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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Encontros, desencontros e o que ficou

      Depois de um longo e tenebroso inverno (who cares anyway?), achei coragem e paciência para voltar a escrever aqui. Além da falta de tempo dos últimos meses com a troca de emprego e o acerto do novo, que com muito prazer lhes informo que é o trabalho que eu amo, fui acometida por uma grave síndrome do patinho feio, que persiste em me perturbar já faz alguns meses e me faz odiar todos os espelhos que eu encontro pela frente. Mas sobre isso eu já disse aqui, então, vamos para a novidade.
       Agora, 23h48 de uma sexta-feira, terminei de assistir o filme “Um Dia” (One Day – 2011). Para quem não assistiu (melhor passar para o próximo parágrafo, não diga que eu não avisei), o filme conta a história de Dexter e Emma, que se conheceram na noite em que eles se formaram, na Universidade de Edimburgo em 1988, e concordaram em manter a amizade e visitar um ao outro na mesma data todos os anos para ver como estão suas vidas. Embora ambos passem por diversos envolvimentos românticos, eles têm uma ligação especial que não conseguem explicar.
Na verdade só consegui me emocionar no filme quando ele sobe a colina com a filha, mas enfim, eu sempre tive a fama de ser um pouco insensível mesmo, então eu não esperaria muito de mim.
Encontros, reencontros e o que ficou. Afinal, não é disso que a vida é feita? Queria realmente ouvir a história de uma pessoa que conheceu alguém e nunca mais, em momento algum dos 77 anos (segundo o IBGE) que uma pessoa pode viver, a reencontrou, ao menos por alguns segundos.
A coisa que mais vai acontecer na sua vida é reencontrar pessoas. Por menos que você queira ver fulano ou ciclano pintado de ouro na sua frente, ele(a) vai voltar para a sua vida, mais cedo ou mais tarde.
E não pense que são somente os outros, os que chamamos de carma (ok, nem todos, pois a maioria, “leia-se eu” pelo menos, fico bem feliz quando voltam a fazer parte da minha vida), que voltam para nós. Inconscientemente, ou não, eu, você, ela, ele, o vizinho, o amigo, também acabam voltando para a vida de alguém.
Ou, há casos que, simplesmente, não queremos sair. Existe muita gente, que eu sei, que eu deveria ter me afastado faz anos, mas por algum motivo não consigo. O que chega a ser algo meio kamikaze, já que é uma relação autodestrutiva.  Por mais que eu queira, espere, briga, xingue, trate bem ou ame, a pessoa nunca mudará.
Até porque, se fosse mudar, depois de todos esses anos, já o teria feito. É triste, enfim, é algo que eu sinto que devo fazer. E provavelmente nunca me acrescentará em nada, além de alguns socos no estômago e o fim do pouco de autoestima que ainda me resta (acho que isso, nem tenho mais).
Em contrapartida, há muitas surpresas acontecendo. Muita gente que eu pensei que nunca mais viria na vida reapareceu. Ligou, acertou o que tinha se partido. Mas alguns até mesmo nem precisaram dizer nada; já se passou tanto tempo que a culpa fica na imaturidade da adolescência.
E provavelmente muitas besteiras serão feitas. Muitas palavras idiotas serão ditas e muitas brigas serão travadas. Mas enquanto as pessoas tiverem a consciência de que não são somente elas (e eu generalizo e me incluo nesse bolo todo) que tem razão, os encontros e desencontros continuarão acontecendo. Encontros amorosos ou de amizade.
Aliás, as relações de amizade me chamam mais a atenção do que os reencontros amorosos. Muita gente se esquece do que os outros fazem, e na hora da raiva, acabam falando besteiras, para quem não deve. É triste, mas todo mundo sabe que 90% das pessoas que estão do seu lado só te tratam bem quando precisam de um favor. Por isso, saiba distinguir quem são os 10% e cuide bem. Tem gente que olha tanto para dentro de si mesmo, que provavelmente um dia irá virar do avesso.

As pessoas descartam umas as outras com grande facilidade. É complicado, difícil você ver alguém cabisbaixo e ter a dignidade de perguntar o que acontece. Ou lembrar-se de fazer um convite, antes que pareça forçado. Lembrem-se de que os reencontros sempre acontecem, e é impossível estar por cima sempre.
         Porém, quem sabe, de tudo isso, não sobre algo bom. Algo que deveria ficar marcado e apagará tudo o que de ruim aconteceu. Afinal, o que importa é o hoje. O amanhã está muito longe e ninguém nos garante que vamos conseguir chegar tão longe.
Eu, que não sei praticamente nada da vida, dou um conselho. Pare, pense e olhe a sua volta: Olhe para todo mundo que convive com você. Preste atenção como você trata as pessoas; uma brincadeira pode magoar e uma palavra áspera sem sentido, ferir.
Entre esses encontros e reencontros, tente fazer o melhor para que, um dia, quem sabe, você possa subir uma colina e encontrar lá no topo só momentos bons.



Um dia...
Um dia, quem sabe, eu te encontre.
Um dia, quem sabe, em uma distração qualquer do destino, você esteja no mesmo lugar que eu estarei, no mesmo minuto.
Um dia, quem sabe, você pare de olhar através de mim, e me enxergue realmente.
Um dia, quem sabe, você vai prestar atenção no som da minha voz.
Um dia, quem sabe, você vai confiar a mim, algo que ninguém nunca sonhou em saber.
Um dia, quem sabe, você vai pegar na minha mão. Só pela sensação de que eu não irei a lugar nenhum sem você.
Um dia, quem sabe, você vai querer passar a noite toda acordado, conversando e rindo.
Um dia, quem sabe, você não vai querer fazer planos comigo. Pois o amanhã demora muito, e o presente é mais urgente.
Um dia, quem sabe, eu vou olhar para você e me perguntar porque você demorou tanto.
Um dia, quem sabe, você fará toda essa espera valer a pena.
Um dia, quem sabe, isso não pareça apenas palavras.
Um dia, quem sabe, isso não seja apenas enredo de um filme.
Um dia, quem sabe, algo real aconteça.
Um dia, quem sabe, você me cure.
Um dia, quem sabe, eu conheça essa sensação de felicidade.
Um dia.... Quem sabe... Um dia!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Menina meiga, mas nem tanto

Para ser sincera, sempre tive certo preconceito com os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme. Nunca achei que foram tão “UAU” quanto eu esperaria de um longa premiado com tal honraria.
Mas o trailer do Cisne Negro (Black Swan, 2011) me chamou atenção; queria ver realmente como o diretor e os atores conseguiram traduzir num simples cenário de balé algo tão dramático e transformador como o sofrido pela personagem – ou seja, a menina meiga se transformando na megera ou bitch, como preferirem.
Há duas maneiras de interpretar o filme: você pode pensar em obsessão ao extremo ou a queda da inocência – ou ainda cortar toda a manipulação externa e viver aquilo que se quer; eu prefiro pensar em um misto de todas essas coisas com certos agravantes.
Nina Sayers (Natalie Portman) é uma bailarina quase no auge da carreira. A primeira vista ela é bem sem sal e sem açúcar – ok, eu sempre achei ela sem tempero nenhum. Uma garota meiga, confusa, insegura e que ainda não conseguiu se libertar nem da mãe, muito menos da infância, apesar dos seus 24 anos. Ela vive o que os outros querem que ela viva.
Com a aposentadoria de uma das bailarinas, Beth MacIntyre (Winona Ryder), que até então era a Rainha dos Cisnes, Nina tem a chance de tentar o posto de “supra-sumo” do Lago dos Cisnes. Para isso, ela precisa ser escolhida por Thomas Leroy (Vincent Cassel), diretor da companhia de Balé em Nova Iorque. E claro, como todo homem no meio da mulherada, banca o Don Juan geral na meninada.
É então que a trama começa. Nina é aquela personagem chata: a menininha insegura e perfeccionista – daquelas que você tem vontade de dar um tapa na cara para ver se acorda. E toda essa pressão é entendida pelo comportamento de sua mãe, a bailarina aposentada Erica (Barbara Hershey).
Erica é certamente a primeira causa do surto de Nina: mulher amarga e possessiva que a trata como uma criança, controlando seus horários, o que come, o que veste e ainda a deixando em um quarto totalmente infantil – daquele tipo que só falta pegar na mão e deixar na porta do ensaio. Ou seja, 200% controladora; ela trata a filha como uma bonequinha de luxo em forma de gente. Não demora muito para Nina surtar.
A obsessão pela perfeição começa quando Nina se depara com Lily (Mila Kunis), uma bailarina vinda de São Francisco e totalmente fora do normal; se Nina tende a ser perfeita, Lily é seu oposto, porém consegue o mesmo resultado que Nina, o que a deixa mais enfurecida ainda por ofuscar o momento que deveria ser dela.
Toda pressão de ser perfeita começa a surtir efeitos, muito bem explorados pelo diretor Darren Aronofsky, que consegue causar arrepios nas cenas em que a unha, ou um pedaço de pele se solta da personagem principal. Nina começa a se arranhar e a metáfora de que ela está passando de Cisne Branco para Cisne Negro começa no momento em que ela realmente imagina ter pedaços de penas saindo dos lugares onde estava arranhado.
Nina é perfeita para ser o Cisne Branco, mas não tem personalidade o suficiente para se tornar o Cisne Negro – e no Lago dos Cisnes, a transformação tem que ser feita com a mesma bailarina.
Toda essa pressão, mais a concorrência de Lily fazem Nina se transformar por completo; parece que acorda do torpor da vida que levava. O primeiro passo é se desprender a lunática e amarga mãe; depois Nina começa a perceber que ser boazinha o tempo todo, de nada vai lhe adiantar.
De que adianta ter sido boazinha a vida toda se no momento em que ela precisou se impor, surtou de uma tal maneira que acabou com a própria vida? Ela viveu uma vida que não era dela; e quando começou a realmente ter controle sobre tudo o que queria as alucinações e o medo de que Lily tomasse seu lugar foram iminentes.
Na verdade, no fundo Nina queria ser como Lily; livre, sem preocupações e com luz própria. Nina nada mais era do que uma garota que decorou muito bem os passos de balé, quando na verdade era preciso muito mais para se tornar uma bailarina completa. Ela não fazia isso porque que queria, por paixão, e sim porque alguém a estava mandando. Neste caso, por pura pressão da mãe. Provavelmente o único lapso de vontade própria da personagem acabou com ela totalmente pirada entre a transformação de Cisne Branco para Negro.
A fotografia do filme é boa e os atores realmente se esforçaram para incorporar o papel na dança, apesar de que em muitas cenas é dá para ver claramente o uso dos dublês. E Natalie Portman não ficou com muito trejeito de bailarina em algumas cenas.
Um bom filme, não brilhante, mas que consegue captar um pouco da angústia de ter que ser perfeito o tempo todo, e de passar os dias querendo algo que não sabe se é aquilo mesmo; de fazer as coisas por fazer, até surtar.

Mais cedo ou mais tarde, todo bonzinho larga a máscara angelical de lado e acaba surtando.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pessoas que encontramos pela vida

Depois de muitas recomendações, ontem o Telecine colaborou comigo e eu assisti 500 dias com ela (ou 500 Days of Summer), de 2009. O filme é muito ruim. Basicamente aquele velho lero-lero de Hollywood sobre o cara que encontra a menina, se apaixona, toma um pé na bunda, fica na fossa, supera tudo e fim. Ou seja, nada do que você ainda não tenha visto antes, tanto na ficção, quanto na realidade.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) conhece e se apaixona pela colega de trabalho, Summer (Zooey Deschanel). O diretor do filme conta a história como se ela fosse pequenos clipes; intercalando os bons e maus momentos. O detalhe da trama é que, diferente de outros filmes água com açúcar, os papéis são invertidos: normalmente a mocinha sofre de amores pelo mocinho que a renega. Inverta isso e terá o enredo do longa. Bom, até esse ponto é uma grata surpresa; é tão difícil fazerem os machões chorarem de amor pelas mulheres.
O problema da história de amor dos dois é que Summer não acredita no amor (ok, não que isso seja o fim do mundo, vamos deixar claro); ou seja, ela não está ligando nem um pouco para o que Tom sente. É algo tão casual que se Tom largar Summer, ela nem vai ligar. Mas é claro que é o oposto que acontece e quando Summer larga Tom, ele fica na fossa.
E é nesse ponto que eu quero chegar. A Summer é a personificação da pessoa filha da puta (ok, desculpe o palavrão, mas não achei nada melhor para descrever). Quem nunca encontrou uma pessoa assim na vida? Olha, se você nunca encontrou agradeça, porque não é fácil lidar com alguém assim.
Summer sabe que Tom é apaixonado por ela (e não é tão difícil descobrir quando alguém está apaixonado; tem um letreiro luminoso piscando na testa incansavelmente), e sabe que ele fará tudo para conquistá-la. E Summer, na falta de ter o que fazer (sabe aquele tédio que bate ás vezes, pois é, ela deveria estar entediada) dá corda para Tom. É aquela velha história: não tenho nada para fazer, ele gosta de mim, vou lá gastar meu tempo. Depois se eu mudar de ideia eu invento algo e desapareço.
Só que Summer é aquele tipo de pessoa que pouco se importa. Ou seja, para ela tanto faz se durar um dia, uma noite ou vários meses. Um belo dia ela vai acordar e mudar de ideia, cansar e partir para outra.
E é claro, que pessoas que são filhas da puta iguais a ela pouco se importam com quem está ao seu redor. É um tipo de egoísmo humano desenfreado, de andar de cabeça baixa olhando somente para o próprio umbigo.
Ao invés dela dizer a Tom que não queria mais, ela foi se tornando fria e distante. Até sumir. E a pior coisa que alguém pode fazer para quem está apaixonada é sumir; isso é a maior das covardias que o ser filho da puta pode fazer – e é claro, que ele sempre faz, já que não tem coragem de encarar a realidade.
No final, depois de recuperado (porque todo mundo sempre se recupera, por maior que seja a rasteira que uma Summer tenha te dado), Tom acaba a reencontrando e descobre que ela casou. E que ela estava com outro enquanto dançava com ele, alimentando os sentimentos do rapaz, sem que ele soubesse de nada. Sabe aquele tipo de coisa: “olha só, ele ainda gosta de mim; como eu sou foda”.
O que mais me desanima nos relacionamentos é isso. Encontrar esse tipo de gente que não liga para exatamente nada; nem para ela mesma, se duvidar. Acho que são coisas tão desnecessárias, sem sentido.
Gosta, então goste de verdade. Se gostou e agora não gosta mais, diga, explique, deixe isso claro. Agora criar a expectativa e deixar a pessoa ali, isso não se faz. Por mais que você seja seguro de si e do que quer. Há certas coisas que somente seres filhas da puta conseguem fazer sem sentir remorso.
É aquela velha história: Se não tiver coração, que pelo menos tenha consciência de que você pode afetar positivamente ou negativamente a vida de alguém com apenas um gesto. Sinceridade é tudo; ninguém vai morrer ao ouvir: “não te quero mais”, mas certamente o desaparecer sem explicação vai deixar muitas marcas.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

É apenas um sonho?

ATENÇÃO AMEBA: Esse post é uma critica ao filme A Origem e a várias cenas do mesmo, se não quiser saber o filme NÃO LEIA... Eu avisei.

Esqueça tudo o que eu já disse, pensei ou escrevi sobre viver no Mundo de Alice, acordar em uma realidade alternativa. É tudo simples demais diante da complexidade do filme A Origem.
A Origem nada mais é do que um simples filme de roubo, entraria facilmente na categoria filme de ação. Só que um roubo em uma complexidade maior. Não é um simples roubo a banco, joalheria ou qualquer outro local físico. É o roubo de ideias, informações e memórias. É entrar na mente e roubar informações, usando o método mais simples que existe: dormir.
Ou seja, podem querer comparar, mas A Origem, ao meu ver, não tem relação nenhuma com Matrix. São conceitos e desenrolar totalmente diferentes, por isso, não adianta assistir querendo comparar os dois filmes.
Sonhos. É através deles que há o roubo das informações. A pessoa é colocada para dormir com a ajuda de um sedativo, cria-se dentro da mente dela, ou seja, uma realidade alternativa onde é possível manipular a pessoa para que ela acredite que aquilo é real. Simples assim, a informação necessária é retirada de sua mente, sem que se perceba. É como acordar de uma noite de sonhos, sem vestígios ou rastros deixados para trás como prova.
Seria um crime perfeito, se não fosse por alguns detalhes primordiais. Quando você, eu e todos nós sonhamos, sempre aparecem memórias pessoais. Podem ser lugares, pessoas, objetos ou situações já vividas. Por isso mesmo, quem faz o cenário do roubo precisa deixar de lado tudo o que conhece, para criar um mundo sem interferência da própria mente.
E esse é o maior problema mostrado no filme. Dom Cobb (Leonardo Dicaprio) é atormentado por uma lembrança que ele mesmo não quer esquecer: sua mulher (ou ex-mulher) Mal (Marion Cotillard). Isso sempre o atrapalha quando o assunto é roubar informações através dos sonhos. Como ele a mantém presa, ela sempre reaparece para dar fim ao plano de roubo dele.
O problema fica maior quando Cobb tem a missão de inserir e não mais roubar ideias. Ele faz isso em troca de sua liberdade, já que é acusado de matar Mal e sendo assim, nunca mais poderá rever seus filhos (que também estão presos em sua memória). Para invadir a mente de Fisher (Cillian Murphy), Cobb recruta uma nova arquiteta de sonhos, Ariadne (Ellen Page).
Arquiteta de sonhos nada mais seria do que a pessoa que monta o cenário dentro da cabeça de quem será invadido. É como se pudéssemos escolher o que vamos sonhar; quanto mais detalhes, mais a pessoa vai sentir que aquilo é real. Mas o problema ao invadir a mente de Fisher é o fato de que eles terão de colocar algo e não retirar. Para isso toda a equipe terá que ir mais fundo; ou seja, um sonho dentro de um sonho, que resulta em um sonho. Três níveis de profundidade.
É deste ponto que o filme começa a ficar emocionante. Toda a arquitetura, os conflitos, disfarces e o medo do fracasso são potencializados pelas relações externas, como a sagacidade de Fisher de ter a mente treinada contra este tipo de invasão e o fato de Cobb ser dominado pelo seu passado, que só Ariadne sabe qual é e tenta fazer a todo custo com que Cobb o deixe para trás.
Impossível não fazer relação do filme com a realidade. Como por exemplo, o chute, que é uma das técnicas usadas para acordar. O chute consiste em derrubar a pessoa, ou tirar o seu centro de gravidade. E o que acontece quando alguém sonha que está caindo? Acordamos, de certo.
Outra maneira de acordar em A Origem é matar a pessoa no sonho. O que também condiz a realidade. Dificilmente alguém sonha que está sendo morto e não acorda. Assim como o filme mostra que quando alguém apanha no sonho, acaba se lembrando disso quando estiver acordado. Ou ninguém nunca acordou imaginando que caminhão o atropelou durante a noite?
Sonhos são estranhos. Quase nunca me lembro do que sonhei. Mas tenho sonhos que se repetem, aliás, um que anda se repetindo e que perdura por quase um mês. Acho que os sonhos são a revelação de todo o nosso subconsciente. Das coisas que fugimos ou que não entendemos. É uma maneira de aprender algo ou de entender determinada situação.
Ainda quero aprender a ver o significado dos sonhos. E na verdade, me encanta muito o fato de sonharmos coisas inacreditáveis, tanto com pessoas, lugares e até mesmo situações. Quão complexa nossa mente é, para formar essas situações?
E quando você não consegue lembrar se a situação aconteceu em sonho ou na realidade? Não sei se aconteceu isso já com alguém, de ter pensando que falou ou fez algo e quando se deu conta, apenas tinha sonhado com isso. Não é raro eu parar para pensar se eu sonhei ou realmente aconteceu.
Não é raro eu sonhar com situações que ainda vão acontecer; já acordei diversas vezes assustada pensando: “Ah, não, como eu fui sonhar isso com essa tal pessoa; ou que lugar é esse?” pode não demorar muito e bingo! o sonho vira verdade. Mas o problema é que eu só faço relação do sonho com o real algum tempo depois.
Acho que meu subconsciente fala demais comigo; e é por essas e outras é que começo a ter medo quando sonho muito com a mesma coisa. Atualmente meu sonho diário diz respeito a eu ser atropelada, em um semáforo que atravesso todo dia. Era fim de dia, saída do trabalho (sei por que estava de uniforme) um carro preto passa no sinal fechado e me atropela e fim, não resisto. Se alguém souber o significado disso, agradeço.
Falando em não entender sonhos, o final de A Origem me fez pensar se sabemos realmente a diferença de estar sonhando ou acordado. Cobb estava sonhando ou no mundo real quando reencontra os filhos? Pelas roupas e jeito das crianças, ele estava sonhando. Mas ainda tenho minhas dúvidas, já que posso pensar que no filme inteiro Cobb estava sonhando dentro de vários sonhos; uma linha infinita.

Então, tudo é apenas um sonho?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Give me a break

Eu queria dormir e acordar em uma realidade alternativa. Não estou falando de tomar chá de cogumelo, muito menos de ingerir qualquer outra substância alucinógena. Se por um dia, apenas um dia você pudesse ter e ser tudo aquilo que imaginou. Já pensou como seria?
Todo mundo precisa de um tempo. Ainda mais quando se bate sucessivamente na mesma tecla. As repetições cansam e muitas coisas perdem o sentido. Não há quem agüente – não pelo menos mantendo a sanidade em dia. É o famoso: “pare o mundo que eu VOU descer”.
E se você pudesse ter um dia só seu, do jeito que quer pode imaginar como ele seria? E se depois de fazer tudo o que gostaria, de se sentir bem, descobrisse que alterou drasticamente as coisas. Ou seja, mudou sua realidade e quando voltou, tudo ficou diferente.
É mais ou menos isso que acontece no último filme do Shrek, intitulado de
Shrek Para Sempre. No primeiro filme ele era um ogro, que não queria mudar de jeito nenhum. No segundo ele continuou resistindo a mudança, mas teve que admitir que mudar era bom. No terceiro, veio a mudança mais drástica: três pequenos diabos, quero dizer, filhos para alegrar a vida do ogro.
E o que aconteceu nesse meio tempo? Ora, o que acontece com todo mundo que “muda”. Ninguém aceita que precisa mudar. É a velha história: Casados sentem falta da solteirice; os solteiros sentem falta de quando estavam namorando e por aí vai.
Ninguém nunca está satisfeito. O problema é quando o copo enche demais e a paciência e a saudades do passado transbordam. O que fazer? Bom, Shrek trocou a vida boa de casado e pai de três diabretes por um dia de solteiro, quando assustava todo mundo e se sentia o máximo.
E claro que até mesmo nos contos de fadas (ou pseudo contos de fadas) as ações têm conseqüências. E Shrek fez um acordo com Rumpelstiltskin (quem leu os contos dos Irmãos Grimm vai se lembrar dele. Quem não leu, está na hora de ler). Shrek queria um tempo então trocou um dia do seu passado por um dia para voltar ser aquele ogro de antigamente.
E quando você aparentemente muda, tudo muda. Ou seja, Shrek não salvou Fiona, não teve filhos e o reino de Far Far Away na verdade é de Rumpelstiltskin; o vilão. E o que acontece? Ora, o obvio: Shrek começa a sentir falta de tudo aquilo que ele tinha. É o famoso clichê: “só nos damos conta do que temos quando perdemos tudo”.
Para a sorte, Shrek pode voltar para boa e velha vida de ogro casado e pai de três fofuras. Bastava apenas ele dar um beijo no seu amor verdadeiro (ou seja, um ótimo gancho de união entre o primeiro e o último filme). Não que esse último filme seja ruim. Mas ele é bem mais sentimental que os outros, mas ainda muito melhor que o terceiro. Porém não supera o primeiro, que tinha muito mais ironia e acidez.
Mas, mesmo assim foi uma boa despedida para o ogro e sua família de contos de fadas quase perfeito. Pelo menos a Disney se deu conta que seus contos de fadas são ultrapassados e só servem a um propósito: Servir de chacota para animações do gênero.
A trilha sonora também não é de todo mal. Fecharam com chave de ouro ao escolher a música tema do primeiro filme, "I'm a Believer" do Smash Mouth. Uma das coisas que eu mais gosto do filme decididamente é a trilha sonora.

Resumindo: O que dá para tirar de lição do filme a não ser que o Gato de Botas ficou ainda mais meigo balofo e o Burro sempre será o Burro?
Simples: Mudar não é fácil. As pessoas se acomodam demais àquilo que tem e esquecem que há outras opções ao seu redor. A comodidade é o que mais me irrita no ser humano. Vive-se uma vida “infeliz”, conformada e maçante só porque se está muito mais seguro naquilo que é conveniente do que no desconhecido.
E qual é a graça disso? A vida é muito curta para viver acomodado a algo que nem lhe interessa mais. Qual é o problema em mudar? Ninguém consegue viver a mesma vida o tempo todo.
Todo mundo precisa de uma realidade alternativa. De acordar um dia e decidir que já é hora de se mover; que a vida em círculos não tem graça alguma.
Assim como todo mundo precisa de um tempo. Um tempo para tentar fazer as coisas certas; e um pouquinho de ajuda nisso não faz mal a ninguém. A não ser que você seja o House, todo mundo precisa e até mesmo merece uma chance.
Já imaginou quantas oportunidades não está perdendo nesse tempo todo? E há oportunidades que não voltam mais. Nem todo mundo tem a pode ter o luxo de sair do lugar comum, encontrar o que quer perder e recuperar. Isso só acontece nos filmes; ou melhor, só acontece no Shrek.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu não preciso de uma casquinha

Tudo acontece em Elizabethtown (2005) é um filme antigo. Mas que fala sobre coisas interessantes sem cair na mesmice. É um filme bobo, mas não necessariamente pode ser rotulado como água com açúcar. E porque eu estaria falando de um filme tão velho por aqui? Simples: Primeiro porque nunca falei dele, segundo porque tem frases e teorias muito interessantes, que vão de encontro com várias coisas que ando escrevendo por aqui.
O filme começa de um jeito totalmente diferente dos outros. Com o protagonista tentando se matar. Primeiro ele descobre que nem para isso ele presta. Depois é a vez de ser interrompido pela morte de seu pai; e é ele quem precisa ir até a cidade que ele morreu fazer os preparativos para o enterro.
E nessa jornada o protagonista encontra a mocinha. E ao contrário dos demais filmes, a mocinha não é tão “boazinha” assim. Ela é cheia de teorias e frases feitas e realistas. Uma mistura de uma pessoa autoconfiante que sabe o que quer, mas também extremamente carente (e eu não estou falando de mim, mas sim da personagem, só para deixar claro). E são justamente essas frases e teorias que mais me fascinam no filme.
Claire (a mocinha meio má) explica a teoria que eu mais gosto. A que algumas pessoas são pessoas substitutas. Para explicar melhor: Sabe no filme, aquele personagem que só está ali para fazer o papel de “melhor amigo(a)”? Pois é, essa é uma pessoa substituta. Ela está ali para “tapar um buraco”, mas nunca para brilhar.
É muito parecida com a teoria do estepe. Ou seja, é uma pessoa que está ali apenas para fazer número. Isso não quer dizer que ela vá (ou não) ocupar um papel de destaque na vida de outrem.
E quem nunca foi uma pessoa substituta? Aquela pessoa que aparece na nossa frente só quando ela precisa. Nada definitivo, somente para preencher um vazio necessário e momentâneo – ou para a pessoa sair da rotina.
Não importa por qual motivo seja. Todo mundo já foi – ou ainda será uma pessoa substituta. Ou seja, não se assuste se você for descartado – ou substituído em um piscar de olhos. E lembre-se que isso vai acontecer no momento em que você achar que vai ocupar o papel principal. Então nunca se esqueça que “melhores amigos” serão eternamente melhores amigos e nada mais. ATENÇÃO: quem assiste a filmes conhece essa analogia.
Mas, Tudo acontece em Elizabethtown não tem só essa teoria que eu acho valiosa. Tem um diálogo muito interessante entre o protagonista e a mocinha. Mais uma mostra de que esse não é um filme “tradicional”. Primeiro porque em qualquer filme tradicional a mocinha é tonta, segundo porque ela nunca renegaria o protagonista:

Drew: You’re kind of great, Claire. You do know that. Sort of amazing, even.
Claire: Oh, come on! I don’t need an ice cream cone.
Drew: It’s not an ice cream cone. What’s an ice cream cone?
Claire: You know. “Here’s a little something to make you happy. Something sweet that melts in five minutes.”

Ou seja, traduzindo: “Eu não preciso de uma casquinha. Você sabe. Aqui está alguma coisinha pra te deixar feliz. Alguma coisa doce que derrete em cinco minutos”.
Quer frase mais realista do que essa? Porque todo mundo pensa que precisa dar alguma coisa para ver alguém feliz. Principalmente quando precisam dizer algo ruim. É como se fosse um “bate, depois assopra”. Ninguém precisa de uma casquinha; algo que só vai alegrar por alguns minutos.
E porque eu gosto tanto dessas teorias e frases? Porque elas são reais! É fácil ser uma pessoa substituta (eu já fui por várias vezes e serei até o momento que alguém decidir que eu posso ser uma protagonista).
O que eu não gosto nisso tudo, é das pessoas quererem “dar uma casquinha”. Não preciso de algo momentâneo, que dure pouco tempo só para me sentir bem. A realidade me atrai muito mais do que o mundo da imaginação.
Toda pessoa substituta sabe que mais cedo ou mais tarde alguém vai oferecer uma casquinha “pelos serviços prestados”. O problema é que nem todo mundo quer essa casquinha.

E as duas frases vencedoras do filme:


"Você tem 5 minutos para se entregar a tristeza profunda: curta-a, abrace-a, descarte-a e prossiga"

I'm impossible to forget, but I'm hard to remember - "sou impossível de esquecer e difícil de se lembrar".


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quando tudo parece dar errado

Já que não consigo ver filmes atuais (leia-se lançamentos), vou tentando me atualizar à medida que o Telecine permite que eu faça isso. Esse final de semana assisti dois filmes. Um, o horrível Guerra ao Terror nem vale a pena ser comentado.
Aliás, se alguém quiser “ver mais do mesmo” pode assistir a esse filme. Aliás, mais um filme de guerra (?) que mostra os americanos como coitadinhos em uma guerra que eles mesmos provocaram. Viram algum sentido nisso? Não, e nem tentem, pois não há. E eu que achei que a mediocridade americana de se fazerem de coitadinhos na guerra havia parado no desastre do Vietnã.

Voltando.

O outro filme se chama A Vida Secreta das Abelhas, de 2008. (E sim, esse também é um filme do estilo “mais do mesmo”, mas todos os filmes são). E, ao contrário do que eu imaginei quando li o título, não é uma animação, muito menos um filme infantil. Muito pelo contrário; ao que eu me lembro, esse é o primeiro papel em que vejo Dakota Fanning interpretando uma adulta, e não mais uma criança como ela sempre fez.
E o filme fala justamente disso, de amadurecimento, crescimento, encarar as dificuldades e perceber que a vida não é cor-de-rosa. Um filme que pode muito bem ser rotulado como sendo do gênero “água com açúcar”. Apesar de andar meio longe desse estilo, esse filme me instigou.

Na trama, Fanning vive Lily, uma menina com uma vida difícil. Aos quatro anos, por sua culpa, sua mãe morreu. Dez anos depois ela vive com o pai abusivo (Paul Bettany, ótimo), rancoroso pela morte da esposa, e a empregada negra Rosaleen. O ano é 1964 e a luta pelos direitos civis dos negros está em um de seus mais tensos momentos. Um acontecimento dramático, porém, leva ambas a fugir de casa em direção ao apiário da Nossa Senhora Negra: uma imagem gravada em uma caixinha da mãe de Lili. Lá conhecem August Boatright (Queen Latifah) e suas irmãs, June (Alicia Keyes) e May (Sophie Okonedo), que fazem o melhor mel da Carolina do Sul - e mudam a vida das duas para sempre. Fonte: Omelete.

Até aí, nenhuma novidade. Mais um filme como tantos outros que já foram produzidos. E porque eu o achei diferente. Simples, ele mostra uma pequena realidade que todos nós vivemos (ou viveremos) um dia. O de pensar que não nos encaixamos no mundo, de pensar que tudo o que tocamos vira pó e se desfaz.
A protagonista do filme deixa isso muito claro. O desejo dela de fazer as coisas corretas é inversamente proporcional as coisas boas que acontecem ao seu redor. É a velha teoria: quanto mais se tenta agir corretamente, consertar tudo, mais as coisas se quebram e saem dos eixos.
Aliás, a diretoria do longa-metragem poderia muito bem deixar de maquiar tanto a realidade; o filme é carregado de um eufemismo exagerado e sem nexo. Quando eu vi, pensei em algo mais realista e não tanto Hollywoodiano como foi retratado. A maquiagem só serve para disfarçar, esconder imperfeições que ninguém quer ver. Ponto novamente para a Sociedade do Espetáculo; já que é isso que as pessoas querem ver, vamos lá.
Mas não é Lily e sua busca por se encaixar no mundo que mais me chamaram a atenção. Na verdade há uma personagem mais forte de todo esse filme, sem ser a pobre menina. A minha personagem preferida na trama é May, espetacularmente interpretada por Sophie Okonedo. Aliás, as três irmãs (que eram 4) tem nomes provenientes do calendário justamente porque sua mãe gostava da primavera e do verão.
May tinha uma irmã gêmea, April que faleceu quando ainda eram crianças. Desde então May parece que divide as angústias do mundo com todo mundo. Ela sente e sofre todo sentimento mal que está perto dela. É como se ela carregasse o fardo do mundo.
E quem nunca se sentiu dessa maneira? Carregando o fardo dos outros, vivendo problemas que não lhe dizem respeito; sofrendo por coisas inevitáveis e também por aquelas que todos nós já sabemos no que vai resultar.
Essa mistura entre Lily e May é o que mais me intriga no filme. Todo mundo quer se encaixar, perceber que não está só, e que também não é culpado por tudo. Todo mundo carrega uma dor que não é sua, mas que precisa carregar para aliviar outra pessoa – mesmo que essa pessoa pouco se importe com você, ou nem se dê conta da sua presença.
E o principal: Todo mundo quer ser amado, quer ter a sensação de que não é culpado por todos os problemas do mundo. Que não está sozinho e que tem alguém ali que realmente se importa com você.
Dentre tudo o que é retratado no filme, essa última parte ainda é a mais complicada: Complicada de entender e de se achar. Porque quando tudo parece dar errado, é o momento que você se sente mais sozinho, sente que só faz coisa errada e que não há ninguém disposto a cuidar de você e dizer que isso tudo vai passar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mais um filme de catástrofe em uma catástrofe de cinema

Esta é uma resenha crítica (no sentido literal da palavra mais uma vez) do filme 2012. Ou seja, se você ainda não viu o filme e quiser ver, pare de ler quando eu escrever PARE; a não ser que você esteja em dúvida se vai ou não ver. Continuar a ler depois de determinado ponto é por sua conta e risco. Mas antes de falar sobre o fim do mundo, destruição e prédios caindo, vamos fazer duas outras críticas: Uma direcionada a rede Moviecom outra direcionada as pessoas que vão ver filmes no cinema.

Primeira: Moviecom é a única rede de cinemas existentes na fatídica cidade de Jundiaí; não temos outra opção além de pagar o preço absurdo por um cinema de qualidade não tão boa e enfrentar filas e mais filas porque o atendimento online não funciona e os guichês de auto-atendimento ficam mais quebrados do que funcionando. Além disso, a rede resolve deixar em cartaz certos filmes por meses e deixam de exibir outras estréias. Quer ver filme? Vá a outro cinema, em outra cidade porque aqui você não vai conseguir. Sem falar que tem filme que nem tem opção de cópia dublada ou legendada. Resumindo: que orgulho de ser obrigada a ver filme na Moviecom. E já ia me esquecendo, não estranhe se você assistir filme desfocado, sem enquadramento ou se no meio do filme eles pararem a exibição para acertar esses detalhes; é super normal isso acontecer.

Segundo: Cinema não é barato. Não sou mais estudante, então pago quase que 16 reais para ver o filme. Minha mãe me ensinou que no cinema nós fazemos silêncio e respeitamos quem vai assistir ao filme; ah, e não pode colocar o pé na cadeira e também não pode chutar a poltrona da frente. Entrei no cinema para ver 2012 e na última fileira tinha um bando de crianças fazendo zona, logo pensei que os pestes iam dar trabalho durante o filme. Mas, para a minha surpresa foram outras crianças e um adulto responsável que deram trabalho. Três pestes sentadas na fileira atrás da minha não paravam de falar e reclamar o filme todo. E para ajudar, o responsável e pai de uma das pestes resolveu que chutar a cadeira da frente (a minha) ia ajudar a passar o tempo; as crianças que façam zona e conversem alto que ele nem falou nada; outros reclamaram mas “xiu” não faz efeito. Deixando bem claro que o espaço entre uma fileira e outra é relativamente grande; sem motivos para encostar a perna na poltrona da frente. Provado realmente que educação vem do berço. Temo por quando essas crianças forem adolescentes.

Vamos ao filme. SE VOCÊ QUER VER 2012, PARE POR AQUI; NÃO PROSSIGA. VOCÊ FOI AVISADO.

Na verdade eu estava curiosa em saber o que eles fariam com a previsão dos Maias sobre o fim do mundo; diga-se de passagem, mais uma previsão entre tantas que talvez não se concretize, até 2012 tem chão. Ok, eu confesso que alinhamento de astros provocarem superaquecimento dentro da terra é um pouco demais. Mas a parte dos desastres naturais é bem realista, de certo modo.

O que eu vi foi uma mistura de todos os filmes de catástrofe já feitos por Hollywood. Conforme as cenas foram passando era notável saber de que filme aquilo foi retirado. Ou seja, mais do mesmo como sempre. Tudo bem que eu sei que quando você vê um filme uma vez, você verá todos que ainda serão produzidos. Mas 2012 extrapola todas as expectativas da mesmice.

Primeiro a cena clássica: Um americano descobre o fim do mundo (ok tem um indiano no meio, mero coadjuvante). Depois é claro que eles escondem o fato do resto do mundo e só o G8 vai saber; Adeus Brasil, os pobres continuam morrendo.

Depois a outra cena clássica da família americana desunida: o pai vagabundo e a mãe recém-casada com um partidão; a filha pequena com problemas noturnos de molhar a cama adora o pai, o menino odeia o pai e idolatra o padrasto.

E é claro que o pai leva os rebentos para acampar justamente onde está uma base dos EUA que estão cuidado das catástrofes que vão acontecer e conhece o americano salvador da pátria que está comandando as forças anti-2012.

Depois o que se vê é a maior cena de marmelation que já se viu em qualquer filme. A cidade toda sendo engolida por um gigantesco buraco e o protagonista consegue sozinho, com uma limusine desviar dos prédios, rodovias e do chão se abrindo sem arranhar a pintura do carro. Consegue chegar a um aeroporto, ainda intacto e coloca o padrasto das crianças para pilotar o avião; super simples pilotar o avião. Saem de lá sem nada, ilesos.

A cena mais intrigante é a destruição do resto do mundo: dura eu acho que nem 1 minuto e mostra o Cristo (a única coisa que gringo conhece do Brasil) sendo destruído e a GloboNews transmitindo (pagou quanto dona Rede Globo?). Não sei como ninguém reclamou da cena, afinal fizeram um escarcéu quando filmaram Turistas.

Depois de mais e mais cenas de marmeladas, eles descobrem que foram construídas arcas (que original não? Quantos filmes que você já viu que as pessoas constroem arcas?) para salvar a população. E adivinhem só: quem pagou mais leva; adeus pobres, vocês continuam morrendo. E a desculpa pra venda dos “ingressos” é a mesma; salvar as pessoas e financiar a construção. Digno

Detalhe que essas arcas estão na China e eles vão voando até lá, em um outro avião sem ninguém saber pilotar, o combustível acaba, mas milagrosamente a China está mais perto pelo deslocamento da terra; surpreendente.

É claro que esses se salvam, o padrasto morre, mamãe e papai se reconciliam o pequeno acha que papai é herói e a pequenina para de fazer xixi na cama. E os Estados Unidos salvaram a humanidade mais uma vez.

Os efeitos especiais valem à pena. Só. Porque do resto nada que você já não esteja cansado de ver. Criatividade anda passando longe dos cineastas. Os Maias deram um prato cheio para Hollywood, e nem assim eles souberam aproveitar.

Não é por falar, mas eu gosto dessas previsões sobre o fim do mundo e até certo ponto acho bem possível a terra se “autodestruir”. Claro que não digo que isso será obra do alinhamento dos planetas como dizem os Maias, mas do jeito que andam matando o planeta, dia após dia e com tantas catástrofes naturais, pode ser um alerta. Mas o alerta só será levado a sério quando os EUA quiserem; afinal eles sempre salvam o mundo.

Em tempo: Não, não sou anti-EUA, mas essa história de americanos são meus heróis é um pouco batida e chula demais; bateu-se tanto na mesma tecla que cansou.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Como criar um herói de cinema


Rede Globo e Record entraram em uma briga de cachorro grande; e essa briga vai feder mais do que pau de galinheiro de granja. Tudo o que eu ia escrever o Felipe Neto já escrever, e como eu detesto o estilo “mais do mesmo” vou mudar esse post.
Quem gosta de filme já deve ter percebido que o mocinho da história é sempre aquele mais improvável, que acaba surpreendendo todo mundo, ganhando poderes e por fim salva o mundo e ainda fica com a mocinha.


Não é a toa que todo filme (sem exceção) isso acontece, Agora poucas pessoas sabem por quê. Joseph Campbell em O herói de mil faces percebeu que em todas as histórias há um herói e é claro que certamente a narrativa gira em torno de suas peripécias. Observando isso, Campbell desenvolveu uma estrutura de eventos que demonstra que o herói passa por doze etapas que servem tanto para se criar um herói no cinema, quanto nos livros.

Mundo comum – O ambiente em que o herói está situado, o seu dia-a-dia. Pode ser uma sociedade ou uma situação. A vida cotidiana é mostrada antes que ele parta para sua jornada, que será um local novo.
Chamado à aventura – O personagem é posto em xeque quando precisa decidir se enfrenta ou não o desafio que lhe é apresentado. Pode ser algo relacionado à sua vida particular, família, saúde ou trabalho. Este chamado dá o tom da saga e o destino do herói. Em geral, apresenta-se como uma tarefa de grandes proporções.
Recusa ao Chamado – Sair do ambiente seguro não é uma opção aceita com tranqüilidade pelo herói, por isso ele precisa que haja uma força exterior que o guie para que ele prossiga com sua missão, alguém q lhe dê coragem e incentivo para prosseguir.
Encontro com o mentor – O mentor é representado por alguém que possui certa experiência de vida, aquele que vai dar conselhos e guiar o herói. O mentor dará suporte com ferramentas que serão necessárias durante a história. Não lhe dá somente objetos, mas conselhos e informações.
Travessia do primeiro limiar – É o momento em que o herói se convence que tem que cumprir a sua missão. Deixa seu mundo e se aventura no desconhecido.
Testes, aliados e inimigos – Eles aparecem no momento em que o personagem decide sair em busca da sua bem-aventurança. Aparecem por toda a história, a ajudar ou atrapalhar.
Aproximação da caverna oculta – O herói entra em território inimigo, terra desconhecida
Provação suprema – Primeiro encontro do herói com a morte, ele passa por um grande perigo, e pode chegar a um estado de quase morte. É o primeiro embate com o antagonista.
Recompensa – Ao vencer a morte, o herói recebe uma recompensa por sua coragem e determinação. Obtém seu tesouro, aquilo que é o seu objeto de busca. A partir desse momento, passa a compreender melhor o mundo, depois de acumular mais experiência de vida.
Caminho de volta – É quando a missão proposta no início foi completada, e agora o herói começa o retorno a sua terra natal.
Ressurreição – A vingança daqueles a quem abateu. A última prova que o herói é obrigado a passar, apenas para ter certeza de que ele aprendeu as lições da Provação Suprema. Esse é o momento do herói escolher se volta para o mundo comum ou permanece no que recentemente adentrou. Esse é o terceiro ato da história e consequentemente o terceiro limiar.
Retorno com Elixir – O personagem deve levar o Elixir, ou seja, o aprendizado do mundo especial. Ele obteve conselhos de seu mentor, enfrentou situações difíceis, e está pronto para desfrutar de seu sucesso, seja exibindo seu “troféu", provando algo a uma sociedade descrente ou ainda sentir-se em paz consigo e com sua consciência.

Achou isso parecido com algum livro ou filme que você já assistiu ou leu? Pois bem, os arquétipos sempre são os mesmos, só se muda a roupagem. Essa história tem sido contada por vários anos sob diferentes “modelos”.
Agora você sabe, que aquela sensação de “eu já vi esse filme em algum lugar” realmente pode ser levada ao pé da letra.


Em tempo: Eu plagiei um trecho do meu próprio TCC.
UPDATE: Créditos para Thaís Helena Areas Crispim também... hahahaha tá bom assim :)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

“A vida é como uma caixa de chocolates: você nunca sabe o que vai encontrar”





O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON


Por Angélica Bito (http://cinema.cineclick.uol.com.br/criticas/index_texto.php?id_critica=10095)
No longínquo século 19, o escritor irlandês Oscar Wilde abordou o envelhecimento de forma fantasiosa no romance O Retrato de Dorian Gray, no qual o personagem principal, um homem extremamente vaidoso, enlouquece ao permanecer jovem, enquanto um retrato seu, escondido num armário, envelhece. Tendo como base um conto do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald, O Curioso Caso de Benjamin Button também aborda a questão do envelhecimento de uma forma bizarra, numa história fantástica, mas com tons otimistas, diferentemente da história de Wilde.

Benjamin Button (Brad Pitt) nasceu em circunstâncias extraordinárias, como ele mesmo define, no dia em que a Primeira Guerra Mundial terminou, em 11 de novembro de 1918. Enquanto as pessoas comemoravam o fim do conflito nas ruas de Nova Orleans, nos EUA, nascia o protagonista desta fábula, sobrevivente de um parto que acabou levando a vida de sua mãe. Mas ele nasce com uma doença: um bebê velho, à beira da morte, que rejuvenesce na medida em que os anos avançam. Desta forma, ele está fadado ver morrer todos que ele ama, numa trama sempre pontuada por nascimentos e mortes. Abandonado pelo pai, Thomas Button (Jason Flemyng), na porta de um asilo, é acolhido por Queenie (Taraji P. Henson), que, considerando aquele bebê idoso um milagre de Deus, o acolhe como filho.

Acompanhamos a fábula por meio de um diário escrito pelo protagonista, que, no fim de sua vida, foi parar nas mãos de Daisy (Cate Blanchett), o amor de sua vida, que se encontra no leito de morte enquanto o furacão Katrina ameaça destruir Nova Orleans, o que realmente ocorreu em 29 de agosto de 2005. Aliás, depois de Déja Vu (2006), esta foi a segunda produção hollywoodiana a ser rodada na cidade. A cidade já estava prevista como locação para o filme, rodado entre 2007 e 2008, mas os estragos causados pelo desastre natural - que matou cerca de 1.500 pessoas, destruiu mais de 100 mil casas e deixou prejuízos superiores a US$ 80 bilhões - colocaram em risco a realização das filmagens. Sensibilizado pelos efeitos da catástrofe, Pitt viu de perto a calamidade da situação durante as filmagens e, após a conclusão do filme, anunciou o projeto Make It Right, que tem como objetivo a construção de casas ecológicas na região. Em dezembro de 2008, as seis primeiras casas foram entregues à população. As 150 moradias previstas serão construídas acima do nível do solo, para evitar futuras inundações. Enquanto sua filha, Caroline (Julia Ormond), lê o diário, a história de Benjamin desenvolve-se na tela.
Por mais que seja uma fábula fantasiosa, a história de O Curioso Caso de Benjamin Button é capaz de conquistar o espectador por manter-se com o pé na realidade, visto os dois acontecimentos notórios que marcam o início e fim da história, a Primeira Guerra Mundial e o furacão Katrina. Os personagens tornam-se críveis simplesmente por terem testemunhado fatos que realmente aconteceram.
O Curioso Caso de Benjamin Button marca a terceira parceria cinematográfica entre o diretor David Fincher e o ator Brad Pitt, depois de Seven - Os Sete Crimes Capitais (1995) e Clube da Luta (1997). Neste filme, Fincher experimenta uma direção mais clássica ao contar esta bela fábula, que não lança mão da violência estética das duas outras produções protagonizadas por Pitt. Parece que Fincher amadureceu, assim como o ator. Mesmo desenvolvendo um trabalho mais clássico e convencional na direção, Fincher ainda é capaz de compor cenas belíssimas, inesquecíveis, de uma forma especialmente sensível, como se estivesse conduzindo uma verdadeira ode à vida, ao amor, aos relacionamentos e às pessoas que passam por nós. Percebe-se um envolvimento apaixonado de toda a equipe com esta história. Redundante dizer que Pitt, em particular, apresenta-se especialmente inspirado como o protagonista, independente das cinco horas de maquiagem às quais era submetido diariamente para aparentar velho.
Em tempo: Pitt envolveu-se tanto com este projeto que levou sua filha Shiloh Jolie-Pitt, recém-nascida na época, aos sets de filmagem, fazendo até uma ponta no longa.


Mais do que um filme sobre tempo, idade, perdas e ganhos, a belíssima fotografia e cenários transportam o espectador para dentro da história. São quase 3 horas de filme, que mal são sentidas diante da beleza, simplicidade e clareza com que Benjamin encara sua vida. Apesar de ter nascido velho e morado em um asilo a maior parte do tempo, ele, mesmo sabendo que é diferente, não se rebela. Aceita, aprende com as pessoas que estão lá. Seja ao aprender piano, seja ao aprender a perder as pessoas, seja ao aprender a amar.
Mesmo sabendo da sua verdadeira família, Benjamin não se esquece de quem realmente o acolheu, e Queenie sempre é lembrada como sua real mãe.
Uma das cenas mais bonitas é quando, exatamente no meio das suas idades, ele reencontra Daisy. Eles sabem que nada dura para sempre, mas mesmo assim tendem a viver aquela vida até quando for permitido para eles. Sem cobranças, sem norma. Vivem em uma casa sem móveis, e vão construindo a vida deles ao som de Beatles. O momento mais dramático é quando Benjamin fica sabendo que será pai e a alegria e tristeza tomam conta do seu semblante. Ele sabe que não pode ser pai, Daisy não pode cuidar de duas crianças. Quantas pessoas teriam essa coragem, de se afastar quando sabem que é inevitável, quando se faz isso para o bem? Quantas pessoas não seriam egoístas e fariam isso?
Entre momentos de quase lágrimas, como o citado, há momentos de risos também, afinal de contas, se a vida não é cor-de-rosa, negra ela também não é.
"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente".


Palmas para o brilhante trabalho de maquiagem, por fazer Brad Pitt ficar feio e velho, mais jovem e mil vezes mais bonito.

O Curioso Caso De Benjamin Button pode ser um filme cheio de chavões, mas nos faz parar para pensar e refletir.

É viver a vida doando-se, sem esperar nada, em exigir nada. Sabendo que um dia tudo vai acabar.


É algo que só pode ser sentido e explicado vendo.

sábado, 18 de outubro de 2008

Sempre qualquer coisa, menos namorada.


VESTIDA PARA CASAR (27 Dresses)



Jane (Katherine Heigl) é madrinha de vários casamentos, mas nunca encontrou seu verdadeiro amor. Ela vive um verdadeiro pesadelo ao saber que a irmã ficou noiva do homem dos seus sonhos. Mas o casamento dá a ela a chance de conhecer o homem que pode mudar de vez sua condição de ser sempre a madrinha.

Elenco: Katherine Heigl, Brian Kerwin, Peyton List, Brigitte Bourdeau, James Marsden, Alexa Gerasimovich


Pois é crianças, acabei de assistir esse filme. Gostozinho de assistir, por sinal. Só não gostar do final. Alow Hollywood, a vida não é conto de fadas, pare de enganar as pessoas!

Andei pensando no filme. Como diz aquela comunidade do Orkut “Bonzinho só se fode”. E não é que tem toda a razão. Você está lá, sempre fazendo o que é certo, o que o manual da sociedade manda. Estudando, tirando notas altas. Depois vem o trabalho (não aquele que você quer, mas o que dá dinheiro, pois aos olhos dos outros só isso importa. Foda-se se você é feliz ou não). Logo depois você tem que casa, ter filhos. Pronto. The end. Acabou sua vida.
E o que acontece quando você faz isso: Nunca vive, perde as oportunidades e ninguém reconhece nada que você faz. Sempre é passado para trás por alguém que não tem medo de se arriscar.
Então, você acaba que nem a Jane do filme. Vê todos felizes, mas não é feliz. O homem que gosta nem sabe que você existe, porque ele sempre te olha como a melhor amiga/confidente/cupido/anjo da guarda/etc.
Até que um dia, isso se você tiver sorte, aparece um cara. Um ser que vai contra tudo o que ela gosta. Então acontece o óbvio: Brigas. Brigas e mais brigas. Nunca entendi o propósito que nós temos de começar um relacionamento assim. Num faz nenhum sentido. Mas esses são os melhores relacionamentos ever!

Esses dias eu estava lendo no Corporativismo Feminino (http://corporativismo-feminino.blogspot.com/) um post sobre Antes mal-acompanhada que solteira (http://corporativismo-feminino.blogspot.com/2008/10/antes-mal-acompanhada-que-solteira.html). Acho que eu faço parte das estatísticas que seguem o ditado ao contrário. Poxa, nunca gostei de conflitos, sempre achei que relacionamentos só valem a pena quando as duas pessoas estão empenhadas. Tenho horror no comodismo que algumas pessoas se habituam. Namorar por namorar, ficar por ficar. Será que vale mesmo a pena? Poxa, as vezes eu quero apertar o foda-se e namorar o primeiro que me aparecer. Mas eu não consigo fingir.
Enquanto eu não resolvo esse meu problema, eu fico que nem a Jane, esperando pra alguma alma caridosa me salvar...

(*) Essa semana eu vou surtar.

(**) E não, decididamente eu não entendo os homens.

(***) E sim, eu sempre fui qualquer coisa para aqueles homens que eu gostei, menos... you know

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