querer passar a noite toda acordado, conversando e rindo.
Um dia, quem sabe, você não vai querer fazer planos comigo. Pois o amanhã demora muito, e o presente é mais urgente.
Um dia, quem sabe, eu vou olhar para você e me perguntar porque você demorou tanto.
Um dia, quem sabe, você fará toda essa espera valer a pena.
Um dia, quem sabe, isso não pareça apenas palavras.
Um dia, quem sabe, isso não seja apenas enredo de um filme.
Um dia, quem sabe, algo real aconteça.
Um dia, quem sabe, você me cure.
Um dia, quem sabe, eu conheça essa sensação de felicidade.
Um dia.... Quem sabe... Um dia!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eh saudades...


Hoje, dia 30 de janeiro é dia da saudade.

E por acaso saudades lá tem dia certo pra aparecer?

Saudades não tem dia, não tem hora, lugar ou pessoa. Saudade a gente sente. É aquilo que dói e a gente não sabe explicar. É a tristeza repentina. É o brilho do saudosismo no olho.

É aquela lágrima involuntária que cai, sem a gente perceber. É o filme dos melhores momentos da nossa vida, que do nada aparece na nossa frente. É aquela cara de "ué" que a gente faz quando sente falta de alguém que nem lembrava mais.

É o sorriso no canto da boca que se abre quando você lembra de algo. É o sorriso escancarado que se abre quando alguém fala o nome. É a felicidade da criança interior e do "eu lembro!" quando alguém fala algo da infância.

É a vontade de abraçar, de estar perto novamente; de atravessar o mundo pra que isso aconteça. É desejar ter aproveitado melhor o tempo, ter abraçado, beijado, andado de mãos dadas e dito: "Eu te amo". É a falta dos ensinamentos, do orgulho estampado no rosto de outrem, sem que ele peça na da em troca.

É o vazio, que dói no fundo do estômago ao lembrar de quem já não está mais nesse mundo, mas que, lá de cima, ainda cuida da gente. É fazer as coisas pensando em: "nossa, ele(a) ia se orgulhar de mim".

É o choro do abandono. É o molhar o travesseiro de lágrimas porque alguém não lembra mais de você. É o orgulho ferido em não admitir: "Vem cá seu (sua) idiota, eu gosto de você".

É querer voltar a ser criança, voltar a escola, voltar a brincar. É assumir que cresceu rápido demais. É não querer mais as responsabilidades de gente grande. É querer que "gente grande" volte a ser criança.

É querer as melhores amigas(os) por perto sempre. É relembrar de tudo o que já fizeram juntos e rir sozinho, andando na rua de cada momento e desejar que tudo voltasse, pelo menos mais uma vez.

É o não conseguir respirar quando a mensagem que chega não é dele(a). É a frustração de procurar em todos os cantos e não achar; de querer encontrar, tocar, abraçar e só em um olhar resolver tudo... Ah matar as saudades...

É ficar horas e horas pensando nos momentos, relembrando diálogos, abraços, passeios, beijos e olhares. É abrir aquele sorriso bobo na música favorita. É fazer cara de idiota quando ele(a) passa, te vê, mas não te enxerga.

É querer fazer tudo de novo; fazer tudo novo. É pedir perdão, assumir a saudades e todo o sentimento que fica guardado, transborda e não cabe na gente. É o momento que a gente pensa: "E se eu tivesse feito diferente? Se eu tivesse dito que gostava dele(a)? E se? E se?"... A saudade e os "e se" da vida.

É olhar para trás e dizer: Valeu a pena. É olhar as pessoas e saber: Você marcou a minha vida, não saia dela nunca mais; volte de vez em quando, que você será bem vindo.

Eh saudades... Você nos faz tão bem...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Hoje...


Eu, que já não tenho autoestima, acordei me sentindo um nada...
Aquele “nada” do sentido literal da palavra. Acordei me sentindo uma peça de lego, só que sem lugar para me encaixar...
Em cada ambiente que eu chegava, me sentia uma intrusa, como se não pertencesse a nenhum ambiente em que entrava. Aquela peça do quebra-cabeça perdido, que ninguém quer.
Acordei sentindo a sua falta... E aquelas poucas horas que você foi presente na minha vida, não como amigo, mas como alguém. E isso foi há tanto tempo. .. Ano após ano eu ainda espero você acordar e voltar a me enxergar. Será que você é meu destino? Será que um dia você vai acordar e se dar conta de que sou eu quem você procura? Acho que não. Após anos, isso já deveria ter acontecido.
E está ai outro problema. Muita gente me vê, mas não me enxerga. Vê só a menina com cara de ingênua e que se fecha a qualquer tentativa de aproximação. Ninguém enxerga as feridas que me fizeram, assim como ninguém consegue ver que a menina assustada só precisa de proteção.
Acordei achando que estou na profissão errada. Que nunca serei boa o bastante. Que ninguém nunca lerá o que eu escrevo e que nunca farei a diferença na vida de ninguém. O que é uma pena, porque ao que parece, jornalismo é a única coisa que sei fazer na vida.
Acordei me sentindo invisível. Não que isso seja tão ruim, já que eu odeio chamar atenção. Mas confesso, que mesmo assim, ando pelas ruas em busca de um olhar, nem que seja por um segundo, de alguém que note a minha presença.
E agora, está na hora de dormir. E acordar amanhã de novo, desejando que toda essa sensação desapareça e não passe de um sonho.
Mas, a única coisa que ainda será real é o fato de não ter ninguém pra me abraçar, olhar nos meus olhos e dizer: “Sua idiota, eu estou aqui. Tudo vai ficar bem”... Onde você está afinal?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Hoje em dia, o “para sempre” tornou-se “até a semana que vem”.

Você não é importante. Desculpa, mas alguém deveria te avisar. Agora respira, senta, fique calmo. Essa reação acontece com todo mundo. É um choque, mas você vai se recuperar, pode acreditar.
Vejo que já fechou a boca, recuperou a cor. Agora podemos começar a conversar. O choque inicial foi proposital, mas calma que isso não é o fim do mundo; apesar de que eu já achei que seria.
A gente se recupera. Lembra quando você era criança e caia sempre de joelhos? Pois é, doía, machucava, mas no fim você aprendeu o que tinha que fazer para não cair mais. Ou seja, não há aprendizado sem marcas.
Quando é criança, fica fácil aprender. Você cai, leva uma bronca e descobre que aquilo é ruim, que não deve mais ser feito. As crianças são inteligentes; a gente fica burro quando cresce, ou conforme vai crescendo.
Então você entra na adolescência e acha que é o rei do mundo. Pode fazer tudo, julgar todos e ser o bonzão do pedaço. Pensa que nada vai atingir então vem o segundo aprendizado: você não é um super-herói; ou seja, dar murro em ponta de faca e fingir que as coisas não acontecem tem o mesmo efeito de tomar um copo de suco para curar uma gripe.
É nesse momento que você começa a achar que as coisas são pra sempre: você escolhe sua profissão, planeja sua vida e escolhe alguém pra vida toda. Mas não é assim que as coisas acontecem.
Você tem caminhos a seguir: cada caminho te leva a um lugar diferente. E tem caminhos que você quer seguir, mas que te farão abrir mão de outras coisas. Isso se chama escolha; no fim o resultado pode ser o mesmo, mas isso não quer dizer que você tem que seguir pelo caminho que quiser sem sofrer as consequências.
Então você cresce mais um pouco e então muda tudo de novo. Você olha pra trás e aquilo que era importante naquela época não é mais. E começa a perceber que as pessoas só se importam com você quando lhe convém.
Mas não se sinta mal. O ser humano é assim mesmo. Ele é egoísta; egoísta do tipo: “venha ao meu reino, mas eu não vou ao seu”. Ou seja, nós queremos somente as coisas para nós, porque fazer para os outros iria contra nossos princípios.
Não há porque se sentir mal; todos somos egoístas: eu, você, a vizinha, sua mãe, seu pai, seu namorado(a), seu marido, sua esposa, sua (seu) amante... é algo que vem junto com o ser humano; quase um brinde.
Você gosta de alguém porque isso te faz bem. Você não quer deixar essa pessoa porque isso te magoaria; você não quer vê-la sofrendo não porque a queira bem, mas porque essa visão faria você sofrer.
Já parou pra pensar nisso? A gente sempre quer que as pessoas supram nossas necessidades, não nos magoem e sejam boas, lindas e harmoniosas na nossa vida. Mas você já percebeu que você não se esforça para que isso seja feito? O que eu quero dizer é que ficar ali parado esperando as pessoas te satisfazerem não conta, já que nem escravo faz isso; tudo é uma troca.
Do mesmo jeito que alguém se importa com você, é necessário que você demonstre de volta. Isto se chama reciprocidade. Não dá pra exigir algo que não se faz. É igual relação de trabalho: você não pode exigir ganhar bem se não faz nem metade do que deveria fazer.
Isso funciona pra tudo, amizade, relacionamento, trabalho, família. A gente exige e não para pra pensar que a outra pessoa ali não é um instrumento; um copinho de plástico que é descartado após o uso ou quando não serve mais.
Ou seja, aquilo que você achou que era pra sempre num dia, na semana seguinte não é mais. Você muda de opinião, ou não consegue deixar o egoísmo natural de lado. Ai fica complicado só dar e não receber. Quem aguentaria uma situação desses? Algumas aguentam, mas uma hora a ficha cai. Ai a história complica, meu amigo.
É claro que até eu que sou a mais boba das pessoas gostaria de ser mimada no esquema Unibanco: 30 horas por dia. Mas isso não é possível; o ser humano funciona no esquema de troca, escambo: dê algo e receba em troca. Igual carrinho de bate-bate: se ninguém bater em você, você não consegue atingir ninguém. Quer algo mais simples que isso, cara pálida?
Quanto mais cedo você perceber isso, mais fácil as coisas vão ser. Aliás, elas são fáceis, tão fáceis que como tudo que é fácil a gente precisa sempre complicar.
E também não faça essa cara de indignação: vocês sabem muito bem que o pra sempre de hoje é o até logo de amanhã. Basta saber como você dará esse até logo, ou se realmente quer um até logo; às vezes a gente só precisa acordar e ver que está errando.

Só não me peça para descobrir se neste caso é até semana que vem...


PS: A frase do título foi roubada do google. Não me mate, eu não sou assim tão criativa, mas vocês sabem disso.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ciclos


“Você está onde se põe. É a lei da vida. Se você se colocar em um lugar melhor, sua vida mudará e as coisas boas começarão a acontecer. A escolha está em suas mãos.”


Nunca gostei de comodismo. Ficar parado é perda de tempo, ainda mais quando não temos tempo suficiente para realizar tudo aquilo que gostaríamos.
E nessas idas e vindas da vida você vai conhecer todo tipo de pessoas: as boas, as ruins, as filhadaputa e aquelas que realmente gostam de você. Descobrir quem é quem nessa dança não é fácil.
É quase uma coisa de feeling, mas não é sempre que o feeling funciona ou que o radar apita. O bom é que cedo ou tarde (nunca tarde demais) você acaba descobrindo.
O segredo é nunca se arrepender do que fez. Vai, quebra a cara, mas tente. A sensação de imaginar como seria algo, saber que pode realizar e desistir é um dos piores sentimentos do mundo.

Encerro um ciclo para começar outro. Se vai ser bom, ruim, proveitoso eu não sei. Mas só tentando para saber.

domingo, 8 de maio de 2011

Entre a realidade e a ficção, você fica sem nada

11 em cada 10 pessoas que eu conversei nos últimos meses se queixam da mesma coisa: Relacionamento – de todos os níveis possíveis e imagináveis (amigos, família, amor). Pois é, parece que ter – e também manter um relacionamento ficou mil vezes mais difícil do que no tempo de nossos avôs.
Anda tudo muito fácil. Você quer sexo? Vai até uma balada que consegue fácil – por vezes basta jogar um charme na rodoviária, terminal, no trem, metrô ou em qualquer outro lugar. Você quer mulher nua? Ligue a TV a qualquer hora do dia ou da noite; e assim por diante. Tudo o que era proibido ou difícil de ser conseguido, virou mais fácil do que ir à padaria comprar um pão.
Ou seja, se a pessoa acha a meia dúzia que encontrou no caminho são fáceis (ou seja, ela conseguiu o que queria sem esforço algum), ela não vai procurar o que é difícil. E vai além: toma aquilo como regra: considera todas as pessoas da mesma maneira que as fulanas e fulanos que encontram por ai. E ai eu te pergunto: E são?
Mas o grande problema é que nem todo mundo é assim, graças a Darwin. Se você está acostumado ao fácil, não adianta querer forçar o mesmo com todo mundo, não vai rolar. As pessoas são foram feiras em série, elas têm suas particularidades e diferenças, físicas, emocionais e de pensamento.
É igual à famosa frase: “Mas você está solteira (o) e eu quero ficar com você, qual é o problema?” – algo do tipo: estou salvando sua vida, me agradeça. O problema é que eu tenho todo o direito de não querer; não é o fato de estar sozinha (ou na solteirice) que vai obrigar a 100% das pessoas a seguirem o mesmo padrão que algumas poucas seguem.
Você não é obrigada (o) a ficar com ninguém, nem manter um relacionamento falido só para não ser considerado sozinho (a) – o medo da solidão e da pressão da sociedade acabam transformando uma pessoa neste tipo de ser humano. Se as pessoas acostumaram-se a se tratar e serem tratadas feito lixo, nada te obriga a aceitar o mesmo. Muito pelo contrário: está mais do que na hora de mostrar que nem tudo é assim. Sucumbir a pressão não é o caminho; a não ser que você pretenda ter a mesma vida vazia e sem sentido que impera na sociedade.
Não adianta você sair por ai, cultuando aos 4 ventos que fulano ou sicrano da mídia são seu desejo de consumo ou seu amor eterno. Ok concordo que a mídia mexe com a cabeça dos menos desavisados e menos culto; achar alguém bonito e desejável é válido, quando acontece uma ou duas vezes, não adianta ficar falando incansavelmente disso, só vai afastar as pessoas.
Mas pense a situação de alguém que precisa se aproximar de alguém assim. A mídia cultua algo inalcançável, justamente para você se prender a ela; é um vício: se aparece alguém bonito hoje, amanhã aparecerá uma pessoa 200 vezes mais desejável. Mas isto é a realidade?
Não, não é. A realidade é aquela do dia a dia. As pessoas são bonitas do jeito que são; sem falsidade, sem maquiagem e sem máscaras. Não é apenas beleza física que faz alguém se ligar a outra pessoa. Há quem ache que começar uma conversa com: “nossa, você é bonita!” significa a porta de entrada para um motel, um quarto ou um relacionamento.
A mente humana pode até ser conquistada pela imagem, mas e quando a imagem atrapalha a conquista? Se você não esconde de ninguém que pessoa X, Y ou Z da mídia são seus “amores”, “lindas”, etc. e tal, como você espera que um reles mortal se aproxime de você?
É claro que tudo o que é falado atinge direta ou indiretamente uma pessoa. Incomoda-me muito esse culto ao exterior. Primeiro porque ninguém consegue ser artificial quanto um personagem e segundo porque esse é um modelo inalcançável então você nunca vai se contentar com outra pessoa. E acredite: a outra pessoa sabe disso; é como você namorar alguém e saber que ela tem várias amantes porque está apenas com você por dó – o que é bem comum atualmente.
É como uma pessoa da alta sociedade casar com um morador de rua e ficar falando 24 horas por dia que só está com ele por dó. É mais ou menos a mesma coisa. O mundo da Sociedade do Espetáculo envolveu tanto o ser humano, que ele não consegue mais ver o que é real e o que é ficção. A prova são as novelas e filmes: Tudo é fácil ali, então as pessoas pegam esse modelo como algo real e necessário para as próprias vidas. O problema é que elas não tem ideia da manipulação que sofrem e como fazem isso totalmente sem pensar e sem perceber; apenas copiam.
Tem a certeza de quem tudo o que está ali pode ser real; de que todo mundo aceita ser tratado da mesma maneira e de que tudo pode ser forçado através de algumas palavras vazias, máscaras e mentiras.
Você não tem mais o direito de dizer não; de escolher, de querer algo melhor. Tem que se contentar com a sobra, como se isso fosse caridade, uma forma de te tirar do limbo ou debaixo da ponte.
O que aconteceu com o respeito, a dedicação, carinho etc. e tal que havia em todo o relacionamento – amoroso, familiar ou de amizade – em um passado nem tão distante assim?
Tudo o que vejo são pessoas querendo tirar proveito; usando e jogando fora, descartando como se fosse uma folha de sulfite usada e sem utilidade. Tudo se tornou muito fácil e muito na mão que nada mais tem sentido; faz-se porque todo mundo faz. Tem-se porque é fácil conseguir em qualquer esquina e descarta-se porque ninguém mais se importa, já que volta ao ciclo inicial: você acha outra em outra esquina, usa, descarta e por ai vai. E você nem percebe como entrou nesse ciclo, e nem se preocupa em saber que está nele ou em querer sair do mesmo.
Até quando esbarra na realidade: A vida não é assim. Não precisa ser banalizada, nem descartada, muito menos irreal.
Se você conseguir ver a realidade, verá que aquele seu “amor eterno” pelo rosto bonito na TV não significa mais do que a solidão de quem impõe barreiras para qualquer outra pessoa mortal se aproximar.

Não sei onde isso vai parar. Mas digo que eu não me curvo e não aceito esse modelo de vida reinante.
Mudo de opinião, mas minha dignidade continua intacta. Posso estar certa, ou errada; e isso é uma coisa que nunca saberei.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pode voltar no tempo?

Se há uma coisa que eu adoro é ficar relembrando de coisas antigas. Fico horas a fio olhando fotos, relembrando momentos, brinquedos e brincadeiras da infância e adolescência.
Com a internet é muito mais fácil achar essas relíquias reunidas em um só lugar. E como é gostoso passar horas relembrando dos brinquedos, filmes, músicas e seriados que eram sucesso na nossa época – nossa, se você for um privilegiado de ter nascido nos anos 80, se não nasceu, só lamento por você ter perdido a melhor infância da face da terra. E não estou exagerando, provavelmente minha geração foi a última a ter realmente uma infância.
Comecei a ver esse site: “As Melhores Lembranças dos anos 80 e 90” e foi inevitável ver o sentimento de nostalgia aflorar. Que saudades daquele tempo! Como éramos tolos, crianças e até mesmo bobos – comparando com as crianças dos dias de hoje.
As roupas eram medonhas, os cabelos armados e as pessoas sem maldade. As crianças brincavam de pega-pega, as meninas e os meninos ainda nem queriam saber um do outro e todos os namoricos não passavam de algo platônico e de bilhetinhos trocados.
Silvio Santos apresentava “Em Nome do Amor”, um tipo de programa de encontro (coisa que o Rodrigo Faro faz hoje, só que acrescido de “putaria” digamos assim). Lua de Cristal era o filme brasileiro mais falado e assistido; Carrossel era a novela de maior sucesso e quem nunca quis participar da Porta da Esperança?
Nossa maior preocupação era colecionar as figurinhas dos álbuns – coladas com cola, nada adesivo. Ping-Pong, chocolate Surpresa, Copa do Mundo e até mesmo de novelas. Quanto jogar bafo para recuperar figurinhas ou completar álbuns.
Chocolate Surpresa, Turma da Mônica, chocolate Personalidades, bala 7Belo... tudo tinha um gosto particular e que não se acha mais em nenhum outro produto. Era a graça de comer e colecionar; e o mesmo vale ainda para o Kinder Ovo. Nessa época até pasta de dente era gostoso, quem nunca teve vontade de comer Tande? O sabor da época era, literalmente, outro.
E os brinquedos? A tecnologia mais avançada que eu conheci na minha infância foram o Atari (quem nunca assoprou a fita para conseguir jogar?) e o Pense Bem – um protótipo do laptop, com jogos educativos que vinham em um livro; o brinquedo mesmo só servia para marcar as respostas. Era um sucesso.
Sem falar nos jogos de tabuleiro, Pega-Peixe, Pega-Pulga, Banco Imobiliário, Fliperama de mão, aqua-play, fábrica de massinha, carrinho de controle remoto, carrinho bate e volta, mini-mercado... tantas coisas que nem dá para lembrar de uma vez só. Quem nunca brincou até a exaustão com tudo isso? E eram todos brinquedos educativos. Onde já se viu uma criança gostar tanto assim de algo que só vai ensinar? Minha geração foi assim.
Até com o brinquedo mais simples, como bambolê, pião, bolinha de gude, tazo, etc. tudo era motivo de festa. E cada novo brinquedo lançado, por menor tecnologia que tivesse era uma revolução. Lembro até hoje de ter uma boneca que andava de bicicleta e sozinha, com um controle remoto e várias pilhas.
E os relógios que trocavam a pulseira, cada dia com uma pulseira diferente. O relógio digital, o game-boy do tamanho de um iPod e o frenesi da época: Tamagotchi. Quem não teve um bichinho virtual que levava escondido á escola para dar comida e não deixar morrer. Lembro que na época custava um absurdo, e só tive um depois de insistir muito. Era o máximo ficar cuidando daquela coisinha feia.
Os estojos cheios de lápis, canetas, borrachas ou compartimentos. As figurinhas de chiclete que viravam tatuagens. O Mini-Game, Brick Game e a agenda eletrônica, que eu lembro até hoje de juntar uma grana da mesada para comprar uma.
Sem falar nos comerciais, nas ações de marketing. Tudo parecia ter mais talento, mais graça, chamava mais atenção. Parece que foi o auge da criatividade dos nossos publicitários. Quem não se lembra do: “Compre Batom”, “Não se esqueça da minha Caloi”, campanhas do banco Bamerindus, música do Guaraná Antártica: “Pipoca na panela...”, as histórias do Toddynho, até as propagandas de cigarros eram criativas.
Nem vou citar os livros: A Coleção do Pedro Bandeira (chorei lendo A Marca de Uma Lágrima), Coleção Vagalume, Monteiro Lobato, Gibis da Turma da Mônica, do Senninha, heróis da Marvel, Tio Patinhas, etc. Nossa alfabetização esteve em boas mãos!

Ah, como éramos bobinhos. Mas também éramos tão felizes! Ninguém estava preocupado em nada, a não ser estudar e ser criança. Tivemos uma infância feliz, conseguindo deixar as preocupações de adulto para a hora certa. E nem por isso somos mais ou menos responsáveis que as outras gerações.

Posso voltar no tempo e dar uma pausa na vida chata de adulto?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Já posso mentir a idade?

Vinte e seis... 26... XXVI... VINTE E SEIS anos! Mais 4 anos e terei 30; metade do tempo para a minha aposentadoria e ainda não sou uma pessoa totalmente independente. Oi?

Pronto, o momento melodrama chegou ao fim. Mais um ano se passou, mais um aniversário chegou; e a cada ano percebo que a quantidade de frases com a expressão: “Na minha época...” aumenta consideravelmente. E quanto mais você repete o “Na minha época...” mais saudades do passado você tem. Por exemplo:
Na minha época, para se fazer trabalhos escolares era preciso três coisas: uma folha almaço pautada, uma biblioteca municipal e uma máquina de Xerox. Pensa que tinha Google, internet, computador? Não, naquela época era tudo feito na unha, na raça. Pra pesquisra tinha que ler,formular todo o texto em um rascunho e passar a caneta para a folha pautada... e com cabeçalho e tudo: Nome da escola, cidade, data, disciplina, professor, dois dedos para parágrafo.
Na minha época, o brinquedo eletrônico mais avançado era o tal do “Pense-Bem”; um protótipo de computador portátil que precisava de um livrinho para apenas digitar as respostas corretas – parecia muito mais uma prova, do que um brinquedo. Na minha época, o ônibus custava R$ 0,98 e o cobrador nunca devolvia os R$ 0,02 de troco.

É melhor parar por aqui antes que esse blog comece a cheirar naftalina.

A questão é: Quem determina se sou velha ou não? Quase todo mundo fala que eu tenho 23; acho que meu senso de responsabilidade é de 35 e tenho o espírito de uma pirralha de 20 anos que ainda quer conquistar o mundo. Então, como eu lido com tudo isso? Posso falar que eu sofro de crise de personalidade?
Bom, isso eu não sei. Só sei que ainda tenho muito para fazer, para aprender, errar, acertar e conquistar. Enquanto ainda conseguir pensar dessa maneira, me manterei com os meus
vinte e poucos anos.

Cada aniversário eu faço um balanço do ano que passou. E nem vi esse ano passar, mas quero que ele acabe logo. Trabalhei demais, fui multi-tarefas para mostrar o meu valor. Lutei demais e perdi quando ninguém acreditava que eu perderia. Aprendi, não do jeito mais suave, mas aprendi. Afinal, todo mundo precisa aprender, faz parte do processo de evolução.
E finalmente me conformei. Se depois de tudo o que fiz, tentei e lutei ainda assim fracassei, é porque é hora de parar. De não querer mais; de deixar para trás e fingir que não é problema meu. Afinal, se a canoa é perfeita para todos, e tomba quando você entra, o problema é com você ou com a canoa? Acho que já sei a resposta.

Está mais do que na hora de encarar a realidade: As melhores pessoas que você vai conhecer na sua vida ou estarão ou irão para bem longe de você – fisicamente falando. E só há uma coisa que você pode fazer a respeito: Lidar com a distância e perceber que aquela pessoa (ou pessoas) que estão longe, tem a capacidade plena de se importa muito mais com você, do que a pessoa que está literalmente ao seu lado.
E você acaba percebendo que aquilo te basta. Importamos-nos tanto com a parte física e esquecemos que o principal é o emocional; de nada adianta ter alguém perto que não é capaz de se importar com você nem 0,001% , enquanto a pessoa longe tem 90% do tempo dela dedicado a você. Estar ao lado somente por estar vale tanto a pena assim?

Tenho ainda muito que errar, muito que acertar; muitas pessoas para magoar, muito a ser magoada; e principalmente, muito o que mudar. Tudo isso faz parte do processo; sem isso não dá para viver. O que eu não posso mais e cometer a mesma vez os mesmos erros.
Mas eu ainda só tenho 26 anos; tenho toda uma vida pela frente. E espero chegar aos 62 anos, olhar para trás e dizer: Valeu a pena: cada suor, cada lágrima, cada sorriso e cada espera, cada encontro com os amigos e cada pessoa que eu deixei para trás.
E se eu chegar no meio do caminho e nada der certo, que eu tenha força para lembrar: "Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente." - O Curioso Caso de Benjamin Button.

E chega que duvido que alguém tenha lido até o final. Mas antes, é claro que preciso fazer alguns agradecimentos:

Amigos de Jundiaí (Que agora moram em São Paulo): Aline, Egle, Muriel e Danilo: Apesar dos poucos encontros, as risadas e as histórias são impagáveis! Vocês são a prova de que amizade resiste até mesmo à distância. Mesmo cada um tendo “uma vida diferente” sei que sempre que precisar, vocês virão me socorrer, assim como eu também estarei sempre alerta.

Afilhada Thaís: Obrigada por ter ficado do meu lado quando ninguém mais ficou! Você também é a prova de que a amizade resiste à distância.

Ao Site Arquibancada Tricolor, por ser o primeiro lugar a me dar espaço para escrever.

Ao SPFC Digital por ter me convidado a ser colunista e também a fazer parte desse grande projeto e pela oportunidade de me proporcionar novas amizades e experiências.

Ao
Jornalistas.Blog pelo imenso prazer de ser um dos convidados. E em especial ao Daniel que sempre me deu apoio e liberdade para escrever! Mais uma prova de que não precisa estar perto fisicamente para se importar e ajudar.


A todo mundo que me atura no twitter; um pátio de malucos onde você tem discussões bestas, sérias e onde você conhece ótimas pessoas.

Aos meninos da “firma” que me aturam diariamente e entendem as brincadeiras e mesmo eu sendo a única por lá, não me isolaram!
À você que me chamou de chata, feia, boba, burguesa, etc e tal. Te digo que vai precisar mais de isso, se quiser realmente me derrubar... mas pode continuar tentando, é um direito seu.

Obrigado a todos os que estão, estiveram e estarão comigo! Vocês são uma parte importante do que eu sou hoje!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Somebody just help me!

Seguinte, o ser que vos fala está passando por um momento de bloqueio criativo. Ai vocês me perguntam: Se é bloqueio criativo, cadê a criatividade desse blog? Pois é, eu também não sei, mas essa é o único termo que eu encontrei para explicar essa falta de texto, de post e de algo que preste por aqui.
Pensa em uma pessoa desesperada, que fica horas e horas olhando a maldita página em branco do Word e não sai absolutamente uma linha sequer. Nem para o Jornalistas.blog.br eu ainda conseguindo escrever.
Quer dizer, se aqui eu escrevo besteira e lá eu falo de coisa séria, era mais fácil eu escrever aqui do que lá. Mas como comigo tudo é ao contrário e eu faço o difícil com facilidade e o fácil eu travo, ou seja, eu consigo até escrever algo lá, mas aqui, niente.
No SPFC Digital as colunas de sábado ainda saem, mesmo que a muito esforço; se bem que nem o São Paulo anda me dando inspiração para escrever. E, além disso, devo um texto – ou vários – para o Arquibancada Tricolor.
Então, eu pergunto: Alô, porque eu não consigo escrever? Já assisti a filmes, sendo que o mais recente foi no feriado, o Comer Rezar Amar (2010) que daria um belo post sobre como as pessoas se sentem sufocadas e fingem estarem felizes.
Poxa, como eu queria poder fazer igual a personagem da Julia Roberts e sair 1 ano e só viajar? Estar em Roma e comer sem culpa. Ir para a Índia (ok, provavelmente não iria para lá), meditar e tentar achar sentido para todas as merdas que acontecem na nossa vida. E finalmente terminar em Bali, um paraíso natural.
Se alguém soubesse o quanto eu me sinto sufocada nesse lugar; neste espaço que não é só físico, mas é emocional também. A quantidade de tarefas repetitivas me irrita e me cansam. Tenho sérios problemas com rotina, não suporto ficar dia após dia, semana após semana fazendo exatamente a mesma coisa.
Meu cérebro precisa de desafios. Se alguém me dá uma tarefa, logo quero uma mais difícil. Viver na lengalenga de todo dia ser tudo, sempre igual não é para mim. Por isso mesmo eu já escolhi ser jornalista, para ter um desafio todo santo dia; ou como dizem: matar um leão por dia.
Agora imagine uma pessoa assim que está há dois meses apenas tendo a simples e banal tarefa de digitar, digitar, digitar. Meu cérebro não agüenta mais; minha cabeça está ficando oca, a máquina está enferrujando. Cadê a motivação, a vontade, o desejo de fazer o meu melhor? Não tenho. Eu só quero gritar, jogar todos aqueles papéis para cima e sair em busca de algo que me livre desse marasmo.
Estou cansada de viver rodeada por pessoas que viverão a vida inteira comendo bolacha água e sal porque tem medo de provar Trakinas (não, este não é um post patrocinado). Qual é a graça de viver se você não arriscar? Se pelo menos uma vez na vida você não fechar os olhos e pular do penhasco.
As pessoas têm tanto medo de experimentar coisas novas que vivem presas a mesmice sem saber se aquilo de fato as fazem felizes. Qual é o sentido nisso tudo? O melhor da vida é experimentar. Se errar, aprenda com o erro. Mas numa dessas, você pode acertar e se surpreender; e se não acertar, vá experimentando até chegar lá.
Que mania de ficar preso ao comum, ao que é conveniente, àquilo que é padrão. Se todo mundo tivesse a coragem e a oportunidade de sair, apenas por um ano e viajar, se redescobrir, certamente nós teríamos menos problemas de convivência.
Porque, creio eu, muito do que acontece é porque as pessoas estão e são perdidas. Elas não têm a mínima consciência de que o que fazem afeta diretamente as pessoas que estão ao seu redor. Concordo que cada um é dono da própria vida, mas o problema é que essas pessoas – que sempre pregam o “não cuide da minha vida” são tão egoístas que fodem a própria vida e a vida dos demais. Ora, se você não tem coração, ao menos tenha consciência de que o mundo não gira na orbita do seu umbigo. Se você está perdido, ninguém tem nada a ver com isso, ou seja, não estrague a vida, os sonhos e os desejos de ninguém tentando apenas se achar. Isso é crueldade.

Mas enfim, isso é algo que eu ainda não entendi, e para falar a verdade, não sei se vou entender – ou melhor, se quero entender, porque afinal de contas, não vai mudar nada mesmo eu entender ou deixar de entender.

Só sei que eu estou sufocada, com o cérebro enferrujando e com a louca vontade de mudar; porque eu não quero que todos os meus dias sejam iguais, não quero uma vida monótona.

E principalmente, quero viajar, aprender línguas, ver gente, conhecer gente, lugares, sabores, aromas. Porque aqui, eu não sinto mais nada, só a monotonia e a melancolia que eu sempre fugi, o tempo todo.

Ou seja, provavelmente deva ser por isso que eu não consigo escrever mais nada; eu simplesmente não tenho sobre o que escrever.



sábado, 11 de setembro de 2010

Pessoas que encontramos pela vida

Depois de muitas recomendações, ontem o Telecine colaborou comigo e eu assisti 500 dias com ela (ou 500 Days of Summer), de 2009. O filme é muito ruim. Basicamente aquele velho lero-lero de Hollywood sobre o cara que encontra a menina, se apaixona, toma um pé na bunda, fica na fossa, supera tudo e fim. Ou seja, nada do que você ainda não tenha visto antes, tanto na ficção, quanto na realidade.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) conhece e se apaixona pela colega de trabalho, Summer (Zooey Deschanel). O diretor do filme conta a história como se ela fosse pequenos clipes; intercalando os bons e maus momentos. O detalhe da trama é que, diferente de outros filmes água com açúcar, os papéis são invertidos: normalmente a mocinha sofre de amores pelo mocinho que a renega. Inverta isso e terá o enredo do longa. Bom, até esse ponto é uma grata surpresa; é tão difícil fazerem os machões chorarem de amor pelas mulheres.
O problema da história de amor dos dois é que Summer não acredita no amor (ok, não que isso seja o fim do mundo, vamos deixar claro); ou seja, ela não está ligando nem um pouco para o que Tom sente. É algo tão casual que se Tom largar Summer, ela nem vai ligar. Mas é claro que é o oposto que acontece e quando Summer larga Tom, ele fica na fossa.
E é nesse ponto que eu quero chegar. A Summer é a personificação da pessoa filha da puta (ok, desculpe o palavrão, mas não achei nada melhor para descrever). Quem nunca encontrou uma pessoa assim na vida? Olha, se você nunca encontrou agradeça, porque não é fácil lidar com alguém assim.
Summer sabe que Tom é apaixonado por ela (e não é tão difícil descobrir quando alguém está apaixonado; tem um letreiro luminoso piscando na testa incansavelmente), e sabe que ele fará tudo para conquistá-la. E Summer, na falta de ter o que fazer (sabe aquele tédio que bate ás vezes, pois é, ela deveria estar entediada) dá corda para Tom. É aquela velha história: não tenho nada para fazer, ele gosta de mim, vou lá gastar meu tempo. Depois se eu mudar de ideia eu invento algo e desapareço.
Só que Summer é aquele tipo de pessoa que pouco se importa. Ou seja, para ela tanto faz se durar um dia, uma noite ou vários meses. Um belo dia ela vai acordar e mudar de ideia, cansar e partir para outra.
E é claro, que pessoas que são filhas da puta iguais a ela pouco se importam com quem está ao seu redor. É um tipo de egoísmo humano desenfreado, de andar de cabeça baixa olhando somente para o próprio umbigo.
Ao invés dela dizer a Tom que não queria mais, ela foi se tornando fria e distante. Até sumir. E a pior coisa que alguém pode fazer para quem está apaixonada é sumir; isso é a maior das covardias que o ser filho da puta pode fazer – e é claro, que ele sempre faz, já que não tem coragem de encarar a realidade.
No final, depois de recuperado (porque todo mundo sempre se recupera, por maior que seja a rasteira que uma Summer tenha te dado), Tom acaba a reencontrando e descobre que ela casou. E que ela estava com outro enquanto dançava com ele, alimentando os sentimentos do rapaz, sem que ele soubesse de nada. Sabe aquele tipo de coisa: “olha só, ele ainda gosta de mim; como eu sou foda”.
O que mais me desanima nos relacionamentos é isso. Encontrar esse tipo de gente que não liga para exatamente nada; nem para ela mesma, se duvidar. Acho que são coisas tão desnecessárias, sem sentido.
Gosta, então goste de verdade. Se gostou e agora não gosta mais, diga, explique, deixe isso claro. Agora criar a expectativa e deixar a pessoa ali, isso não se faz. Por mais que você seja seguro de si e do que quer. Há certas coisas que somente seres filhas da puta conseguem fazer sem sentir remorso.
É aquela velha história: Se não tiver coração, que pelo menos tenha consciência de que você pode afetar positivamente ou negativamente a vida de alguém com apenas um gesto. Sinceridade é tudo; ninguém vai morrer ao ouvir: “não te quero mais”, mas certamente o desaparecer sem explicação vai deixar muitas marcas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É apenas um sonho?

ATENÇÃO AMEBA: Esse post é uma critica ao filme A Origem e a várias cenas do mesmo, se não quiser saber o filme NÃO LEIA... Eu avisei.

Esqueça tudo o que eu já disse, pensei ou escrevi sobre viver no Mundo de Alice, acordar em uma realidade alternativa. É tudo simples demais diante da complexidade do filme A Origem.
A Origem nada mais é do que um simples filme de roubo, entraria facilmente na categoria filme de ação. Só que um roubo em uma complexidade maior. Não é um simples roubo a banco, joalheria ou qualquer outro local físico. É o roubo de ideias, informações e memórias. É entrar na mente e roubar informações, usando o método mais simples que existe: dormir.
Ou seja, podem querer comparar, mas A Origem, ao meu ver, não tem relação nenhuma com Matrix. São conceitos e desenrolar totalmente diferentes, por isso, não adianta assistir querendo comparar os dois filmes.
Sonhos. É através deles que há o roubo das informações. A pessoa é colocada para dormir com a ajuda de um sedativo, cria-se dentro da mente dela, ou seja, uma realidade alternativa onde é possível manipular a pessoa para que ela acredite que aquilo é real. Simples assim, a informação necessária é retirada de sua mente, sem que se perceba. É como acordar de uma noite de sonhos, sem vestígios ou rastros deixados para trás como prova.
Seria um crime perfeito, se não fosse por alguns detalhes primordiais. Quando você, eu e todos nós sonhamos, sempre aparecem memórias pessoais. Podem ser lugares, pessoas, objetos ou situações já vividas. Por isso mesmo, quem faz o cenário do roubo precisa deixar de lado tudo o que conhece, para criar um mundo sem interferência da própria mente.
E esse é o maior problema mostrado no filme. Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é atormentado por uma lembrança que ele mesmo não quer esquecer: sua mulher (ou ex-mulher) Mal (Marion Cotillard). Isso sempre o atrapalha quando o assunto é roubar informações através dos sonhos. Como ele a mantém presa, ela sempre reaparece para dar fim ao plano de roubo dele.
O problema fica maior quando Cobb tem a missão de inserir e não mais roubar ideias. Ele faz isso em troca de sua liberdade, já que é acusado de matar Mal e sendo assim, nunca mais poderá rever seus filhos (que também estão presos em sua memória). Para invadir a mente de Fisher (Cillian Murphy), Cobb recruta uma nova arquiteta de sonhos, Ariadne (Ellen Page).
Arquiteta de sonhos nada mais seria do que a pessoa que monta o cenário dentro da cabeça de quem será invadido. É como se pudéssemos escolher o que vamos sonhar; quanto mais detalhes, mais a pessoa vai sentir que aquilo é real. Mas o problema ao invadir a mente de Fisher é o fato de que eles terão de colocar algo e não retirar. Para isso toda a equipe terá que ir mais fundo; ou seja, um sonho dentro de um sonho, que resulta em um sonho. Três níveis de profundidade.
É deste ponto que o filme começa a ficar emocionante. Toda a arquitetura, os conflitos, disfarces e o medo do fracasso são potencializados pelas relações externas, como a sagacidade de Fisher de ter a mente treinada contra este tipo de invasão e o fato de Cobb ser dominado pelo seu passado, que só Ariadne sabe qual é e tenta fazer a todo custo com que Cobb o deixe para trás.
Impossível não fazer relação do filme com a realidade. Como por exemplo, o chute, que é uma das técnicas usadas para acordar. O chute consiste em derrubar a pessoa, ou tirar o seu centro de gravidade. E o que acontece quando alguém sonha que está caindo? Acordamos, de certo.
Outra maneira de acordar em A Origem é matar a pessoa no sonho. O que também condiz a realidade. Dificilmente alguém sonha que está sendo morto e não acorda. Assim como o filme mostra que quando alguém apanha no sonho, acaba se lembrando disso quando estiver acordado. Ou ninguém nunca acordou imaginando que caminhão o atropelou durante a noite?
Sonhos são estranhos. Quase nunca me lembro do que sonhei. Mas tenho sonhos que se repetem, aliás, um que anda se repetindo e que perdura por quase um mês. Acho que os sonhos são a revelação de todo o nosso subconsciente. Das coisas que fugimos ou que não entendemos. É uma maneira de aprender algo ou de entender determinada situação.
Ainda quero aprender a ver o significado dos sonhos. E na verdade, me encanta muito o fato de sonharmos coisas inacreditáveis, tanto com pessoas, lugares e até mesmo situações. Quão complexa nossa mente é, para formar essas situações?
E quando você não consegue lembrar se a situação aconteceu em sonho ou na realidade? Não sei se aconteceu isso já com alguém, de ter pensando que falou ou fez algo e quando se deu conta, apenas tinha sonhado com isso. Não é raro eu parar para pensar se eu sonhei ou realmente aconteceu.
Não é raro eu sonhar com situações que ainda vão acontecer; já acordei diversas vezes assustada pensando: “Ah, não, como eu fui sonhar isso com essa tal pessoa; ou que lugar é esse?” pode não demorar muito e bingo! o sonho vira verdade. Mas o problema é que eu só faço relação do sonho com o real algum tempo depois.
Acho que meu subconsciente fala demais comigo; e é por essas e outras é que começo a ter medo quando sonho muito com a mesma coisa. Atualmente meu sonho diário diz respeito a eu ser atropelada, em um semáforo que atravesso todo dia. Era fim de dia, saída do trabalho (sei por que estava de uniforme) um carro preto passa no sinal fechado e me atropela e fim, não resisto. Se alguém souber o significado disso, agradeço.
Falando em não entender sonhos, o final de A Origem me fez pensar se sabemos realmente a diferença de estar sonhando ou acordado. Cobb estava sonhando ou no mundo real quando reencontra os filhos? Pelas roupas e jeito das crianças, ele estava sonhando. Mas ainda tenho minhas dúvidas, já que posso pensar que no filme inteiro Cobb estava sonhando dentro de vários sonhos; uma linha infinita.

Então, tudo é apenas um sonho?

terça-feira, 17 de agosto de 2010

As máscaras sempre caem

É quase unanimidade (não é totalmente, porque toda unanimidade é burra). Quanto mais eu converso com as pessoas, mais elas reclamam da mesma coisa: Mentiras, falsidade, meias verdade e pessoas se fazendo passar por aquilo que não são.
Vamos aqui resumir todos esses fatores em apenas um – o que é na verdade uma descrição muito mais acertada para definir mentiras, falsidades e fingir ser quem você não é apenas para impressionar as pessoas.
Então vamos chamá-las de máscaras. Todos nós usamos máscaras em algum momento da vida. A vida em sociedade nos força a isso. Não podemos ser 100% sinceros o tempo todo, já que ninguém agüentaria ouvir verdades o tempo todo.
Primeiro porque a verdade dói, é cruel, coloca o dedo na ferida e ainda nos deixa expostos e indefesos. Segundo porque quem falasse a verdade o tempo todo certamente seria mais jurado de morte do que Bin Laden em território americano.
Por isso mesmo nós criamos dentro de nós as máscaras. As máscaras são usadas para disfarçar a verdade em momentos oportunos. Não é preciso tacar a verdade na cara das pessoas o tempo todo; nem a pessoa mais cruel do mundo tem coragem de fazer isso. Este é o lado “benéfico” das máscaras. Manter a sociedade andando bem, sem conflitos; é o eufemismo natural das pessoas.
Então, qual é o problema das máscaras? O problema é que as máscaras devem ser usadas apenas em caso de necessidade, quando se sabe que vai magoar alguém sem necessidade. Mas há aqueles que usam máscaras o tempo todo; não conseguem mais se livrar delas.
Se sentem tão confortáveis atrás das mesmas que não conseguem mais encarar a realidade. As máscaras podem transformar a pessoa no que ela quiser. Ela pode fingir ser o que quer, ou melhor, o que mais lhe convém.
E há inúmeras máscaras que podem ser usadas. Cada uma tem um propósito de esconder a pessoa e fazer dela aquilo que ela não é. E porque alguém se esconderia atrás de algo que não é verdade?
Pelo simples fato de querer ser aceito, de impressionar o ambiente a sua volta. Ninguém gosta de se sentir renegado, de sentir que não se encaixa em qualquer lugar que seja. Quando a pessoa que tem compulsão pelas máscaras (ou pela mentira) se vê em um local assim, já veste a máscara que mais lhe convém para ser aceito e fazer parte do ambiente que foi inserido.
A necessidade de agrade e de ser aceito é tão grande que a montanha de mentiras que começou com uma pequena ilusão, logo se transforma em uma bola de neve sem tamanho, que desce ladeira abaixo desenfreada, sem controle arrastando tudo o que vê pela frente.
É assim que começa, com algo banal para se conquistar alguém ou o ambiente e termina em uma avalanche de falsidade, falsas promessas e de máscaras caídas. Não se engane, uma hora as máscaras sempre caem; não importa o quanto bom a pessoa seja, no fim das contas ela vai sempre se entregar.
Não há quem consiga viver apenas de aparência, apenas para ser aceito e amado por todos. Todos sabem quando alguém usa máscaras ou não. É querer enganar a si mesmo. E para que?
Não precisa mentir, iludir ou ser falso para as pessoas gostarem uma das outras. A sinceridade também atrai, aliás, atrai muito mais do que a mentira. Porque a sinceridade nunca muda e não magoa para sempre, apenas momentaneamente.
A mentira pode ser bela e linda no seu início, mas quando a máscara cai, a mentira e a falsidade podem ser piores que qualquer verdade dita no início; deixa mais marcas e ainda deixa a pessoa “marcada” para sempre.
Por isso, pense bem antes de manter alguma máscara; isso pode se tornar um vício difícil de se livrar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mitos e as leis do ouvir e ver

Não me perguntem onde eu li, ou quem me disse. Mas tem uma frase que faz todo sentido e pode ser muito bem explicada – não que isso a faça ser de maior ou menor compreensão.
“As mulheres se apaixonam pelo que ouvem, homens se apaixonam pelo que veem” – Quem souber da onde ela surgiu, pode me avisar que eu darei os créditos.
E é a mais pura verdade. Não adianta encher um cara com palavras e nem uma mulher com imagens. A atração em ambos funciona de maneira bem diferente, porém totalmente e facilmente explicado. E não é somente a atração. Se for pensar bem, não é muito raro ver essa frase aplicada a outros setores da vida das pessoas. É basicamente uma regrinha.
Nós, mulheres nos apaixonamos por aquilo que ouvimos. E adivinhem da onde surgiu tudo isso? Dos malditos e tenebrosos contos de fadas e seu fatídico Happy after ever (alô Disney, eu ainda te processo), copiado incansavelmente por Hollywood e pela novela das 20 horas.
Não adianta. As mulheres aprenderam a ouvir – aliás, desculpe-me rapazes, somos muito melhores ouvintes do que vocês; por isso mesmo, quando precisarem realmente conversar, procurem uma mulher, ela vai te ouvir.
Você pode ser o cara mais feio do mundo, se achar a pior das pessoas. Meu amigo, se você souber falar, você pode conquistar qualquer mulher. Parem de procurar, o primeiro ponto G de uma mulher está no ouvido.
Mas, e vamos abrir um parágrafo aqui: Isso não significa que você deva ser um idiota fofo, como bem definiu o Felipe Voigt no blog dele, Questão de Ordem. Leia o post e você vai entender o que eu quero dizer.
Chega até mesmo ser imbecilidade, mas pode fazer o teste. Qual de nós mulheres não consegue se derreter com algumas palavras bem ditas? Não há segredos. Aprendemos desde sempre que temos que esperar e ouvir palavras. Ou seja, tudo o que essas comédias românticas, novelas e seriados fazem é comprovar tudo isso. De nós as copiamos. Porque como diria Debord, “o que é bom aparece, o que aparece é bom”. Preciso definir mais?
É um mito. Passado ano após ano. Geração após geração. As músicas usam musas como inspiração, desde sempre foi assim. Os artistas usam musas como inspiração. Ou seja, a mulher sempre foi tida como objeto de admiração. E o que se faz quando se admira algo? Fala-se, fala-se incansavelmente sobre ele.

Já os homens, se apaixonam por aquilo que veem. Pegando um gancho no parágrafo acima, perceba-se que o homem sempre busca algo para admirar. Ou seja, a mulher pode ser a mais inteligente de todas, mas se ela não chama atenção do homem, nada feito.
É claro que isso não é regra. Sempre há suas exceções. Mas alguns mitos, por mais que os anos e até mesmo séculos tenham passado, ainda se preservam. Eles podem ter mudado a roupagens, estarem com a embalagem diferenciada. Mas eles continuam todos os mesmos.
E são exatamente esses mitos que definem a sociedade e a forma como as pessoas se comportam ou não. Quebrar esses parâmetros não é difícil, e nem muito menos complicado.
Há alguns mitos que estão sendo modificados, ou seja, ganham uma roupagem diferente, mas na verdade ainda continuam com o mesmo significado. E não há nada de errado em se ter os mitos na sociedade.
São eles que, na verdade acabam “ditando” o estilo de vida das pessoas nelas. A maioria das coisas que fazemos, pensamos e agimos são totalmente baseados por eles. Juntando-se isso a Sociedade do Espetáculo que dita realmente às regras, temos a sociedade atual.
As mulheres se baseiam por aquilo que ouvem, os homens, por aquilo que veem. Pode começar a reparar. As mulheres se contentam em ouvir os fatos. Os homens até ouvem, mas precisam ver para ter certeza se estão ou não falando a verdade.

terça-feira, 27 de julho de 2010

O problema em ser legal

Eu já escrevi por aqui sobre os problemas em ser sincero. E esses dias me deparei que, além de sofrer do problema de ser sincera (sim, eu sofro desse mal e acabo ficando com fama de chata, leia o post para entender), eu sofro também do problema de ser legal.
Não, não estou aqui dizendo que sou a última bolacha do pacote. Nunca diria isso, primeiro porque eu sofro da
síndrome do patinho feio segundo porque a última bolacha do pacote sempre está quebrada, murcha e ficou ali porque ninguém quis. Pensando bem eu até seja a última bolacha do pacote, olhando por esse ângulo. (chega de divagar)
O que eu estou querendo dizer é que as pessoas não estão acostumadas a encontrarem gente legal. Eu explico: Não é raro você conviver com pessoas que geralmente estão de mau humor e que não ligam para nada que não seja o seu próprio umbigo.
Pois é, eu encontro um monte de gente assim na minha vida. E todo mundo deve encontrar também. Mas o detalhe é que nem todo mundo é assim. Algumas pessoas tendem a ser um pouco diferente das demais. E é exatamente neste ponto – o ser diferente – é que trás tantos problemas.
Não é todo mundo que está acostumado a pessoas legais. Vamos aqui traduzir o que seria uma pessoa legal, já que muita gente deve imaginar que pessoa legal é aquela popular e conhecida por todos.
Uma pessoa legal é aquela que ajuda todos. Não se importa em ajudar quem precisa de ajuda. Ela conta piadas, sorri e quase nunca demonstra estar triste ou com problemas; disfarça tudo isso conversando sobre banalidades. Ela se interessa pelo o que os outros dizem e está disposta a ouvir e conversar sobre tudo.
Pronto, está feito o estereótipo de uma pessoa legal. E o que acontece quando se é legal? As pessoas começam a confundir as coisas. Ou seja, ninguém está acostumado a receber atenção tão facilmente e quando se depara com uma pessoa legal, se assusta e fica até mesmo fascinado.
Ora, quem não gosta de ter uma pessoa prestativa e que ainda lhe dê atenção por perto? Até eu que sou a mais boba (isso eu explico em outro post) gosto de ter alguém que me dê atenção.
E qual seria o problema nisso tudo? O problema é que quando não se está acostumado com algo, ele vira novidade. E tudo o que é novidade instiga. É como se fosse aquele animal raro no zoológico: todo mundo quer ver, tocar e desvendar. Depois que se conhece acaba a curiosidade e a pessoa vira apenas mais uma. E assim ela é descartada e acaba abrindo espaço para outra “raridade” que também durará alguns dias, por sorte meses.
As pessoas confundem ser legal (ou nos termos do Orkut, ser bonzinho, por isso tantas comunidades “bonzinho só se fode”) ou qualquer outro sentimento. E nem sempre é assim – preste atenção que eu não estou generalizando.
Nem sempre as pessoas são legais apenas porque estão interessadas em alguém. Mas acontece que sempre, em 100% dos casos, as pessoas se encantam ou acabam achando que a pessoa legal está dando mole para ela. Quem é assim, não é porque veste um estereótipo, é porque é de sua natureza; algo que não dá para evitar.
Nem sempre as pessoas se aproximam de alguém por ter algum interesse – seja contato físico, tirar vantagem ou simplesmente estar encantada. É muito comum as pessoas confundirem atenção “normal” com outro tipo de atenção.
Eu, particularmente, sofro muito com isso. Sou toda tonta (isso também é tema para o próximo post) e gosto de agradar a quem está ao meu redor. Quem me conhece sabe que não dispenso um abraço ou uma boa conversa. E há quem ache que só por causa disso eu tenho um interesse a mais na pessoa.
Muito pelo contrário. A quem eu tenho interesse eu deixo muito bem claro; a quem eu vejo que está confundido as coisas, eu até mesma sou dura e chego a pedir para não confundir amizade com algo mais.


E quem acaba sofrendo com isso somos nós, pessoas consideradas legais. Acabamos nos envolvendo demais e achando que tudo é nossa culpa; que se não fossemos assim nada disso teria acontecido. O que nem sempre - eu disse NEM sempre é verdade.

É por isso que tantas pessoas se “apaixonam” por quem é assim. E acabam falando demais; falando sem pensar e sem ter certeza. Mas isso também é tema para outro texto.

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