segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eu tentei ajudar...

Pouco depois do carnaval minha vizinha veio avisar que uma gata estava no vão da churrasqueira dela e que ela tinha parido 6 gatinhos. Ela não sabia o que fazer, então a deixou lá e não demorou muito a gata levou os filhotes embora.
Não tivemos mais notícias da gata por alguns dias até que outra vizinha (duas casas de distância da minha) disse que achou a gata e os gatinhos no quintal quando for tirar o mato (sim, no interior os quintais têm mato e conseqüentemente as pessoas roçam ou carpem para não deixar uma mata atlântica no lugar).
Neste domingo achamos a gata e a ninhada dela no quintal de casa. E o que fazer? Esperar segunda-feira para ver se ela não ia embora com os filhotes. Ela não foi embora e ainda está no meu quintal.
O que eu fiz? Liguei para a Zoonoses, a entidade que seria responsável por recolher animais de rua. Mas a resposta que me deram é que não recolhem e disseram para ligar para ONGs. Liguei para o projeto da prefeitura chamado de Projeto Bicho Legal e eles não recolhem e me disseram, com todas as letras, que o problema era meu.
Ora, se eu jogasse a gata na rua, num terreno vazio, no lixo, certamente iriam aparecer trezentos mil órgãos e entidades de proteção aos animais me processando e multando.
A única coisa que eu quero é que a gata e os gatinhos sejam recolhidos do meu quintal, não tenho condições de ficar com eles. Mas para a prefeitura de Jundiaí e as ONGs da cidade isso é humanamente impossível. Ou seja, se algum animal aparecer na sua casa, conforme-se que você precisa e é obrigado a ficar com o animal, mesmo que não queira ou não tenha condições.
E de que servem as ONGs que tanto brigam, defendem e querem os bens dos animais? Se a cidade não tema brigo, obrigue o lugar a ter. Há tempos eu leio a necessidade da cidade em ter um abrigo, tanto para os animais de rua, quanto para o projeto Mata Ciliar que cuida de animais selvagens.
Qual é o problema dessas ONGs então? Elas fazem guerra para ver um animal adotado e agora vão deixar uma gata e seus gatinhos desamparados? Qual é mesmo o propósito delas?
Eu tentei ajudar, e não há como negar que eu gostaria muito que esses gatinhos saíssem do meu quintal e fossem para um abrigo receber comida e tratamento decente. Liguei para mundos e fundos e ninguém me ajudou, deu uma luz ou se prontificou a arrumar alguém que os venha buscar.
Então é assim; querer ajudar é pior do que se eu quisesse dar um fim nos animais. Então os órgãos de defesa dos animais e a prefeitura não podem reclamar dos animais abandonados, já que quando queremos ajudar, ninguém ajuda.
Bom, se ninguém vier recolher os gatinhos, o churrasco do final de semana estará garantido. E quero ver algum defensor dos animais achar a piada de mau-gosto.
UPDAT!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Yes queridos leitores; uma boa alma veio agora de pouco recolher a gata e os gatinhos... eles estão são e salvos em uma clínica veterinária...
O Churrasco do final de semana foi cancelado =)
Final feliz para todos!!!
Continuando...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Cadê os revoltados agora?

Não faz muito tempo e Robin Williams incendiou o patriotismo burro desse país com uma mísera piada. Para quem não se recorda: “Espero que ela (Oprah) não esteja chateada com as Olimpíadas. Chicago enviou a Oprah e a Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa”. (Leia na íntegra aqui!).
E agora, época de carnaval eu pergunto o que será que todo gringo vem ver aqui no Brasil? A baderna de 5 dias, onde todo mundo fica “fácil” e com pouca roupa. Enfim, concordo que com esse calor de 32ºC ficar cheia de roupa não é a melhor coisa do mundo, mas essa não é a questão.
Olhem os desfiles, os blocos e tudo mais que o gringo se depara quando chega ao Brasil. Pensou, refletiu? O que você acha que ele vai falar quando voltar para o país de origem dele?
Que o Brasil é lindo por natureza, tem belas praias; um verdadeiro paraíso tropical. Claro que ele vai falar tudo isso. Mas certamente vai falar da bebida correndo solta, das drogas e dos homens e mulheres sem roupa.
Aliás, Paris Hilton escolheu um excelente local para se esbaldar; certamente os escândalos daqui não serão os mesmos de lá. Já que o comportamento dela é o de muitos nessa época.
E antes que alguém venha com 10 pedras, não tenho nada contra o carnaval. É uma festa popular. O problema é que as mesmas pessoas que condenaram a piada do Robin Williams são as mesmas pessoas que, aposto eu, estão deixando que os outros países tenham essa imagem do Brasil.
A única coisa que eu condeno no carnaval é o nojo e a falta de higiene da população. Primeiro, está um calor de matar, as pessoas estão suadas; odor inconveniente número 1. Elas certamente irão encher a cara de cerveja. E o que acontece quando se bebe cerveja demais? Sim, cerveja é diurético. E onde bêbado geralmente urina? Na rua.
E o que acontece quando milhões de pessoas urinam nas ruas? Aquele cheiro insuportável de xixi intensificado um zilhão de vezes por conta do calor. Pergunto aos moradores de locais típicos por onde passam blocos e desfiles, como eles suportam o cheiro?
Já pulei muito carnaval, já fui muito em clubes e dancei até não sentir mais meus pés. Só que chega uma hora que não tem mais graça; você cansa da mesmice do carnaval e do “mais do mesmo” dessa época do ano. Hoje em dia comemoro o carnaval por conta do feriado e nada mais; uma boa época para reunir amigos e falar besteira até altas horas da noite.
Agora, com o carnaval rolando a solta, quem vai se lembrar e se revoltar com que o Robin Williams disse? Aposto que ninguém.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Qual a graça em se xeretar a vida alheia?

Pois é Brasil apertem os cintos, desliguem suas televisões e fujam para a Ilha de Lost. Vai começar mais um Big Brother Brasil; a maior deturpação do termo criado por Gerorge Orwel. Aliás, acho que o leitor desse blog já se acostumou com mais do mesmo, então vamos lá.

Big Brother, O Grande Irmão, aquele que tudo vê é citado no livro 1984 de George Orwell. E não crianças, 1984 não é um livro lançado por nenhum ex-BBB que conte o que aconteceu dentro da casa. A única maneira de saber do que se trata realmente 1984 é lendo. Mas, por cima, o Grande Irmão é uma figura que tem a capacidade de ver o que todos os moradores do país estavam fazendo e assim controlava a vida de todos; para que todos agissem e pensassem da mesma maneira. Um instrumento de censura e dominação através do medo.
Mas por hora vamos no focar na parte que o Big Brother é aquele que tudo vê. Ou seja, algum gênio da lâmpada queimada resolveu que confinar pessoas “interessantes” em uma casa e colocar uma câmera as vigiando 24 horas por dia seria algo interessante. Pois bem, e realmente foi; se não fosse, não faria o sucesso que faz.

O problema é que tudo isso ai contra ao que eu vejo atualmente na internet e na realidade das pessoas. Quanto mais sites de perfis sociais são lançados, mais as pessoas tentam proteger as informações. Já bloqueiam Orkut, twitter, facebook e tudo mais o que você for imaginar. Se elas não gostam que xeretem na própria vida, porque xeretam a vida dos outros?

Sim, já que reality shows nada mais são do que métodos de se xeretar a vida das pessoas. Pessoas essas que fazem vídeos com o intuito de que elas possam mostrar ao país como elas são. Não vejo como alguém confinado em uma casa, tomando sol o dia todo pode mostrar ser relevante em qualquer coisa. Quer ser relevante, faça algo de útil.

Então porque o Big Brother e outros reality shows são um sucesso? Simples, como definiria Debord: “O que é bom aparece na mídia, o que aparece na mídia é bom”. As pessoas gostam de ser ver refletidas em personagens, de ver a sua vida exposta nos meios de comunicação.

Então, podemos dizer que os reality shows fazem com que as pessoas acreditem que elas são relevantes e que elas poderiam estar ali, no lugar dos confinados. É por isso que esses programas fazem tanto sucesso. A população, o povão se vê refletido ali e assim “ganha importância”, mesmo que uma importância remota.

Funciona assim com os reality shows, com as novelas, filmes e etc. quanto mais as pessoas se veem refletidas, mais é a audiência. Elas se sentem importantes, fazendo parte do programa.
Mas o fim de tudo isso você já sabe; não é você que decide. Então, só nos resta agüentar, lamentar e torcer para que um dia a sociedade do espetáculo mude de alguma maneira. Coisa que, creio eu, não seja mais possível.



E eu continuo tentando descobrir, qual é a graça em espiar a vida alheia? Não acho minha vida interessante ao ponto de obrigar alguém a assisti-la da mesma maneira que não acho que a vida de ninguém seja tão relevante assim para que eu possa assistir.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Manhê, ele me copiou

Eu tento ficar longe do Debord e da Sociedade do Espetáculo, mas eu simplesmente não consigo. Minha mão coçou ontem depois de mais um barraco via twitter. Aliás, quem não entrou no twitter não sabe o que está perdendo; o melhor local de barracos do mundo online e onde você pode ver os seus ídolos fazerem “sena” e descerem do pedestal. Recomendo como fonte de risadas e para deixar o stress de lado.
Tudo começou ontem à noite quando o Luciano Huck (o marido da Angélica) resolveu dizer que o Gugu copiou o quadro do Caldeirão do Huck. Leia o resumo aqui no post do Maurício Stuycer
. Não sei quanto a vocês, mas a reclamação do Luciano Huck me soou tanto como o discurso daquelas crianças birrentas que vão chorando pra mãe dizendo que o coleguinha está copiando o que ele faz. Algo do tipo: “A bola é minha e se eu não jogar ninguém joga”; quer fazer birra? Pois bem, faça birra por algo que você tenha razão.
Meus pêsames Huck, Gugu, Faustão e toda laia que faz programa na televisão aberta brasileira: Vocês não passam de meras cópias. E eu nem posso dizer que são cópias bem feitas que alguns programas deixam muito a desejar dos prováveis originais, ou melhor, do local que vocês usaram para copiar – que também deve ter sido copiado de outro local e por aí vai.
Plagiando Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia” eu acrescentaria: “Nada se cria, tudo se copia, se modifica um pouco e se assume a autoria”. É isso mesmo o que os programas fazem. Nada em televisão nenhuma do mundo é original; ninguém pode reivindicar a autoria de nenhum programa. Foi criado um formato, ele fez sucesso e é amplamente copiado; a única coisa que muda é a forma como ele é apresentado ao telespectador.
O que acontece é que ele aparece com diferentes roupagens e isto faz com que o telespectador tenha a errônea impressão de que assiste algo inédito, algo inovador que vai revolucionar a sua vida. Na verdade não passa de algo “mais do mesmo”, uma mera cópia que é divulgada mundo afora e cada um se diz pai de um filho que não lhe pertence. Ninguém tem sequer o direito de reivindicar a autoria de nenhum programa televisivo, filme, herói, banda; nada que seja o mais novo sucesso do momento, já que o mais novo sucesso do momento não passa de algo antigo.
É tudo cópia com uma roupa diferente. Dando um exemplo melhor: é como se você visse uma pessoa um dia com certa roupa e no outro dia achasse que conheceu alguém diferente porque ela está com outra roupa. É um exemplo pífio, mas é realmente assim que funciona.
Então Luciano Huck, você não pode reivindicar e nem ficar bravo se assistir em outra emissora um programa parecido com o seu. Nem nenhum outro apresentador pode fazer o escândalo que você fez por ver um quadro do programa em outra emissora. Pra começo de conversa qualquer quadro que se apresente na televisão brasileira é uma cópia de algum estrangeiro. Quem tem televisão a cabo ou navega pela internet sabe muito bem disso. E provavelmente aquele programa estrangeiro também é uma cópia de algum outro programa.
Então parem de achar que os programas lhes pertencem, pois se todos começarem a fazer o mesmo por ver uma cópia da cópia, da cópia em outro local, os programas irão todos acabar, pois não há nada inédito, original ou genuinamente feito por aquela pessoa X que só existe naquela emissora X naquele programa X.
O Gugu copiou o Lata Velha do Caldeirão do Huck – ora, como se você leitor nunca viu em nenhum outro local um programa de reconstrução de carros - e certamente o Huck já deve ter copiado algum quadro do Gugu e todos os programas copiaram a fórmula de que assistencialismo de sábado de tarde e de domingo o dia todo trás IBOPE e atrai as pessoas.
Exposto tudo isso, será mesmo que Luciano Huck ou qualquer outro apresentador tem o direito de reclamar? Se o produto foi explorado a exaustão, a fórmula funciona há tempos e não há sinal de que a população percebeu que assiste há séculos “mais do mesmo”, porque todo esse medo da cópia? Será que eles começam a se dar conta de que o telespectador não é tão burro assim e percebe que tudo isso é obra da Sociedade do Espetáculo que quer que eles consumam tudo à exaustão sem se importar com o que estão consumindo e que bem aquilo fará para eles?
Bom, eu acho que não. Mas quem sou eu para achar algo? Esses pensamentos são apenas cópias dos pensamentos do Debord que por sua vez eram cópias de...

domingo, 22 de novembro de 2009

Mais um filme de catástrofe em uma catástrofe de cinema

Esta é uma resenha crítica (no sentido literal da palavra mais uma vez) do filme 2012. Ou seja, se você ainda não viu o filme e quiser ver, pare de ler quando eu escrever PARE; a não ser que você esteja em dúvida se vai ou não ver. Continuar a ler depois de determinado ponto é por sua conta e risco. Mas antes de falar sobre o fim do mundo, destruição e prédios caindo, vamos fazer duas outras críticas: Uma direcionada a rede Moviecom outra direcionada as pessoas que vão ver filmes no cinema.

Primeira: Moviecom é a única rede de cinemas existentes na fatídica cidade de Jundiaí; não temos outra opção além de pagar o preço absurdo por um cinema de qualidade não tão boa e enfrentar filas e mais filas porque o atendimento online não funciona e os guichês de auto-atendimento ficam mais quebrados do que funcionando. Além disso, a rede resolve deixar em cartaz certos filmes por meses e deixam de exibir outras estréias. Quer ver filme? Vá a outro cinema, em outra cidade porque aqui você não vai conseguir. Sem falar que tem filme que nem tem opção de cópia dublada ou legendada. Resumindo: que orgulho de ser obrigada a ver filme na Moviecom. E já ia me esquecendo, não estranhe se você assistir filme desfocado, sem enquadramento ou se no meio do filme eles pararem a exibição para acertar esses detalhes; é super normal isso acontecer.

Segundo: Cinema não é barato. Não sou mais estudante, então pago quase que 16 reais para ver o filme. Minha mãe me ensinou que no cinema nós fazemos silêncio e respeitamos quem vai assistir ao filme; ah, e não pode colocar o pé na cadeira e também não pode chutar a poltrona da frente. Entrei no cinema para ver 2012 e na última fileira tinha um bando de crianças fazendo zona, logo pensei que os pestes iam dar trabalho durante o filme. Mas, para a minha surpresa foram outras crianças e um adulto responsável que deram trabalho. Três pestes sentadas na fileira atrás da minha não paravam de falar e reclamar o filme todo. E para ajudar, o responsável e pai de uma das pestes resolveu que chutar a cadeira da frente (a minha) ia ajudar a passar o tempo; as crianças que façam zona e conversem alto que ele nem falou nada; outros reclamaram mas “xiu” não faz efeito. Deixando bem claro que o espaço entre uma fileira e outra é relativamente grande; sem motivos para encostar a perna na poltrona da frente. Provado realmente que educação vem do berço. Temo por quando essas crianças forem adolescentes.

Vamos ao filme. SE VOCÊ QUER VER 2012, PARE POR AQUI; NÃO PROSSIGA. VOCÊ FOI AVISADO.

Na verdade eu estava curiosa em saber o que eles fariam com a previsão dos Maias sobre o fim do mundo; diga-se de passagem, mais uma previsão entre tantas que talvez não se concretize, até 2012 tem chão. Ok, eu confesso que alinhamento de astros provocarem superaquecimento dentro da terra é um pouco demais. Mas a parte dos desastres naturais é bem realista, de certo modo.

O que eu vi foi uma mistura de todos os filmes de catástrofe já feitos por Hollywood. Conforme as cenas foram passando era notável saber de que filme aquilo foi retirado. Ou seja, mais do mesmo como sempre. Tudo bem que eu sei que quando você vê um filme uma vez, você verá todos que ainda serão produzidos. Mas 2012 extrapola todas as expectativas da mesmice.

Primeiro a cena clássica: Um americano descobre o fim do mundo (ok tem um indiano no meio, mero coadjuvante). Depois é claro que eles escondem o fato do resto do mundo e só o G8 vai saber; Adeus Brasil, os pobres continuam morrendo.

Depois a outra cena clássica da família americana desunida: o pai vagabundo e a mãe recém-casada com um partidão; a filha pequena com problemas noturnos de molhar a cama adora o pai, o menino odeia o pai e idolatra o padrasto.

E é claro que o pai leva os rebentos para acampar justamente onde está uma base dos EUA que estão cuidado das catástrofes que vão acontecer e conhece o americano salvador da pátria que está comandando as forças anti-2012.

Depois o que se vê é a maior cena de marmelation que já se viu em qualquer filme. A cidade toda sendo engolida por um gigantesco buraco e o protagonista consegue sozinho, com uma limusine desviar dos prédios, rodovias e do chão se abrindo sem arranhar a pintura do carro. Consegue chegar a um aeroporto, ainda intacto e coloca o padrasto das crianças para pilotar o avião; super simples pilotar o avião. Saem de lá sem nada, ilesos.

A cena mais intrigante é a destruição do resto do mundo: dura eu acho que nem 1 minuto e mostra o Cristo (a única coisa que gringo conhece do Brasil) sendo destruído e a GloboNews transmitindo (pagou quanto dona Rede Globo?). Não sei como ninguém reclamou da cena, afinal fizeram um escarcéu quando filmaram Turistas.

Depois de mais e mais cenas de marmeladas, eles descobrem que foram construídas arcas (que original não? Quantos filmes que você já viu que as pessoas constroem arcas?) para salvar a população. E adivinhem só: quem pagou mais leva; adeus pobres, vocês continuam morrendo. E a desculpa pra venda dos “ingressos” é a mesma; salvar as pessoas e financiar a construção. Digno

Detalhe que essas arcas estão na China e eles vão voando até lá, em um outro avião sem ninguém saber pilotar, o combustível acaba, mas milagrosamente a China está mais perto pelo deslocamento da terra; surpreendente.

É claro que esses se salvam, o padrasto morre, mamãe e papai se reconciliam o pequeno acha que papai é herói e a pequenina para de fazer xixi na cama. E os Estados Unidos salvaram a humanidade mais uma vez.

Os efeitos especiais valem à pena. Só. Porque do resto nada que você já não esteja cansado de ver. Criatividade anda passando longe dos cineastas. Os Maias deram um prato cheio para Hollywood, e nem assim eles souberam aproveitar.

Não é por falar, mas eu gosto dessas previsões sobre o fim do mundo e até certo ponto acho bem possível a terra se “autodestruir”. Claro que não digo que isso será obra do alinhamento dos planetas como dizem os Maias, mas do jeito que andam matando o planeta, dia após dia e com tantas catástrofes naturais, pode ser um alerta. Mas o alerta só será levado a sério quando os EUA quiserem; afinal eles sempre salvam o mundo.

Em tempo: Não, não sou anti-EUA, mas essa história de americanos são meus heróis é um pouco batida e chula demais; bateu-se tanto na mesma tecla que cansou.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Vivendo uma fase egoísta

Sabe quando você cansa de ser um estepe e um muro das lamentações?


Pois é, por incrível que pareça, até a mais boba das pessoas um dia aprende que ser a reserva de alguém - popularmente conhecido como estepe, não tem graça nenhuma. Sair deste posto não é fácil, é tão cômodo para quem é reserva ficar ali, esperando, torcendo e treinando para o dia que finalmente vai entrar em campo.
O problema é que todo reserva pensa que, depois de uma partida bem feita, vai virar titular. E é aí que mora o problema. Quem tem um estepe gosta tanto, e acha tão cômodo ter um que não se importa, muito menos dá a chance para ele virar titular. E não se engane meu caro; se você ainda não é um estepe você vai ser. Se nunca Fe ninguém de estepe, um dia vai fazer.
Imagine só você ter ali, a sua disposição uma pessoa que a qualquer momento você pode desabafar usar e abusar sem dar explicações, pedir nada em troca, ser julgado. E quando o período de necessidade acabar, você larga o estepe e o deixa inativo até o dia que você precisar dele de novo. Acontece muito isso com homens ou mulheres que saem de um relacionamento e querem curar a dor de corno deles; quem eles procuram nessas horas? O estepe, é claro.
E o estepe, muito tonto fica com a esperança de que a próxima vez vai virar titular e começa tudo de novo. O estepe sempre fica ali por perto, se preocupando, dando conselhos, indo atrás da pessoa só para garantir que ela está bem. O estepe é aquela pessoa que se preocupa, vai atrás e gosta de cuidar do outro. É o típico carente que se contenta com qualquer esmola de atenção e carinho que recebe.
Demora, mas tem um dia que esse estepe cansa e quer dar um basta em tudo isso. E pode apostar que esse vai ser o dia mais feliz do estepe; afinal ele não vai ter mais que se preocupar com aquela pessoa que não liga a mínima pra ele. Muito menos servir de muro das lamentações.
Aliás, servir de muro das lamentações também não é uma tarefa muito agradável. A pessoa só te procura para despejar problemas e mais problemas esperando que você resolva ou dê uma solução mágica. E quando isso não acontece, a pessoa ainda diz: ”ah, como se fosse fácil” ou “o problema não com você mesmo”. E quando a pessoa te xingou, tratou mal e desabafou ou o problema foi resolvido, o que acontece? Ela desaparece.
Mas se o problema aumentou por causa de um conselho que você deu, agüente, pois coisas piores virão; além de muro das lamentações você será também a causa de todos os problemas dela. E pode apostar que ela vai despejar todo o ódio e frustração em cima de você; afinal de contas é você que deveria ter resolvido o problema dela.
Geralmente o muro das lamentações só tem tempo para conversar com você se o assunto for ela mesma. Caso contrário, não insista em tentar falar sobre você ou qualquer outro assunto. E também não se assunte com a falta de respostas em qualquer uma dessas situações.
Mas é claro que nenhuma dessas situações se aplica aos amigos, já que só entram nessa categoria pessoa que não te fazem como estepe e estão ali para ajudar e serem ajudadas. Os que te fazem de muro das lamentações e estepe apenas dizem ser seu amigo para conseguir todos os benefícios que a vida de estepe vai proporcionar para ele.
É por isso mesmo que eu digo que estou vivendo uma fase egoísta. Libertando-me de todos os cargos de estepe e muro das lamentações – ok, todo nem tanto porque sempre tem um que a gente resolve ficar de estepe caso um milagre aconteça. A melhor coisa que eu fiz: a partir de agora só me preocupo com quem se preocupa comigo.
Quer fazer parte da minha vida? Ótimo, seja bem vindo, sente e fique à vontade. Não quer? Só lamento você vai perder toda a diversão. E não ache que pode me fazer de estepe; nessa eu não caio mais. Quer dizer, espero eu que nunca mais caia. Ser estepe não é nada agradável.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Os novos ídolos e a cabeça de vento dos jovens

Esses dias eu estava prestando atenção ao conteúdo da televisão e em uma premiação de música que estava acontecendo. Mais precisamente vendo o malfadado VMB (Vídeo Music Brasil). E é claro que foi inevitável perceber que os ganhadores na verdade são os ídolos da garotada. Eles são seguidos, imitados, copiados e esse é o novo padrão dominante, até que a Sociedade do Espetáculo se canse daquelas caras e coloque novas no lugar, com o mesmo conteúdo – ou mais precisamente com a falta do mesmo. Então me lembrei do que meus amigos Theodore Adorno, Max Horkheimer, Campbell e até mesmo o conhecido do blog: Debord. Todos eles, há muitos anos atrás já formaram teorias e já disseram algo sobre isso que pode ser muito bem aplicado nos dias atuais. Fica muito fácil de imaginar qual será o futuro dos jovens. E algo me diz que ele não é nada bom.

“O mito é um totem. O que ele faz, o público tendencialmente o imita: seja um penteado, uma roupa ou um gesto. As pessoas copiam e idolatram osmitos, vestindo-se como eles, vivendo como eles e, principalmente, vivendopara eles. Para a audiência, o mito emergente da TV é um Deus, que está eternamente em construção.” – Créditos: Eu e Thais Helena Areas Crispim – antes que ela brigue comigo.


Qual são os ídolos de hoje? Bandas de estilo emos, com atitudes melancólicas e músicas sem letra e conteúdo que remeta o jovem a nada com lugar algum. Ídolos são os atores de novelas que quando não são assessorados cometem gafes e se mostram apenas mais um no meio, sem brilho, sem nada de especial; sem personalidade alguma. Vivem do exterior, do estilo: seja como eu e não me pergunte por quê.
Personagens que cultuam o corpo e mostram que você não precisa estudar para se dar bem na vida; basta aparecer na televisão; e olha que você nem precisa dizer nada, apenas faça o que te mandarem. Pessoas vazias, apenas repassando uma forma, um sistema de consumo; quanto mais as pessoas consomem o que se vê na novela, se ouve nas rádios, mais se quer ter aquilo; independente se é necessário ou não. Não importa a mensagem que aquilo passe – ou a falta da mesma. Aquele arquétipo vazio está lá para ser copiado. É o novo ídolo. É o novo mito, e ele tem influência direta na vida das pessoas, já que elas na sua maioria se baseiam nesses personagens no dia a dia, a cada minuto e veem neles a oportunidade de algo a ser copiado; que vale a pena ser copiado.
Que ídolos e mitos esses adolescentes estão seguindo e qual é a consequência disso na vida deles? Ídolos que não tem nada a dizer, que fazem letras vazias e tem estilo melancólico? Atores e personagens que cometem gafes, que preferem aparecer em escândalos e dizer bobagens, sem saber ao certo que cada vírgula que dizem, cada atitude que tomam tem influência direta na vida de milhares de jovens que o cultuam como mito.
Como pode crescer um jovem que é bombardeado diariamente com ídolos vazios e representações sem conteúdo? Tornar-se-ão que tipo de adultos? Mentalmente escassos e tão vazios quanto os seus ídolos?
Os ídolos têm a função de criar e ajudar a formar o caráter das pessoas. Eles existem para dar rumo e ensinar lições da vida. Se o culto a imagem em detrimento ao cérebro e o esvaziamento de conteúdo predominam, como formar um adolescente ou uma criança que aprende que não ter nada para dizer é bom? Como fazer ele se importar com a sociedade quando é bombardeado com representações de que só ele, e nada mais importa?
A mídia sabe do poder que tem, e quanto mais formar jovens alienados que consumam os produtos sem questionar, melhor para ela. Quanto mais publicidade e noticias vender para esse grupo de pessoas, mais o espetáculo se tornará grandioso, e ao mesmo tempo vazio.

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