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domingo, 23 de setembro de 2012

Não vai passar...

— Sabe o que é bom nos corações partidos? — Perguntou a bibliotecária.
Neguei.
 — É que só podem se partir de verdade uma vez. O resto são apenas arranhões.
                                                                                       O Jogo do Anjo
 
 
Lembra quando você caia e sua mãe dizia para não se preocupar que iria passar? Ou quando você chegou em casa chorando porque aquela sua paquera da escola estava dando bola para outra? Pois é, tudo isso vai passar. E passa mesmo, depois de um tempo você nem lembra mais que um dia sofreu por isso. Ou melhor, até lembra e sente uma certa vergonha.
Com o tempo a gente vai aprendendo e descobre por quais pessoas e sentimentos vale a pena entrar no fogo. É claro que o que parece certo em um dia, pode desmoronar no outro; mas a maturidade ensina muito, e os tombos do passado já não doem tanto e o que fica é o aprendizado.
O tempo é aliado, mas também é um problema. Do mesmo modo que ele te ajuda a aprender e a superar, ele também te cansa. Com o tempo você vai descobrindo que nem sempre “vai passar”, porque chega uma hora que você mesmo não quer que passe.
Chega uma hora que você fica cansado de tentar e começa a perceber que se as coisas deram errado, mais uma vez, só há uma explicação. O fato é que, nem sempre o problema são os outros. O problema, de vez em quando, pode ser a gente.
Uma hora você cansa de levantar, cansa de tentar, cansa de se curar. Decide que é hora de ficar ali, com o joelho ralado, no chão. Vai ser muito melhor do que levantar e partir de novo para a luta; você sabe que vai cair de novo e não vai aguentar a queda.
Assim funciona também pros corações partidos. Eles suportam mais do que deveriam, e a culpa é toda nossa. Ficamos com esse pensamento tolo de “só mais essa vez, tenho certeza de que vai ser diferente”. Ah, quanto egoísmo com esse pobre músculo pulsante.
E igual das outras vezes, você gasta tempo, dedicação e faz de tudo para ajudar. E o que recebe em troca? Absolutamente nada; ou melhor, ganha sim, um monte de disparates no meio da cara, que fazem você parecer o animal mais imundo, baixo e desprezível da face da terra.
Mais uma vez é igual; o mesmo final se repete. E você começa a se achar culpado disso tudo: como não achar, não é? Te pintam tanto como monstro, colocam essa ideia na sua mente que você começa a acreditar. E se eu for mesmo assim; se eu for mesmo a errada, sempre, o tempo todo? Acho que nasci assim... e quem garante que não?
E quando você pensa que vai passar que consegue virar a página (mais uma vez, são tantas que até perdeu a conta), mais coisas começam a aparecer; o que te faz sentir mais culpada ainda. Pois é, dessa vez não vai passar; você não quer que passe, e quem pode te culpar por isso?
Não, não vai passar. Não dessa vez; o estrago foi maior e você está cansada. Nem tudo passa e é normal. Anda difícil viver nesse mundo, onde as pessoas são tão egoístas que só sabem forçar as suas vontades como se o outro não existisse.
De pessoas que não se importam em saber se você está vivo, morto, bem, mal; não querem dividir a vida, querem apenas jogar seus problemas nos nossos ombros para que a gente resolva. Depois que a vida deles melhora, fica fácil jogar a gente no lixo; pior ainda, fazer com que a culpa seja toda nossa.

É... não vai passar... não dessa vez...

terça-feira, 24 de julho de 2012

E vale a pena?

Hoje eu estava sentada na minha mesa na redação, olhando o pôr-do-sol quando me bateu uma dúvida, e até mesmo uma tristeza. Aquela cena tão linda e eu ali, presa as obrigações do dia-a-dia.
Não que eu não goste do meu trabalho, muito pelo contrário, não poderia ser mais feliz e realizada naquilo que eu faço, e certamente acertei em cheio na profissão que escolhi para o resto da minha vida.
Mas o que eu faço com essa vontade de viver lá fora? De conhecer tudo o que há para conhecer, de saber se o pôr-do-sol em Jundiaí é igual ao do Egito? De viver livre, de fazer o que tem vontade. O que eu faço?
Então porque isso tudo? Pois é, nem eu sei bem... só me lembro dessa inundação de pensamentos na mente naquela tarde ensolarada e amena – apesar de ser inverno. Comecei a lembrar de tudo o que já tinha planejado pra minha vida e que até agora, nem ¼ havia se concretizado. E provavelmente, o resto nunca se tornará realidade.
Então fui desistindo. Primeiro, desisti de tentar agradar todo mundo, depois desisti de encontrar alguém, mais tarde, desisti de ser reconhecida pelo meu trabalho. Engraçado é, que de tudo isso que eu desisti, e eu acho que é exatamente por ter desistido, que elas tinham acontecido.
Quando parei de tentar agradar todo mundo percebi que não fiquei sozinha, como eu temia, mas sim rodeada de pessoas que realmente se importavam comigo. E isso me surpreendeu.
Então eu desisti, depois de inúmeras tentativas falhas, de encontrar alguém. Já estava conformada em passar o resto dos meus dias em um apartamento velho, rodeada de gatos e sendo o motivo pelo qual as crianças tinham medo. E foi ai que veio a surpresa número dois. Não é que apareceu alguém?! É claro que isso não significa que não vou passar o resto da minha vida sozinha, mas já é um vagalume no fim do túnel.
Ai eu desisti de ser reconhecida. Pois bem, nessa parte não tem surpresa nenhuma, já que isso eu ainda não sou mesmo. Salvo uns três e-mails e apenas uma ligação, nunca vi ninguém me elogiando ou agradecendo pelas minhas matérias. E sim, eu estou contando os parentes, que nem sabem que eu trabalho em um jornal e a outra metade faz questão de não tocar no jornal que trabalho.
Mas, apesar de ter desistido de algumas coisas, que acabaram acontecendo, aquele pôr-do-sol me fez refletir: “E vale a pena?”. Será que vale a pena mesmo tanto sacrifício?
Será que no fim todo esse sacrifício vale a pena? Ver a vida pela janela é realmente viver? Ficar aguentando, apenas por educação, quem não suportamos vale do que?
Na hora pode parecer a única saída, mas e daqui 40 anos, como você vai olhar para trás e ver sua vida? Todo esse esforço te terá levado a qual lugar? Passamos metade da nossa vida trabalhando, enfurnados em um ambiente para acumular riqueza e não tempo nenhum para aproveitar a vida.
E quando temos tempo, vamos ter saúde para aproveitar o dinheiro acumulado? Não faz sentido viver assim; viver com medo, sempre adiando tudo o que aparece. Ninguém arrisca mais, tudo pende sempre para o lado do comodismo.
Você vive guardando frases que gostaria de ter dito; olhares que teria dado; passos que o levariam certamente em outra direção, e se ela é melhor ou pior, agora você nunca saberá.
Vai passar a vida vivendo com medo do que as pessoas vão achar de você; com medo de nunca ninguém achar nada em você. Vale a pena passar a vida agradando as pessoas, acumulando dinheiro e sem viver?
E no final, vale a pena?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Encontros, desencontros e o que ficou

      Depois de um longo e tenebroso inverno (who cares anyway?), achei coragem e paciência para voltar a escrever aqui. Além da falta de tempo dos últimos meses com a troca de emprego e o acerto do novo, que com muito prazer lhes informo que é o trabalho que eu amo, fui acometida por uma grave síndrome do patinho feio, que persiste em me perturbar já faz alguns meses e me faz odiar todos os espelhos que eu encontro pela frente. Mas sobre isso eu já disse aqui, então, vamos para a novidade.
       Agora, 23h48 de uma sexta-feira, terminei de assistir o filme “Um Dia” (One Day – 2011). Para quem não assistiu (melhor passar para o próximo parágrafo, não diga que eu não avisei), o filme conta a história de Dexter e Emma, que se conheceram na noite em que eles se formaram, na Universidade de Edimburgo em 1988, e concordaram em manter a amizade e visitar um ao outro na mesma data todos os anos para ver como estão suas vidas. Embora ambos passem por diversos envolvimentos românticos, eles têm uma ligação especial que não conseguem explicar.
Na verdade só consegui me emocionar no filme quando ele sobe a colina com a filha, mas enfim, eu sempre tive a fama de ser um pouco insensível mesmo, então eu não esperaria muito de mim.
Encontros, reencontros e o que ficou. Afinal, não é disso que a vida é feita? Queria realmente ouvir a história de uma pessoa que conheceu alguém e nunca mais, em momento algum dos 77 anos (segundo o IBGE) que uma pessoa pode viver, a reencontrou, ao menos por alguns segundos.
A coisa que mais vai acontecer na sua vida é reencontrar pessoas. Por menos que você queira ver fulano ou ciclano pintado de ouro na sua frente, ele(a) vai voltar para a sua vida, mais cedo ou mais tarde.
E não pense que são somente os outros, os que chamamos de carma (ok, nem todos, pois a maioria, “leia-se eu” pelo menos, fico bem feliz quando voltam a fazer parte da minha vida), que voltam para nós. Inconscientemente, ou não, eu, você, ela, ele, o vizinho, o amigo, também acabam voltando para a vida de alguém.
Ou, há casos que, simplesmente, não queremos sair. Existe muita gente, que eu sei, que eu deveria ter me afastado faz anos, mas por algum motivo não consigo. O que chega a ser algo meio kamikaze, já que é uma relação autodestrutiva.  Por mais que eu queira, espere, briga, xingue, trate bem ou ame, a pessoa nunca mudará.
Até porque, se fosse mudar, depois de todos esses anos, já o teria feito. É triste, enfim, é algo que eu sinto que devo fazer. E provavelmente nunca me acrescentará em nada, além de alguns socos no estômago e o fim do pouco de autoestima que ainda me resta (acho que isso, nem tenho mais).
Em contrapartida, há muitas surpresas acontecendo. Muita gente que eu pensei que nunca mais viria na vida reapareceu. Ligou, acertou o que tinha se partido. Mas alguns até mesmo nem precisaram dizer nada; já se passou tanto tempo que a culpa fica na imaturidade da adolescência.
E provavelmente muitas besteiras serão feitas. Muitas palavras idiotas serão ditas e muitas brigas serão travadas. Mas enquanto as pessoas tiverem a consciência de que não são somente elas (e eu generalizo e me incluo nesse bolo todo) que tem razão, os encontros e desencontros continuarão acontecendo. Encontros amorosos ou de amizade.
Aliás, as relações de amizade me chamam mais a atenção do que os reencontros amorosos. Muita gente se esquece do que os outros fazem, e na hora da raiva, acabam falando besteiras, para quem não deve. É triste, mas todo mundo sabe que 90% das pessoas que estão do seu lado só te tratam bem quando precisam de um favor. Por isso, saiba distinguir quem são os 10% e cuide bem. Tem gente que olha tanto para dentro de si mesmo, que provavelmente um dia irá virar do avesso.

As pessoas descartam umas as outras com grande facilidade. É complicado, difícil você ver alguém cabisbaixo e ter a dignidade de perguntar o que acontece. Ou lembrar-se de fazer um convite, antes que pareça forçado. Lembrem-se de que os reencontros sempre acontecem, e é impossível estar por cima sempre.
         Porém, quem sabe, de tudo isso, não sobre algo bom. Algo que deveria ficar marcado e apagará tudo o que de ruim aconteceu. Afinal, o que importa é o hoje. O amanhã está muito longe e ninguém nos garante que vamos conseguir chegar tão longe.
Eu, que não sei praticamente nada da vida, dou um conselho. Pare, pense e olhe a sua volta: Olhe para todo mundo que convive com você. Preste atenção como você trata as pessoas; uma brincadeira pode magoar e uma palavra áspera sem sentido, ferir.
Entre esses encontros e reencontros, tente fazer o melhor para que, um dia, quem sabe, você possa subir uma colina e encontrar lá no topo só momentos bons.



Um dia...
Um dia, quem sabe, eu te encontre.
Um dia, quem sabe, em uma distração qualquer do destino, você esteja no mesmo lugar que eu estarei, no mesmo minuto.
Um dia, quem sabe, você pare de olhar através de mim, e me enxergue realmente.
Um dia, quem sabe, você vai prestar atenção no som da minha voz.
Um dia, quem sabe, você vai confiar a mim, algo que ninguém nunca sonhou em saber.
Um dia, quem sabe, você vai pegar na minha mão. Só pela sensação de que eu não irei a lugar nenhum sem você.
Um dia, quem sabe, você vai querer passar a noite toda acordado, conversando e rindo.
Um dia, quem sabe, você não vai querer fazer planos comigo. Pois o amanhã demora muito, e o presente é mais urgente.
Um dia, quem sabe, eu vou olhar para você e me perguntar porque você demorou tanto.
Um dia, quem sabe, você fará toda essa espera valer a pena.
Um dia, quem sabe, isso não pareça apenas palavras.
Um dia, quem sabe, isso não seja apenas enredo de um filme.
Um dia, quem sabe, algo real aconteça.
Um dia, quem sabe, você me cure.
Um dia, quem sabe, eu conheça essa sensação de felicidade.
Um dia.... Quem sabe... Um dia!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eh saudades...


Hoje, dia 30 de janeiro é dia da saudade.

E por acaso saudades lá tem dia certo pra aparecer?

Saudades não tem dia, não tem hora, lugar ou pessoa. Saudade a gente sente. É aquilo que dói e a gente não sabe explicar. É a tristeza repentina. É o brilho do saudosismo no olho.

É aquela lágrima involuntária que cai, sem a gente perceber. É o filme dos melhores momentos da nossa vida, que do nada aparece na nossa frente. É aquela cara de "ué" que a gente faz quando sente falta de alguém que nem lembrava mais.

É o sorriso no canto da boca que se abre quando você lembra de algo. É o sorriso escancarado que se abre quando alguém fala o nome. É a felicidade da criança interior e do "eu lembro!" quando alguém fala algo da infância.

É a vontade de abraçar, de estar perto novamente; de atravessar o mundo pra que isso aconteça. É desejar ter aproveitado melhor o tempo, ter abraçado, beijado, andado de mãos dadas e dito: "Eu te amo". É a falta dos ensinamentos, do orgulho estampado no rosto de outrem, sem que ele peça na da em troca.

É o vazio, que dói no fundo do estômago ao lembrar de quem já não está mais nesse mundo, mas que, lá de cima, ainda cuida da gente. É fazer as coisas pensando em: "nossa, ele(a) ia se orgulhar de mim".

É o choro do abandono. É o molhar o travesseiro de lágrimas porque alguém não lembra mais de você. É o orgulho ferido em não admitir: "Vem cá seu (sua) idiota, eu gosto de você".

É querer voltar a ser criança, voltar a escola, voltar a brincar. É assumir que cresceu rápido demais. É não querer mais as responsabilidades de gente grande. É querer que "gente grande" volte a ser criança.

É querer as melhores amigas(os) por perto sempre. É relembrar de tudo o que já fizeram juntos e rir sozinho, andando na rua de cada momento e desejar que tudo voltasse, pelo menos mais uma vez.

É o não conseguir respirar quando a mensagem que chega não é dele(a). É a frustração de procurar em todos os cantos e não achar; de querer encontrar, tocar, abraçar e só em um olhar resolver tudo... Ah matar as saudades...

É ficar horas e horas pensando nos momentos, relembrando diálogos, abraços, passeios, beijos e olhares. É abrir aquele sorriso bobo na música favorita. É fazer cara de idiota quando ele(a) passa, te vê, mas não te enxerga.

É querer fazer tudo de novo; fazer tudo novo. É pedir perdão, assumir a saudades e todo o sentimento que fica guardado, transborda e não cabe na gente. É o momento que a gente pensa: "E se eu tivesse feito diferente? Se eu tivesse dito que gostava dele(a)? E se? E se?"... A saudade e os "e se" da vida.

É olhar para trás e dizer: Valeu a pena. É olhar as pessoas e saber: Você marcou a minha vida, não saia dela nunca mais; volte de vez em quando, que você será bem vindo.

Eh saudades... Você nos faz tão bem...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Hoje...


Eu, que já não tenho autoestima, acordei me sentindo um nada...
Aquele “nada” do sentido literal da palavra. Acordei me sentindo uma peça de lego, só que sem lugar para me encaixar...
Em cada ambiente que eu chegava, me sentia uma intrusa, como se não pertencesse a nenhum ambiente em que entrava. Aquela peça do quebra-cabeça perdido, que ninguém quer.
Acordei sentindo a sua falta... E aquelas poucas horas que você foi presente na minha vida, não como amigo, mas como alguém. E isso foi há tanto tempo. .. Ano após ano eu ainda espero você acordar e voltar a me enxergar. Será que você é meu destino? Será que um dia você vai acordar e se dar conta de que sou eu quem você procura? Acho que não. Após anos, isso já deveria ter acontecido.
E está ai outro problema. Muita gente me vê, mas não me enxerga. Vê só a menina com cara de ingênua e que se fecha a qualquer tentativa de aproximação. Ninguém enxerga as feridas que me fizeram, assim como ninguém consegue ver que a menina assustada só precisa de proteção.
Acordei achando que estou na profissão errada. Que nunca serei boa o bastante. Que ninguém nunca lerá o que eu escrevo e que nunca farei a diferença na vida de ninguém. O que é uma pena, porque ao que parece, jornalismo é a única coisa que sei fazer na vida.
Acordei me sentindo invisível. Não que isso seja tão ruim, já que eu odeio chamar atenção. Mas confesso, que mesmo assim, ando pelas ruas em busca de um olhar, nem que seja por um segundo, de alguém que note a minha presença.
E agora, está na hora de dormir. E acordar amanhã de novo, desejando que toda essa sensação desapareça e não passe de um sonho.
Mas, a única coisa que ainda será real é o fato de não ter ninguém pra me abraçar, olhar nos meus olhos e dizer: “Sua idiota, eu estou aqui. Tudo vai ficar bem”... Onde você está afinal?

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Hoje em dia, o “para sempre” tornou-se “até a semana que vem”.

Você não é importante. Desculpa, mas alguém deveria te avisar. Agora respira, senta, fique calmo. Essa reação acontece com todo mundo. É um choque, mas você vai se recuperar, pode acreditar.
Vejo que já fechou a boca, recuperou a cor. Agora podemos começar a conversar. O choque inicial foi proposital, mas calma que isso não é o fim do mundo; apesar de que eu já achei que seria.
A gente se recupera. Lembra quando você era criança e caia sempre de joelhos? Pois é, doía, machucava, mas no fim você aprendeu o que tinha que fazer para não cair mais. Ou seja, não há aprendizado sem marcas.
Quando é criança, fica fácil aprender. Você cai, leva uma bronca e descobre que aquilo é ruim, que não deve mais ser feito. As crianças são inteligentes; a gente fica burro quando cresce, ou conforme vai crescendo.
Então você entra na adolescência e acha que é o rei do mundo. Pode fazer tudo, julgar todos e ser o bonzão do pedaço. Pensa que nada vai atingir então vem o segundo aprendizado: você não é um super-herói; ou seja, dar murro em ponta de faca e fingir que as coisas não acontecem tem o mesmo efeito de tomar um copo de suco para curar uma gripe.
É nesse momento que você começa a achar que as coisas são pra sempre: você escolhe sua profissão, planeja sua vida e escolhe alguém pra vida toda. Mas não é assim que as coisas acontecem.
Você tem caminhos a seguir: cada caminho te leva a um lugar diferente. E tem caminhos que você quer seguir, mas que te farão abrir mão de outras coisas. Isso se chama escolha; no fim o resultado pode ser o mesmo, mas isso não quer dizer que você tem que seguir pelo caminho que quiser sem sofrer as consequências.
Então você cresce mais um pouco e então muda tudo de novo. Você olha pra trás e aquilo que era importante naquela época não é mais. E começa a perceber que as pessoas só se importam com você quando lhe convém.
Mas não se sinta mal. O ser humano é assim mesmo. Ele é egoísta; egoísta do tipo: “venha ao meu reino, mas eu não vou ao seu”. Ou seja, nós queremos somente as coisas para nós, porque fazer para os outros iria contra nossos princípios.
Não há porque se sentir mal; todos somos egoístas: eu, você, a vizinha, sua mãe, seu pai, seu namorado(a), seu marido, sua esposa, sua (seu) amante... é algo que vem junto com o ser humano; quase um brinde.
Você gosta de alguém porque isso te faz bem. Você não quer deixar essa pessoa porque isso te magoaria; você não quer vê-la sofrendo não porque a queira bem, mas porque essa visão faria você sofrer.
Já parou pra pensar nisso? A gente sempre quer que as pessoas supram nossas necessidades, não nos magoem e sejam boas, lindas e harmoniosas na nossa vida. Mas você já percebeu que você não se esforça para que isso seja feito? O que eu quero dizer é que ficar ali parado esperando as pessoas te satisfazerem não conta, já que nem escravo faz isso; tudo é uma troca.
Do mesmo jeito que alguém se importa com você, é necessário que você demonstre de volta. Isto se chama reciprocidade. Não dá pra exigir algo que não se faz. É igual relação de trabalho: você não pode exigir ganhar bem se não faz nem metade do que deveria fazer.
Isso funciona pra tudo, amizade, relacionamento, trabalho, família. A gente exige e não para pra pensar que a outra pessoa ali não é um instrumento; um copinho de plástico que é descartado após o uso ou quando não serve mais.
Ou seja, aquilo que você achou que era pra sempre num dia, na semana seguinte não é mais. Você muda de opinião, ou não consegue deixar o egoísmo natural de lado. Ai fica complicado só dar e não receber. Quem aguentaria uma situação desses? Algumas aguentam, mas uma hora a ficha cai. Ai a história complica, meu amigo.
É claro que até eu que sou a mais boba das pessoas gostaria de ser mimada no esquema Unibanco: 30 horas por dia. Mas isso não é possível; o ser humano funciona no esquema de troca, escambo: dê algo e receba em troca. Igual carrinho de bate-bate: se ninguém bater em você, você não consegue atingir ninguém. Quer algo mais simples que isso, cara pálida?
Quanto mais cedo você perceber isso, mais fácil as coisas vão ser. Aliás, elas são fáceis, tão fáceis que como tudo que é fácil a gente precisa sempre complicar.
E também não faça essa cara de indignação: vocês sabem muito bem que o pra sempre de hoje é o até logo de amanhã. Basta saber como você dará esse até logo, ou se realmente quer um até logo; às vezes a gente só precisa acordar e ver que está errando.

Só não me peça para descobrir se neste caso é até semana que vem...


PS: A frase do título foi roubada do google. Não me mate, eu não sou assim tão criativa, mas vocês sabem disso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pode voltar no tempo?

Se há uma coisa que eu adoro é ficar relembrando de coisas antigas. Fico horas a fio olhando fotos, relembrando momentos, brinquedos e brincadeiras da infância e adolescência.
Com a internet é muito mais fácil achar essas relíquias reunidas em um só lugar. E como é gostoso passar horas relembrando dos brinquedos, filmes, músicas e seriados que eram sucesso na nossa época – nossa, se você for um privilegiado de ter nascido nos anos 80, se não nasceu, só lamento por você ter perdido a melhor infância da face da terra. E não estou exagerando, provavelmente minha geração foi a última a ter realmente uma infância.
Comecei a ver esse site: “As Melhores Lembranças dos anos 80 e 90” e foi inevitável ver o sentimento de nostalgia aflorar. Que saudades daquele tempo! Como éramos tolos, crianças e até mesmo bobos – comparando com as crianças dos dias de hoje.
As roupas eram medonhas, os cabelos armados e as pessoas sem maldade. As crianças brincavam de pega-pega, as meninas e os meninos ainda nem queriam saber um do outro e todos os namoricos não passavam de algo platônico e de bilhetinhos trocados.
Silvio Santos apresentava “Em Nome do Amor”, um tipo de programa de encontro (coisa que o Rodrigo Faro faz hoje, só que acrescido de “putaria” digamos assim). Lua de Cristal era o filme brasileiro mais falado e assistido; Carrossel era a novela de maior sucesso e quem nunca quis participar da Porta da Esperança?
Nossa maior preocupação era colecionar as figurinhas dos álbuns – coladas com cola, nada adesivo. Ping-Pong, chocolate Surpresa, Copa do Mundo e até mesmo de novelas. Quanto jogar bafo para recuperar figurinhas ou completar álbuns.
Chocolate Surpresa, Turma da Mônica, chocolate Personalidades, bala 7Belo... tudo tinha um gosto particular e que não se acha mais em nenhum outro produto. Era a graça de comer e colecionar; e o mesmo vale ainda para o Kinder Ovo. Nessa época até pasta de dente era gostoso, quem nunca teve vontade de comer Tande? O sabor da época era, literalmente, outro.
E os brinquedos? A tecnologia mais avançada que eu conheci na minha infância foram o Atari (quem nunca assoprou a fita para conseguir jogar?) e o Pense Bem – um protótipo do laptop, com jogos educativos que vinham em um livro; o brinquedo mesmo só servia para marcar as respostas. Era um sucesso.
Sem falar nos jogos de tabuleiro, Pega-Peixe, Pega-Pulga, Banco Imobiliário, Fliperama de mão, aqua-play, fábrica de massinha, carrinho de controle remoto, carrinho bate e volta, mini-mercado... tantas coisas que nem dá para lembrar de uma vez só. Quem nunca brincou até a exaustão com tudo isso? E eram todos brinquedos educativos. Onde já se viu uma criança gostar tanto assim de algo que só vai ensinar? Minha geração foi assim.
Até com o brinquedo mais simples, como bambolê, pião, bolinha de gude, tazo, etc. tudo era motivo de festa. E cada novo brinquedo lançado, por menor tecnologia que tivesse era uma revolução. Lembro até hoje de ter uma boneca que andava de bicicleta e sozinha, com um controle remoto e várias pilhas.
E os relógios que trocavam a pulseira, cada dia com uma pulseira diferente. O relógio digital, o game-boy do tamanho de um iPod e o frenesi da época: Tamagotchi. Quem não teve um bichinho virtual que levava escondido á escola para dar comida e não deixar morrer. Lembro que na época custava um absurdo, e só tive um depois de insistir muito. Era o máximo ficar cuidando daquela coisinha feia.
Os estojos cheios de lápis, canetas, borrachas ou compartimentos. As figurinhas de chiclete que viravam tatuagens. O Mini-Game, Brick Game e a agenda eletrônica, que eu lembro até hoje de juntar uma grana da mesada para comprar uma.
Sem falar nos comerciais, nas ações de marketing. Tudo parecia ter mais talento, mais graça, chamava mais atenção. Parece que foi o auge da criatividade dos nossos publicitários. Quem não se lembra do: “Compre Batom”, “Não se esqueça da minha Caloi”, campanhas do banco Bamerindus, música do Guaraná Antártica: “Pipoca na panela...”, as histórias do Toddynho, até as propagandas de cigarros eram criativas.
Nem vou citar os livros: A Coleção do Pedro Bandeira (chorei lendo A Marca de Uma Lágrima), Coleção Vagalume, Monteiro Lobato, Gibis da Turma da Mônica, do Senninha, heróis da Marvel, Tio Patinhas, etc. Nossa alfabetização esteve em boas mãos!

Ah, como éramos bobinhos. Mas também éramos tão felizes! Ninguém estava preocupado em nada, a não ser estudar e ser criança. Tivemos uma infância feliz, conseguindo deixar as preocupações de adulto para a hora certa. E nem por isso somos mais ou menos responsáveis que as outras gerações.

Posso voltar no tempo e dar uma pausa na vida chata de adulto?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Somebody just help me!

Seguinte, o ser que vos fala está passando por um momento de bloqueio criativo. Ai vocês me perguntam: Se é bloqueio criativo, cadê a criatividade desse blog? Pois é, eu também não sei, mas essa é o único termo que eu encontrei para explicar essa falta de texto, de post e de algo que preste por aqui.
Pensa em uma pessoa desesperada, que fica horas e horas olhando a maldita página em branco do Word e não sai absolutamente uma linha sequer. Nem para o Jornalistas.blog.br eu ainda conseguindo escrever.
Quer dizer, se aqui eu escrevo besteira e lá eu falo de coisa séria, era mais fácil eu escrever aqui do que lá. Mas como comigo tudo é ao contrário e eu faço o difícil com facilidade e o fácil eu travo, ou seja, eu consigo até escrever algo lá, mas aqui, niente.
No SPFC Digital as colunas de sábado ainda saem, mesmo que a muito esforço; se bem que nem o São Paulo anda me dando inspiração para escrever. E, além disso, devo um texto – ou vários – para o Arquibancada Tricolor.
Então, eu pergunto: Alô, porque eu não consigo escrever? Já assisti a filmes, sendo que o mais recente foi no feriado, o Comer Rezar Amar (2010) que daria um belo post sobre como as pessoas se sentem sufocadas e fingem estarem felizes.
Poxa, como eu queria poder fazer igual a personagem da Julia Roberts e sair 1 ano e só viajar? Estar em Roma e comer sem culpa. Ir para a Índia (ok, provavelmente não iria para lá), meditar e tentar achar sentido para todas as merdas que acontecem na nossa vida. E finalmente terminar em Bali, um paraíso natural.
Se alguém soubesse o quanto eu me sinto sufocada nesse lugar; neste espaço que não é só físico, mas é emocional também. A quantidade de tarefas repetitivas me irrita e me cansam. Tenho sérios problemas com rotina, não suporto ficar dia após dia, semana após semana fazendo exatamente a mesma coisa.
Meu cérebro precisa de desafios. Se alguém me dá uma tarefa, logo quero uma mais difícil. Viver na lengalenga de todo dia ser tudo, sempre igual não é para mim. Por isso mesmo eu já escolhi ser jornalista, para ter um desafio todo santo dia; ou como dizem: matar um leão por dia.
Agora imagine uma pessoa assim que está há dois meses apenas tendo a simples e banal tarefa de digitar, digitar, digitar. Meu cérebro não agüenta mais; minha cabeça está ficando oca, a máquina está enferrujando. Cadê a motivação, a vontade, o desejo de fazer o meu melhor? Não tenho. Eu só quero gritar, jogar todos aqueles papéis para cima e sair em busca de algo que me livre desse marasmo.
Estou cansada de viver rodeada por pessoas que viverão a vida inteira comendo bolacha água e sal porque tem medo de provar Trakinas (não, este não é um post patrocinado). Qual é a graça de viver se você não arriscar? Se pelo menos uma vez na vida você não fechar os olhos e pular do penhasco.
As pessoas têm tanto medo de experimentar coisas novas que vivem presas a mesmice sem saber se aquilo de fato as fazem felizes. Qual é o sentido nisso tudo? O melhor da vida é experimentar. Se errar, aprenda com o erro. Mas numa dessas, você pode acertar e se surpreender; e se não acertar, vá experimentando até chegar lá.
Que mania de ficar preso ao comum, ao que é conveniente, àquilo que é padrão. Se todo mundo tivesse a coragem e a oportunidade de sair, apenas por um ano e viajar, se redescobrir, certamente nós teríamos menos problemas de convivência.
Porque, creio eu, muito do que acontece é porque as pessoas estão e são perdidas. Elas não têm a mínima consciência de que o que fazem afeta diretamente as pessoas que estão ao seu redor. Concordo que cada um é dono da própria vida, mas o problema é que essas pessoas – que sempre pregam o “não cuide da minha vida” são tão egoístas que fodem a própria vida e a vida dos demais. Ora, se você não tem coração, ao menos tenha consciência de que o mundo não gira na orbita do seu umbigo. Se você está perdido, ninguém tem nada a ver com isso, ou seja, não estrague a vida, os sonhos e os desejos de ninguém tentando apenas se achar. Isso é crueldade.

Mas enfim, isso é algo que eu ainda não entendi, e para falar a verdade, não sei se vou entender – ou melhor, se quero entender, porque afinal de contas, não vai mudar nada mesmo eu entender ou deixar de entender.

Só sei que eu estou sufocada, com o cérebro enferrujando e com a louca vontade de mudar; porque eu não quero que todos os meus dias sejam iguais, não quero uma vida monótona.

E principalmente, quero viajar, aprender línguas, ver gente, conhecer gente, lugares, sabores, aromas. Porque aqui, eu não sinto mais nada, só a monotonia e a melancolia que eu sempre fugi, o tempo todo.

Ou seja, provavelmente deva ser por isso que eu não consigo escrever mais nada; eu simplesmente não tenho sobre o que escrever.



domingo, 6 de junho de 2010

Síndrome do Patinho Feio

Vou fazer uma confissão. Eu tenho a síndrome do Patinho Feio – ok, eu e mais trezentas mil pessoas. Foi difícil admitir isso, mas é a mais pura verdade. No fundo acho que todo mundo sofre um pouco desse mal; assim como sofre com outras síndromes; uns com mais, outros com menos intensidade.
Geralmente essa síndrome ataca quem terminou um relacionamento duradouro – o que não é o meu caso, mas, para variar um pouco, eu tinha que ser uma das exceções da regra. Não importa o que as pessoas façam, digam ou demonstrem, você sempre vai se achar a pior pessoa do mundo, a mais feia e a que não merece um pingo de atenção.
É exatamente igual à história do Patinho Feio. Aliás, tenho a impressão de que essa história foi criada por alguém que se sentia um patinho feio, não é possível achar tanta semelhança assim entre uma história e a vida real.
Quem nunca acordou um dia e teve vontade de colocar um saco de papel na cabeça para quem ninguém visse a sua cara? Isso acontece com tudo mundo. A diferença é que sempre passa. É o famoso: “Acordei com o pé esquerdo” ou o “não devia ter saído da cama hoje”.
Não adianta. Tem dias que a pessoa acorda Patinho Feio e vai dormir Patinho Feio. Não adianta se arrumar, ser paquerada, dizerem que está linda e sair arrasando corações. A pessoa sempre vai se achar um lixo, um traste, feia e horrorosa. E não adianta, não é culpa da TPM não.
Outras vezes é devido “Às vezes, a timidez é causada por um sentimento de inferioridade, que surge devido a um defeito físico real ou imaginário e leva à insegurança diante das outras pessoas.” (via Blog Insônia).
Nós imaginamos que temos algo aterrorizante, que ninguém é capaz de gostar de nós ou fazer um elogio sincero. Eu particularmente tenho um sério problema em aceitar elogios.
Quem me conhece sabe. Nunca acho que algo que eu fiz é bom o bastante ao ponto de ser elogiado. Não me chamem de perfeccionista. Apenas tenho problemas em aceitar elogios. E não adianta dizer que quero confete; isso só vai piorar a situação; vai me fazer sentir como se eu fosse uma coitadinha. Ou seja, não tente ajudar com isso, você acaba atrapalhando.
E quando o elogio diz respeito à aparência? Aí meu nível de síndrome do Patinho Feio alcança números exorbitantes. Não adianta insistir. Não me acho bonita – no máximo razoável - não me acho interessante, nem acho que alguém deva perder seu tempo comigo.
Para se ter uma ideia de onde isso surgiu, vou contar um fato que aconteceu no colegial. Um belo dia, entrando para a aula um grupo de meninos que fazia técnico em eletrônica começou a me chamar de Betty, A Feira (sim, alusão à famosa série americana). Pronto, preciso dizer mais alguma coisa? Para alguém com 16 anos, passando pelas inseguranças da adolescência, isso foi a gota que fez a síndrome do Patinho Feio se instalar e ficar sendo minha companheira.
Para alguém que sofre com baixa auto-estima ficar sendo chamada assim não ajudou em nada a minha síndrome do Patinho Feio. Só serviu para eu ter a certeza de que realmente não merecia um elogio, que não fosse aquele.
Do que eu era, melhorei muito. Hoje brinco, levo numa boa quando alguém me faz um elogio digno de me deixar para baixo. Encaro melhor um: “feia você, né?!” do que um: “uau, como você está bonita hoje!”. Aliás, ainda me assusto como as pessoas ainda usam a aparência para xingar, atingir os outros.
Não sei, acho que me acostumei tanto a ouvir desaforo que os elogios ainda me soam como algo estranho, como se alguém sempre estivesse tirando sarro de mim. Sabe aquela migalha que jogam a alguém só por dó ou piedade? Pois é, sempre encaro um elogio dessa maneira.
Quem sabe um dia eu faça igual ao Patinho Feio e perceba que isso nada mais é do que coisas da minha cabeça; que eu posso sim aceitar um elogio sem ter medo de que a pessoa esteja caçoando de mim.
Mas, enquanto esse dia não chega, vou convivendo com a minha síndrome do Patinho Feio. Afinal, nem todo mundo consegue se sentir bem todos os dias. Ou consegue?

terça-feira, 28 de julho de 2009

A difícil arte do falling in' Love

Ninguém disse que é fácil. Mas também precisa ser tão complicado? Claro se não fosse assim, qual é a graça? Bom daqui a pouco eu explico.

Depois que a Stephenie Meyer resolveu nos fazer o favor lançar os 4 livros de sua série (Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer); e fez o favor (para nós mulheres) de nos encantar, sonhar e idealizar o ser mais perfeito desse mundo: Edward Cullen. Ok concordo que babar por um personagem de livro é meio assustador e apelativo, mas porque tantas meninas andam falando sobre isso? Porque há tantas comunidades e chats com esse único assunto?
Simples, como eu disse no título, se apaixonar não é fácil e parafraseando Grey's Anatomy, eu queria poder matar quem inventou essa história de happy after ever. Estar apaixonado implica em muitas coisas, que nem sempre são felizes, alegres e meigas como dizem os livros, filmes e contos de fadas.
Aliás, sinceramente, quem inventou o gênero romance deveria estar intuitivamente querendo “foder” com o resto do mundo. Afinal é tão legal viver nesse mundo do faz de conta que quando a realidade bate a porta ninguém sabe o que fazer. E quanto mais os anos passam mais as histórias dos nossos avôs e pais parecem distante da nossa realidade sentimental. Inegável que eu queria ter nascido na época em que os moçinhos brigavam pelas donzelas e faziam juras, serenatas, pediam permissão para namorar e casar, enfim típico conto de fadas.
Certo, as coisas mudam, evoluem, mas precisam evoluir tanto? É assustador ver hoje como os adolescentes se relacionam: “peguei 20 na balada de hoje”. Legal, beijar na boca é bom, é gostoso e eu que não sou de ferro também faço isso. Mas será que ficar só nisso resolve alguma coisa? Ficar por ficar e até namorar por namorar – já que às vezes a desculpa é que se não tem ninguém melhor, vai ele mesmo. As pessoas andam tão desesperadas por atenção e tão carentes ao ponto de que qualquer um “serve” que nem param para pensar naquilo que querem (ou se é isso mesmo que querem).
Já vi muitos se prenderem em relacionamentos por comodismo – que atire a primeira pedra quem nunca fez isso, até eu mesma já fiz. Mas até que ponto isso vale a pena? O medo de ser rejeitado ou de falar o que realmente sente é tanto que acaba por estragar qualquer indício de se apaixonar.
Relatado isso é fácil saber por que tantas se apaixonaram pelo personagem do livro – ou de qualquer outro filme. As pessoas esperam perfeição, romance, entrega; e isso não é mais válido. Ultimamente as pessoas só pensam em si mesmas e fazem o que é melhor para elas; tem medo dos sentimentos e de se entregar.
Numa época em que tantas notícias sobre fertilização em que a figura do homem se torna quase que obsoleta ou os relacionamentos via MSN além desse intuito de ficar por ficar e outros fatores como o egoísmo me faz realmente pensar que as pessoas não se interessam mais em relacionamentos. Será o fim do falling in' Love?


Não goste do amor

Goste de alguém que te ame,
Alguém que te espere,
Alguém que te compreenda mesmo nos momentos de loucura;
De alguém que te ajude,
Que te guie,
Que seja seu apoio,
Tua esperança, teu tudo.

Não goste do amor
Goste de alguém que não te traia,
Que seja fiel, que sonhe contigo,
Que só pense em você,
Que só pense no teu rosto,
Na tua delicadeza, no teu espírito.
E não no teu corpo, nem em teus bens.

Não goste do amor
Goste de alguém que te espere até o final,
De alguém que sofra junto contigo,
Que ria junto a ti,
Que enxugue suas lágrimas,
Que te abrigues quando necessário,
Que fique feliz com tuas alegrias
E que te dê forças depois de um fracasso.

Não goste do amor
Goste de alguém que volte pra conversar com você depois das brigas,
Depois do desencontro.
De alguém que caminhe junto a ti,
Que seja companheiro, que respeite tuas fantasias, tuas ilusões.

Goste de alguém que te ame.
Não goste apenas do amor.

Goste de alguém que sinta o mesmo sentimento por você!


Luiz Fernando Veríssimo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Dia Mundial do ROCK


Tudo começou quando eu ainda era pequena demais para saber em que mundo eu vivia. Um som me chamou atenção. A voz era suava e falava de coisas que eu ainda não entendia, mas sabia que um dia eu iria entender perfeitamente: Chamava-se Legião Urbana.
Depois eu me contagiei com a capa de um CD do Iron Maiden, chamado Fear of the Dark. Apesar de achar a música barulhenta demais, não conseguia parar de ouvir o cd. Depois desse vieram mais dois, que não me recordo o nome agora. Atente que eu sou péssima para nome de músicas ou CDs.
Mas não pense que isso era novidade para mim, afinal de contas eu cresci com meu pai ouvindo Beatles, Pink Floyd, Bee Gees, Creedence Clearwater Revival, Queen e por aí vai (acho que deu para entender). Ele guarda até hoje os LP’s e te digo que as capas eram lindas demais.
Voltando ao assunto: Enquanto eu ainda não entendia isso muito bem, fiquei entre Iron Maiden e os brazucas: Legião, Capital, Paralamas, Titãs. Época boa na qual essas bandas ainda não tinham se tornado comerciais e faziam músicas de protesto. Sim, eu sempre fui rebelde por natureza; segundo minha mãe eu teria sido exilada se nascesse na época da ditadura. Ah, só para constar, minha mãe ouve Elis Regina, acho que estou bem de influências musicais não é mesmo?!
Depois que eu cresci um pouco e comecei a entender melhor as letras das músicas fui me aprofundando e entrando no ambiente mais internacional. Afinal de contas sempre detestei ouvir uma música e não saber o que significa a letra, então o inglês só veio depois.
Foi então que meu mundo se abriu e minha paixão fincou raízes. A partir desse momento eu não tive mais dúvidas. O rock estava e sempre esteve no meu sangue. Momentos de tristeza, alegria, de calma e até para dormir quando bate a insônia. Sim, sou a única que ouve rock pesado para pegar no sono.
E como tenho a certeza absoluta de que nasci na época errada, as preferidas ainda são de bandas que nem existem mais, ou que não são mais tão famosas assim. Não sou crítica musical, mas música boa é música antiga. Detesto essas músicas comerciais e modinhas de dor de cotovelo. Para mim são tudo farinha do mesmo saco, que eu certamente nunca vou ouvir. Apesar de eu ter consciência de que tudo isso não passa de mero fruto da sociedade do espetáculo e da Indústria cultural, mas mesmo assim, ainda me fascina.

Algumas observações sobre o Rock e a indústria cultural:


"O gênero rock foi sendo distorcido pela indústria cultural ao longo do tempo. O rock nasceu do Blues, que por ser música tida como “negra” teve que se adaptar ao público “branco” da época, que estava sedento por um novo estilo. A música ganha força nos anos 60 e 70 e já é visto como fenômeno exclusivo dos grandes públicos. Fats Domino, Chuck Berry, Little Richards são percursores desse movimento musical, que atraia cada vez mais jovens e causava repulsa nos mais conservadores por tocar em temas tido como tabus, como o sexo.
A indústria cultural sempre procurou alguém que conseguisse cativar todas as classes, tanto os jovens quanto os conservadores, sendo assim, tudo foi preparado para a chegada de Elvis Presley. Elvis foi mito por que toda sua carreira foi moldada para agradar o maior número de pessoas, tanto a sua ida para a guerra no auge da sua carreira, quanto sua imagem de “jovem de família”.
Mesmo a dependência das drogas foi usada como artífice para alavancar novos ídolos e conferir um novo conceito ao rock: todo roqueiro é drogado, cabeludo e sujo. Foi a partir desse ponto que a indústria conferiu este estereotipo ao gênero musical. Não é a toa que há sempre um preconceito vigente, uma polêmica. Mas é dentro destes quesitos que a indústria lança novos ídolos, músicas e atrai multidões que procuram “se diferenciar” dos demais.
Por mais comum que seja ouvir em entrevistas de artistas, a pregação pela autenticidade, autonomia nas decisões sobre o que produzir e rebeldia no processo de criação, sabe - se que a direção a ser seguida, caso o objetivo de todos eles seja realmente o sucesso, será sempre determinada pela indústria cultural. Assim como a quantidade de vezes que suas músicas tocarão nas rádios, seus livros serão divulgados na televisão ou seus filmes serão anunciados aos quatro ventos midiáticos. " By me and Tha

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terça-feira, 10 de março de 2009

Pare o mundo que eu quero descer.


Depois dos recentes casos de pedofilia que chegaram à público esses dias, do caso da menina de 9 anos que abortou os gêmeos e o caso em Catanduva (interior de São Paulo) onde aliciavam crianças na porta da escola, eu só posso dizer: “Pára tudo que eu quero descer”.

Não vou aqui entrar no mérito do Arcebispo de Recife e Olinda que excomungou a mãe e a equipe médica que fez o aborto. Ele é apenas um porta-voz do câncer do mundo: A igreja Católica. Só fez a parte dele. Quem se diz católico, que baixe a cabeça e aceite, ou você é católico e aceita as regras, ou você não é. Não existe pessoa meio grávida, nem meio doente, assim como não existe meio católico. Ainda não posso acreditar que ainda existam pessoas que dão poder e força a essa igreja que só faz mal às pessoas. (isso fica pra outro post)


Voltando...
“A Pedofilia é um transtorno parafílico, onde a pessoa apresenta fantasia e excitação sexual intensa com crianças pré-púberes, efetivando na prática tais urgências, com sentimentos de angústia e sofrimento. O abusador tem no mínimo 16 anos de idade e é pelo menos 5 anos mais velho que a vítima.”.

Agora eu fico me perguntando: O que faz uma pessoa ter relações sexuais com uma criança? Já ouvi casos de abusos com recém-nascidos. Como um pai tem coragem de fazer isso com um filho?
E como ainda há casos de pais, mães que escondem isso, culpam até mesmo a criança.

Pedófilo não é algo que venha escrito na testa. Será que alguém confia em alguém?
A cada dia que passo acho que mais e mais pessoas se saboreiam em ver, sentir e proporcionar a desgraça alheia.

O que há na cabeça desses homens, que não só estupram crianças, mas aqueles que também violentam mulheres. E ainda por cima colocam a culpa em nós dizendo: “mas também, elas provocam”.
O que eles pensam da vida? Ainda estão naquela visão retrógrada de que mulher não é dona de si, das suas vontades, que ainda somos meros objetos que eles podem usar, jogar fora e desprezar?

Não sei até que ponto tudo isso é motivação psicologia, cafajestice ou vontade de se causar a dor alheia.

Nesses casos ou sou a favor do Código Hamurabi: Olho por olho, dente por dente. Estuprou, será estuprado, violentou, será violentado.
Quero ver se haveria tantos vagabundos sendo sustentados com o meu, o seu dinheiro nas cadeiras, comendo de graça, dormindo, tomando banho, destruindo cadeias.

sábado, 20 de dezembro de 2008

How did we get here? Well, I used to know you so well...

Bom, vamos tirar as teias de aranha desse blog. Nunca pensei que final de faculdade fosse me deixar pior do que a época do TCC...
Enfim, enquanto ninguém decide se me registra ou não, se o novo coordenador fica ou não(?), de toda a zona que se instalou naquele recinto essa semana...
Isso tudo sem contar que eu não preparei meu post de final de ano, isso é, se vai ter post de final de ano.

Estou mais pra lá do que pra cá há algum tempinho já, então me deparo com a cena de um cachorro (sim, o animal, não o homem), postado há quase 2 meses no portão de uma casa. Não há quem faça o animalzinho arredar o pé de lá. Até brigar com os outros cães ele briga, pra nenhum deles chegar perto. O motivo: uma singela cadelinha.
Aí você lendo me pergunta: E?

Pois é, eu parei e pensei: “porra, esse bicho aí, irracional(?) faz todo esse sacrifício por uma cadelinha e os seres-humanos(?) nem pra fazer nada pela outra pessoa... Há alguma coisa errada com o mundo".
Porque é tão difícil as pessoas se respeitaram, gostarem uma das outras sem só olhar para o maldito umbigo? Porque eu tenho a sensação que a cada dia mais até os animais estão mais humanos que nós?!
Esses dias eu descobri que uma pessoa se achou a última bolacha do pacote porque ele me provocou, eu gostei e dei bola. Ah, vápraputaquepariu né amigão. O que foi, só o gostinho de ter alguém pagando pau pra você é?
Pra que fazer isso? Vai te levar à algum lugar, ou é somente pra inflar o ego? Não pode me ajudar, ótimo, fica na sua. Se não me quer, não me provoca inferno. Eu não sou palhaça pra servir de degrau pra ninguém não. E ainda por cima a pessoa acha que eu não tenho o direito de ficar brava com ele.




Esses dias saiu uma pesquisa de que filmes românticos acabam com relacionamentos. Pode ser, mas custa parar de sacanear a pessoa e ser gente? Num vai doer, nem aleijar.
O mundo dessas histórias românticas não são nada de extraordinário, basta um pouco de colaboração das partes.
As pessoas dizem que eu estou solteira porque eu quero. É e não é verdade. Poxa, não vou namorar nenhum Zé-ruela por aí pra depois me estressar. E quem eu realmente gosto ta pouco ligando pra mim.
O pior de tudo é que eu sempre tenho umas recaídas... essa semana foi uma, espero que passe!



Deve ser por isso que livros como Crepúsculo (nunca ouviu falar? Joga no Google amor) fazem tanto sucesso. Não tem o estereótipo da perfeição. A moçinha do livro é alguém comum, que erra, que faz loucuras.
Alguém como todo mundo, mas que tem um final feliz...

Claro que eu nem vou mencionar o moçinho, que é a perfeição em pessoa, algo com que todas as mulheres sonham, mas que o homens não estão muito preocupados em ser, porque já que elas não querem, tem sempre alguma que quer eles... Qual é a graça nisso tudo afinal? Será que as pessoas sentem realmente prazer em ser assim? Será que ninguém queria ser Edward Cullen ou Bella Swan de alguém? É tão injusto existir um livro tão perfeito, sem ninguém que realmente presta antenção ao que ele quer dizer.

É duro ter que admitir que algumas pessoas nunca terão seu happy end. Mas acho que chegou minha hora de dizer isso e procurar um zé-ruela, afinal de contas: "The best thing you can do is find a person who loves you for exactly what you are. Good mood, bad mood, ugly, pretty, what have you. That's the kind of person that's worth sticking with." By Juno, the Movie


Gravity
Sara Bareilles

Something always brings me back to you. It never takes too long.
No matter what I say or do I'll still feel you here 'til the moment I'm gone.
You hold me without touch. You keep me without chains.
I never wanted anything so much than to drown in your love and not feel your rain.

CHORUS
Set me free, leave me be.
I don't want to fall another moment into your gravity.
Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.
But you're on to me and all over me.

You loved me 'cause I'm fragile. When I thought that I was strong.
But you touch me for a little while and all my fragile strength is gone.

CHORUS
Set me free, leave me be.
I don't want to fall another moment into your gravity.
Here I am and I stand so tall, just the way I'm supposed to be.
But you're on to me and all over me.

I live here on my knees as I try to make you see that you're
everything I think I need here on the ground.
But you're neither friend nor foe though I can't seem to let you go.
The one thing that I still know is that you're keeping me down.
You're on to me, you're on to me and all over...
Something always brings me back to you. It never takes too long.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Já que não tem jeito: Just Keep Walking...



Isso é para ser uma crônica... Ah, o personagem é fictício e as situações também... Nada de achar pêlo em ovo hein!
Ah, "Sorria e Acene, apenas sorria e acene"... leia até o final pra entender.

“Então, qual o problema em ser diferente? E se todo mundo gostasse só de azul?”
Tá bom, eu confesso, esse não foi nem de longe o meu melhor argumento, mas afinal, que diabos há de errado em ser diferente? Por um acaso todas as pessoas têm que ser iguais, terem as mesmas atitudes, gostos, desejos? Pois oras, se a moda diz que todo mundo tem que usar calça big (lembra aquela que os manos usavam/usam?)? E se eu não quiser usar, vou ser discriminada?
Pois é, parece que sim. É tão fácil quando as pessoas convivem com gente muito parecida com elas, acabam por não questionar nada, não experimentar novidades, não saem dos padrões. Que coisa chata você deve estar pensando. Mas há pessoas que saem dos padrões, que não estão nem aí se a moda é roxa, azul ou verde com bolinhas amarelas.
Não que eu não siga o padrão às vezes, é claro, mas não faço isso porque as pessoas me mandam fazer. Faço por que quero. Mas isso vai muito além de roupas trejeitos ou sapatos... Algumas pessoas não entendem quando alguém tem uma opinião sobre algo, ou não acredita em tudo que lê. Ou ainda se não fica com alguém porque essa pessoa “apenas quer passar um tempo e pouco se importa se você está feliz ou não”.
O problema está nas pessoas, em todas as pessoas (inclusive EU, olha que legal!?). Elas estão pouco se lixando para o outro, só se importam realmente com o umbigo delas. E o que acontece quando aparece alguém diferente? É taxada de louca, fria, amarga. Pois é, só porque eu estou sozinha não significa que precise ficar com o primeiro que aparece... não é só porque estou namorando que vou ter q casar com o(a) traste... a vida é cheia de alternativas, para que seguir sempre a mais cômoda e fácil?
É o mesmo quando alguém tem a pachorra de dizer que “ah, mas você se importa demais com que os outros fazem, pensam e falam sobre você”. Porra meu (ops, escapou), mas é claro que eu me preocupo. Se eu fizesse algo para alguém falar de mim, até vai, mas eu se eu to quieta no meu canto, porque neguinho vai querer mexer comigo? Ah, que arrumem algo mais útil que fazer. Acha que não tem como não se preocupar com isso? Pra quem segue “falem mal, mas fale de mim” eu sigo o contrário “cuide da sua vida e me deixe ser invisível”

“A cada um cabe alegrias / E a tristeza que vier...” (epitáfio – Titãs). Ta aí outra coisa que eu não me conformo, como alguém pode saber se algo é ou não importante para alguém? Cada um é cada um, não dá pra selecionar o que contar ou não na base do “eu não dei importância para isso”. Olha, se você não dá importância, alguém dá. Cada um é cada um, tem sua história, seus momentos, suas dores, suas manias, suas frescuras. Se souber de algo fala logo, deixe o envolvido decidir se é algo que tem ou não importância. Não julgue as pessoas, nem escolha O melhor para elas sem antes conhecer. Pode estar fazendo um mal ao invés de um bem.
Pois é, eu fico louca da vida com essas coisas, esses discursos prontos, esse narcisismo. Mas será que ninguém aí fica louco da vida com isso também?
Bom, sabe no final da história quando você se sente os pinguins de Madagascar? Sorrindo e acenando pra todo mundo e achando tudo a maior patifaria? pois é, eu me sinto assim, e você?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.


Esses dias me pediram para fazer uma lista das coisas que eu gostaria de fazer antes de morrer...

Aí eu lembrei disso:



Álbum de fotografias

Noventa.
Isso me soou como uma campainha. Mas não, não é possível. Parecia que mês passado lá estava eu curtindo meus primeiros anos de faculdade, meus primeiros trabalhos jornalísticos... Não, não pode ter sido há tanto tempo atrás...
Pensando nisso tudo agora, cada loucura que cometi durante essa minha vida. Como naqueles dias estressantes de faculdade onde dávamos um tempo em tudo e íamos para o bar relaxar, cheguei ao cúmulo de dançar no meio da rua, sem me importar em saber quem estava olhando. E no dia que resolvemos do nada sentar na sarjeta e comer uma boa pizza? Quem nos olhava pensava que éramos loucos.
Ou aquela viagem maluca de um dia para Campos do Jordão? Enfrentar horas de ônibus e um frio pra menos de seis graus não era pra qualquer um. O engraçado é que não fui uma vez, mas sim várias vezes. Todo ano praticamente.
Mas com certeza o melhor de tudo foi aceitar cobrir Copa do Mundo e as Olimpíadas. Sem pensar, arrumei minhas malas e fui. Não me importava nada, hospedagem, dificuldades. O importante era ir e fazer a diferença!
Fazer a diferença ou ser diferente como costumavam dizer meus amigos que me rotularam de “cabeça-dura”. Sempre segui minhas convicções, sendo assim nunca me casei por achar a instituição do casamento uma causa falida e perdida. Mas confesso, me apaixonei intensamente diversas vezes, mas nenhuma deu certo e decerto não guardo mágoa de nenhuma. Amei uma vez e me foi o suficiente, foi aquele que eu mais esperei acordar para a vida e perceber, e foi o que menos deu importância aos meus gestos. Surpresas da vida que nunca me aborreceram.
E nem por isso eu ligava de estar sozinha. Arrastava alguns amigos e saia pela cidade sem rumo. Qualquer lugar que fosse, se lá estávamos nós havia com certeza risada. Acho que é por isso que nunca senti solidão.
Pensando agora na minha profissão, acho que foi como um casamento, que me exigiu tempo, fôlego e paciência de não jogar tudo pro alto. Mas teve suas recompensas todo esse esforço. Todos os prêmios ganhos, todos os livros publicados, todos os seminários e palestras que dei a jovens com olhinhos brilhantes diante de mim.
Nunca pensei que pudesse um dia chegar e dizer: Sim, valeu a pena. Cada minuto, cada tombo, cada levantada, cada tropeço. Aos meus 20 não queria mais viver. Aos meus 90 olho para trás e como se olhasse um álbum de fotografias percebo tudo o que fiz e tudo valeu a pena na minha vida. Agora eu me pergunto como teria sido se não tivesse arriscado e vivido tudo isso? Não quero pensar, tenho muito que aproveitar ainda.





Isto foi escrito em 2006 para a matéria de prática de texto. Foi baseado no romance: Minhas Putas Tristes de Gabriel Garcia Marques

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