terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Menina meiga, mas nem tanto

Para ser sincera, sempre tive certo preconceito com os filmes indicados ao Oscar de Melhor Filme. Nunca achei que foram tão “UAU” quanto eu esperaria de um longa premiado com tal honraria.
Mas o trailer do Cisne Negro (Black Swan, 2011) me chamou atenção; queria ver realmente como o diretor e os atores conseguiram traduzir num simples cenário de balé algo tão dramático e transformador como o sofrido pela personagem – ou seja, a menina meiga se transformando na megera ou bitch, como preferirem.
Há duas maneiras de interpretar o filme: você pode pensar em obsessão ao extremo ou a queda da inocência – ou ainda cortar toda a manipulação externa e viver aquilo que se quer; eu prefiro pensar em um misto de todas essas coisas com certos agravantes.
Nina Sayers (Natalie Portman) é uma bailarina quase no auge da carreira. A primeira vista ela é bem sem sal e sem açúcar – ok, eu sempre achei ela sem tempero nenhum. Uma garota meiga, confusa, insegura e que ainda não conseguiu se libertar nem da mãe, muito menos da infância, apesar dos seus 24 anos. Ela vive o que os outros querem que ela viva.
Com a aposentadoria de uma das bailarinas, Beth MacIntyre (Winona Ryder), que até então era a Rainha dos Cisnes, Nina tem a chance de tentar o posto de “supra-sumo” do Lago dos Cisnes. Para isso, ela precisa ser escolhida por Thomas Leroy (Vincent Cassel), diretor da companhia de Balé em Nova Iorque. E claro, como todo homem no meio da mulherada, banca o Don Juan geral na meninada.
É então que a trama começa. Nina é aquela personagem chata: a menininha insegura e perfeccionista – daquelas que você tem vontade de dar um tapa na cara para ver se acorda. E toda essa pressão é entendida pelo comportamento de sua mãe, a bailarina aposentada Erica (Barbara Hershey).
Erica é certamente a primeira causa do surto de Nina: mulher amarga e possessiva que a trata como uma criança, controlando seus horários, o que come, o que veste e ainda a deixando em um quarto totalmente infantil – daquele tipo que só falta pegar na mão e deixar na porta do ensaio. Ou seja, 200% controladora; ela trata a filha como uma bonequinha de luxo em forma de gente. Não demora muito para Nina surtar.
A obsessão pela perfeição começa quando Nina se depara com Lily (Mila Kunis), uma bailarina vinda de São Francisco e totalmente fora do normal; se Nina tende a ser perfeita, Lily é seu oposto, porém consegue o mesmo resultado que Nina, o que a deixa mais enfurecida ainda por ofuscar o momento que deveria ser dela.
Toda pressão de ser perfeita começa a surtir efeitos, muito bem explorados pelo diretor Darren Aronofsky, que consegue causar arrepios nas cenas em que a unha, ou um pedaço de pele se solta da personagem principal. Nina começa a se arranhar e a metáfora de que ela está passando de Cisne Branco para Cisne Negro começa no momento em que ela realmente imagina ter pedaços de penas saindo dos lugares onde estava arranhado.
Nina é perfeita para ser o Cisne Branco, mas não tem personalidade o suficiente para se tornar o Cisne Negro – e no Lago dos Cisnes, a transformação tem que ser feita com a mesma bailarina.
Toda essa pressão, mais a concorrência de Lily fazem Nina se transformar por completo; parece que acorda do torpor da vida que levava. O primeiro passo é se desprender a lunática e amarga mãe; depois Nina começa a perceber que ser boazinha o tempo todo, de nada vai lhe adiantar.
De que adianta ter sido boazinha a vida toda se no momento em que ela precisou se impor, surtou de uma tal maneira que acabou com a própria vida? Ela viveu uma vida que não era dela; e quando começou a realmente ter controle sobre tudo o que queria as alucinações e o medo de que Lily tomasse seu lugar foram iminentes.
Na verdade, no fundo Nina queria ser como Lily; livre, sem preocupações e com luz própria. Nina nada mais era do que uma garota que decorou muito bem os passos de balé, quando na verdade era preciso muito mais para se tornar uma bailarina completa. Ela não fazia isso porque que queria, por paixão, e sim porque alguém a estava mandando. Neste caso, por pura pressão da mãe. Provavelmente o único lapso de vontade própria da personagem acabou com ela totalmente pirada entre a transformação de Cisne Branco para Negro.
A fotografia do filme é boa e os atores realmente se esforçaram para incorporar o papel na dança, apesar de que em muitas cenas é dá para ver claramente o uso dos dublês. E Natalie Portman não ficou com muito trejeito de bailarina em algumas cenas.
Um bom filme, não brilhante, mas que consegue captar um pouco da angústia de ter que ser perfeito o tempo todo, e de passar os dias querendo algo que não sabe se é aquilo mesmo; de fazer as coisas por fazer, até surtar.

Mais cedo ou mais tarde, todo bonzinho larga a máscara angelical de lado e acaba surtando.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pode voltar no tempo?

Se há uma coisa que eu adoro é ficar relembrando de coisas antigas. Fico horas a fio olhando fotos, relembrando momentos, brinquedos e brincadeiras da infância e adolescência.
Com a internet é muito mais fácil achar essas relíquias reunidas em um só lugar. E como é gostoso passar horas relembrando dos brinquedos, filmes, músicas e seriados que eram sucesso na nossa época – nossa, se você for um privilegiado de ter nascido nos anos 80, se não nasceu, só lamento por você ter perdido a melhor infância da face da terra. E não estou exagerando, provavelmente minha geração foi a última a ter realmente uma infância.
Comecei a ver esse site: “As Melhores Lembranças dos anos 80 e 90” e foi inevitável ver o sentimento de nostalgia aflorar. Que saudades daquele tempo! Como éramos tolos, crianças e até mesmo bobos – comparando com as crianças dos dias de hoje.
As roupas eram medonhas, os cabelos armados e as pessoas sem maldade. As crianças brincavam de pega-pega, as meninas e os meninos ainda nem queriam saber um do outro e todos os namoricos não passavam de algo platônico e de bilhetinhos trocados.
Silvio Santos apresentava “Em Nome do Amor”, um tipo de programa de encontro (coisa que o Rodrigo Faro faz hoje, só que acrescido de “putaria” digamos assim). Lua de Cristal era o filme brasileiro mais falado e assistido; Carrossel era a novela de maior sucesso e quem nunca quis participar da Porta da Esperança?
Nossa maior preocupação era colecionar as figurinhas dos álbuns – coladas com cola, nada adesivo. Ping-Pong, chocolate Surpresa, Copa do Mundo e até mesmo de novelas. Quanto jogar bafo para recuperar figurinhas ou completar álbuns.
Chocolate Surpresa, Turma da Mônica, chocolate Personalidades, bala 7Belo... tudo tinha um gosto particular e que não se acha mais em nenhum outro produto. Era a graça de comer e colecionar; e o mesmo vale ainda para o Kinder Ovo. Nessa época até pasta de dente era gostoso, quem nunca teve vontade de comer Tande? O sabor da época era, literalmente, outro.
E os brinquedos? A tecnologia mais avançada que eu conheci na minha infância foram o Atari (quem nunca assoprou a fita para conseguir jogar?) e o Pense Bem – um protótipo do laptop, com jogos educativos que vinham em um livro; o brinquedo mesmo só servia para marcar as respostas. Era um sucesso.
Sem falar nos jogos de tabuleiro, Pega-Peixe, Pega-Pulga, Banco Imobiliário, Fliperama de mão, aqua-play, fábrica de massinha, carrinho de controle remoto, carrinho bate e volta, mini-mercado... tantas coisas que nem dá para lembrar de uma vez só. Quem nunca brincou até a exaustão com tudo isso? E eram todos brinquedos educativos. Onde já se viu uma criança gostar tanto assim de algo que só vai ensinar? Minha geração foi assim.
Até com o brinquedo mais simples, como bambolê, pião, bolinha de gude, tazo, etc. tudo era motivo de festa. E cada novo brinquedo lançado, por menor tecnologia que tivesse era uma revolução. Lembro até hoje de ter uma boneca que andava de bicicleta e sozinha, com um controle remoto e várias pilhas.
E os relógios que trocavam a pulseira, cada dia com uma pulseira diferente. O relógio digital, o game-boy do tamanho de um iPod e o frenesi da época: Tamagotchi. Quem não teve um bichinho virtual que levava escondido á escola para dar comida e não deixar morrer. Lembro que na época custava um absurdo, e só tive um depois de insistir muito. Era o máximo ficar cuidando daquela coisinha feia.
Os estojos cheios de lápis, canetas, borrachas ou compartimentos. As figurinhas de chiclete que viravam tatuagens. O Mini-Game, Brick Game e a agenda eletrônica, que eu lembro até hoje de juntar uma grana da mesada para comprar uma.
Sem falar nos comerciais, nas ações de marketing. Tudo parecia ter mais talento, mais graça, chamava mais atenção. Parece que foi o auge da criatividade dos nossos publicitários. Quem não se lembra do: “Compre Batom”, “Não se esqueça da minha Caloi”, campanhas do banco Bamerindus, música do Guaraná Antártica: “Pipoca na panela...”, as histórias do Toddynho, até as propagandas de cigarros eram criativas.
Nem vou citar os livros: A Coleção do Pedro Bandeira (chorei lendo A Marca de Uma Lágrima), Coleção Vagalume, Monteiro Lobato, Gibis da Turma da Mônica, do Senninha, heróis da Marvel, Tio Patinhas, etc. Nossa alfabetização esteve em boas mãos!

Ah, como éramos bobinhos. Mas também éramos tão felizes! Ninguém estava preocupado em nada, a não ser estudar e ser criança. Tivemos uma infância feliz, conseguindo deixar as preocupações de adulto para a hora certa. E nem por isso somos mais ou menos responsáveis que as outras gerações.

Posso voltar no tempo e dar uma pausa na vida chata de adulto?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Já posso mentir a idade?

Vinte e seis... 26... XXVI... VINTE E SEIS anos! Mais 4 anos e terei 30; metade do tempo para a minha aposentadoria e ainda não sou uma pessoa totalmente independente. Oi?

Pronto, o momento melodrama chegou ao fim. Mais um ano se passou, mais um aniversário chegou; e a cada ano percebo que a quantidade de frases com a expressão: “Na minha época...” aumenta consideravelmente. E quanto mais você repete o “Na minha época...” mais saudades do passado você tem. Por exemplo:
Na minha época, para se fazer trabalhos escolares era preciso três coisas: uma folha almaço pautada, uma biblioteca municipal e uma máquina de Xerox. Pensa que tinha Google, internet, computador? Não, naquela época era tudo feito na unha, na raça. Pra pesquisra tinha que ler,formular todo o texto em um rascunho e passar a caneta para a folha pautada... e com cabeçalho e tudo: Nome da escola, cidade, data, disciplina, professor, dois dedos para parágrafo.
Na minha época, o brinquedo eletrônico mais avançado era o tal do “Pense-Bem”; um protótipo de computador portátil que precisava de um livrinho para apenas digitar as respostas corretas – parecia muito mais uma prova, do que um brinquedo. Na minha época, o ônibus custava R$ 0,98 e o cobrador nunca devolvia os R$ 0,02 de troco.

É melhor parar por aqui antes que esse blog comece a cheirar naftalina.

A questão é: Quem determina se sou velha ou não? Quase todo mundo fala que eu tenho 23; acho que meu senso de responsabilidade é de 35 e tenho o espírito de uma pirralha de 20 anos que ainda quer conquistar o mundo. Então, como eu lido com tudo isso? Posso falar que eu sofro de crise de personalidade?
Bom, isso eu não sei. Só sei que ainda tenho muito para fazer, para aprender, errar, acertar e conquistar. Enquanto ainda conseguir pensar dessa maneira, me manterei com os meus
vinte e poucos anos.

Cada aniversário eu faço um balanço do ano que passou. E nem vi esse ano passar, mas quero que ele acabe logo. Trabalhei demais, fui multi-tarefas para mostrar o meu valor. Lutei demais e perdi quando ninguém acreditava que eu perderia. Aprendi, não do jeito mais suave, mas aprendi. Afinal, todo mundo precisa aprender, faz parte do processo de evolução.
E finalmente me conformei. Se depois de tudo o que fiz, tentei e lutei ainda assim fracassei, é porque é hora de parar. De não querer mais; de deixar para trás e fingir que não é problema meu. Afinal, se a canoa é perfeita para todos, e tomba quando você entra, o problema é com você ou com a canoa? Acho que já sei a resposta.

Está mais do que na hora de encarar a realidade: As melhores pessoas que você vai conhecer na sua vida ou estarão ou irão para bem longe de você – fisicamente falando. E só há uma coisa que você pode fazer a respeito: Lidar com a distância e perceber que aquela pessoa (ou pessoas) que estão longe, tem a capacidade plena de se importa muito mais com você, do que a pessoa que está literalmente ao seu lado.
E você acaba percebendo que aquilo te basta. Importamos-nos tanto com a parte física e esquecemos que o principal é o emocional; de nada adianta ter alguém perto que não é capaz de se importar com você nem 0,001% , enquanto a pessoa longe tem 90% do tempo dela dedicado a você. Estar ao lado somente por estar vale tanto a pena assim?

Tenho ainda muito que errar, muito que acertar; muitas pessoas para magoar, muito a ser magoada; e principalmente, muito o que mudar. Tudo isso faz parte do processo; sem isso não dá para viver. O que eu não posso mais e cometer a mesma vez os mesmos erros.
Mas eu ainda só tenho 26 anos; tenho toda uma vida pela frente. E espero chegar aos 62 anos, olhar para trás e dizer: Valeu a pena: cada suor, cada lágrima, cada sorriso e cada espera, cada encontro com os amigos e cada pessoa que eu deixei para trás.
E se eu chegar no meio do caminho e nada der certo, que eu tenha força para lembrar: "Se quer saber nunca é tarde demais (ou no meu caso, cedo demais) pra ser quem você quiser ser. Não há limite de tempo, comece quando você quiser. Você pode mudar, ou ficar como está. Não há regras pra esse tipo de coisa. Podemos encarar a vida de forma positiva ou negativa. Espero que encare de forma positiva. Espero que veja coisas que surpreendam você. Espero que sinta coisas que nunca sentiu antes. Espero que conheça pessoas com pontos de vista diferentes. Espero que tenha uma vida da qual se orgulhe. E se você descobrir que não tem, espero que tenha forças pra conseguir começar novamente." - O Curioso Caso de Benjamin Button.

E chega que duvido que alguém tenha lido até o final. Mas antes, é claro que preciso fazer alguns agradecimentos:

Amigos de Jundiaí (Que agora moram em São Paulo): Aline, Egle, Muriel e Danilo: Apesar dos poucos encontros, as risadas e as histórias são impagáveis! Vocês são a prova de que amizade resiste até mesmo à distância. Mesmo cada um tendo “uma vida diferente” sei que sempre que precisar, vocês virão me socorrer, assim como eu também estarei sempre alerta.

Afilhada Thaís: Obrigada por ter ficado do meu lado quando ninguém mais ficou! Você também é a prova de que a amizade resiste à distância.

Ao Site Arquibancada Tricolor, por ser o primeiro lugar a me dar espaço para escrever.

Ao SPFC Digital por ter me convidado a ser colunista e também a fazer parte desse grande projeto e pela oportunidade de me proporcionar novas amizades e experiências.

Ao
Jornalistas.Blog pelo imenso prazer de ser um dos convidados. E em especial ao Daniel que sempre me deu apoio e liberdade para escrever! Mais uma prova de que não precisa estar perto fisicamente para se importar e ajudar.


A todo mundo que me atura no twitter; um pátio de malucos onde você tem discussões bestas, sérias e onde você conhece ótimas pessoas.

Aos meninos da “firma” que me aturam diariamente e entendem as brincadeiras e mesmo eu sendo a única por lá, não me isolaram!
À você que me chamou de chata, feia, boba, burguesa, etc e tal. Te digo que vai precisar mais de isso, se quiser realmente me derrubar... mas pode continuar tentando, é um direito seu.

Obrigado a todos os que estão, estiveram e estarão comigo! Vocês são uma parte importante do que eu sou hoje!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Segredos

Nunca entendi porque têm pessoas que metem (no bom sentido) tanto o pau no Dan Brown. Dos 4 livros que eu li: O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital e o Símbolo Perdido (ainda falta o Ponto de Impacto) mostraram-se serem histórias fascinantes, que prendem o leitor do início ao fim.
É claro que eu não vou usar um romance ficcional para aprender história, muito menos espero que os fatos ali contidos sejam 100% verdadeiros. Mas é possível ter uma bela noção de como a simbologia é trabalhada na sociedade. E para quem passou uns bons 6 meses do TCC desvendando os segredos dos mitos e o papel deles na sociedade contemporânea, ler Dan Brown é uma verdadeira diversão.
Tudo ao nosso redor está baseado na mitologia, símbolos e imagens. E claro que a partir de uma ficção a pessoa passa a se interessar mais pelo assunto e busca novas fontes de informação – estas sim baseadas em fatos e não mais um best-seller. Duvido que alguém leve ao pé da letra tudo o que Dan Brown ou qualquer outro romancista escreve.
A peça chave de quase todos os livros de Dan Brown (exceto o Fortaleza Digital) é o simbologista Robert Langdon, que sempre é requisitado para desvendar os mistérios. No último Romance, O Símbolo Perdido Robert Langdon, que já esteve em Paris e no Vaticano agora se dirige até a capital dos Estados Unidos, Washington D.C.
Imaginar histórias e simbolos perdidos no Louvre ou nas estátuas do Vaticano parece mais fácil do que imaginar a capital dos Estados Unidos sendo construída sobre as regras e berço da francomaçonaria americana. Langdon chega à capital americana por um convite do amigo e maçom, Peter Solomon.
Mas chegando ao local marcado para a palestra, Robert Langdon descobre que seu amigo na verdade foi sequestrado e que o simbologista precisa desvendar um mito que ele nem ao menos acredita.
O incrível é que Dan Brown consgue envolver o leitor a cada página. As descrições são tão perfeitas –
jutamente com as ilustrações que você acaba se sentindo realmente dentro dessa “caçada ao tesouro”; é claro que eu não serei estraga prazer ao ponto de contar como a história termina, mas para quem não leu e gosta de tentar adivinhar a página seguinte, a dica é ter atenção redrobada aos personagens Mal'akh e Peter Solomon.
Uma das coisas mais interessantes do autor nos livros como O Símbolo Perdido, Código Da Vinci e Anjos e Demônios é que Dan Brown sempre consegue colocar religião no meio da história. Neste em especial, não é uma religião biblica, mas sim outra visão do que a biblia diz. As experiências da irmã de Peter Solomon, Katherine Solomon revelaram que a alma tem peso, ou seja, você vivo tem um peso, e quando morre esse peso diminui. Outro fato interessante é que na francomaçonaria, eles fazem uma releitura da biblia, ou seja, Peter Solomon explica que não existe um Deus apenas. Mas que cada um de nós é um templo e temos um poder; nós somos nossos próprios deuses. O que na verdade para mim, pessoalmente faz muito mais sentido do que acreditar na versão contada nas igrejas e nos mitos criados a partir dela. Mas isso é um tema para outro assunto.
É claro que boa parte da históra é fantasiosa e ninguém vai viajar até os Estados Unidos em busca de um portal que revelesse a palavra perdida que daria um poder inimaginável
a quem a possisse.
O escritor consegue realmente instigar o leitor a querer saber mais sobre o assunto. Confesso que se fosse homem, depois de terminar O Símbolo Perdido, já teria entrado na maçonaria. É engraçado como existem sociedades que ainda preservam seus costumes, seus segredos e toda uma simbologia. E como esses segredos continuarão dentro desse grupo seleto por anos e anos. E se for pensar bem, todos os grupos fazem isso: de maneira aberta ou não, guardam seus segredos; é assim que aprendemos desde crianças. Há coisas que devem ser públicas, outras privadas e por fim as intimas que nunca serão reveladas.
Para quem gosta de simbolos, mitos e de ver como as histórias se modificaram ao longo dos anos, Dan Brown pode ser uma porta de partida interessante. É claro que há livros mais específicos sobre o assunto, e um que eu recomendo é “O Poder do Mito” de Campbel que mostra bem na prática porque vivemos rodeados de simbolos e mitos, e o que eles representam em nossa vida.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Somebody just help me!

Seguinte, o ser que vos fala está passando por um momento de bloqueio criativo. Ai vocês me perguntam: Se é bloqueio criativo, cadê a criatividade desse blog? Pois é, eu também não sei, mas essa é o único termo que eu encontrei para explicar essa falta de texto, de post e de algo que preste por aqui.
Pensa em uma pessoa desesperada, que fica horas e horas olhando a maldita página em branco do Word e não sai absolutamente uma linha sequer. Nem para o Jornalistas.blog.br eu ainda conseguindo escrever.
Quer dizer, se aqui eu escrevo besteira e lá eu falo de coisa séria, era mais fácil eu escrever aqui do que lá. Mas como comigo tudo é ao contrário e eu faço o difícil com facilidade e o fácil eu travo, ou seja, eu consigo até escrever algo lá, mas aqui, niente.
No SPFC Digital as colunas de sábado ainda saem, mesmo que a muito esforço; se bem que nem o São Paulo anda me dando inspiração para escrever. E, além disso, devo um texto – ou vários – para o Arquibancada Tricolor.
Então, eu pergunto: Alô, porque eu não consigo escrever? Já assisti a filmes, sendo que o mais recente foi no feriado, o Comer Rezar Amar (2010) que daria um belo post sobre como as pessoas se sentem sufocadas e fingem estarem felizes.
Poxa, como eu queria poder fazer igual a personagem da Julia Roberts e sair 1 ano e só viajar? Estar em Roma e comer sem culpa. Ir para a Índia (ok, provavelmente não iria para lá), meditar e tentar achar sentido para todas as merdas que acontecem na nossa vida. E finalmente terminar em Bali, um paraíso natural.
Se alguém soubesse o quanto eu me sinto sufocada nesse lugar; neste espaço que não é só físico, mas é emocional também. A quantidade de tarefas repetitivas me irrita e me cansam. Tenho sérios problemas com rotina, não suporto ficar dia após dia, semana após semana fazendo exatamente a mesma coisa.
Meu cérebro precisa de desafios. Se alguém me dá uma tarefa, logo quero uma mais difícil. Viver na lengalenga de todo dia ser tudo, sempre igual não é para mim. Por isso mesmo eu já escolhi ser jornalista, para ter um desafio todo santo dia; ou como dizem: matar um leão por dia.
Agora imagine uma pessoa assim que está há dois meses apenas tendo a simples e banal tarefa de digitar, digitar, digitar. Meu cérebro não agüenta mais; minha cabeça está ficando oca, a máquina está enferrujando. Cadê a motivação, a vontade, o desejo de fazer o meu melhor? Não tenho. Eu só quero gritar, jogar todos aqueles papéis para cima e sair em busca de algo que me livre desse marasmo.
Estou cansada de viver rodeada por pessoas que viverão a vida inteira comendo bolacha água e sal porque tem medo de provar Trakinas (não, este não é um post patrocinado). Qual é a graça de viver se você não arriscar? Se pelo menos uma vez na vida você não fechar os olhos e pular do penhasco.
As pessoas têm tanto medo de experimentar coisas novas que vivem presas a mesmice sem saber se aquilo de fato as fazem felizes. Qual é o sentido nisso tudo? O melhor da vida é experimentar. Se errar, aprenda com o erro. Mas numa dessas, você pode acertar e se surpreender; e se não acertar, vá experimentando até chegar lá.
Que mania de ficar preso ao comum, ao que é conveniente, àquilo que é padrão. Se todo mundo tivesse a coragem e a oportunidade de sair, apenas por um ano e viajar, se redescobrir, certamente nós teríamos menos problemas de convivência.
Porque, creio eu, muito do que acontece é porque as pessoas estão e são perdidas. Elas não têm a mínima consciência de que o que fazem afeta diretamente as pessoas que estão ao seu redor. Concordo que cada um é dono da própria vida, mas o problema é que essas pessoas – que sempre pregam o “não cuide da minha vida” são tão egoístas que fodem a própria vida e a vida dos demais. Ora, se você não tem coração, ao menos tenha consciência de que o mundo não gira na orbita do seu umbigo. Se você está perdido, ninguém tem nada a ver com isso, ou seja, não estrague a vida, os sonhos e os desejos de ninguém tentando apenas se achar. Isso é crueldade.

Mas enfim, isso é algo que eu ainda não entendi, e para falar a verdade, não sei se vou entender – ou melhor, se quero entender, porque afinal de contas, não vai mudar nada mesmo eu entender ou deixar de entender.

Só sei que eu estou sufocada, com o cérebro enferrujando e com a louca vontade de mudar; porque eu não quero que todos os meus dias sejam iguais, não quero uma vida monótona.

E principalmente, quero viajar, aprender línguas, ver gente, conhecer gente, lugares, sabores, aromas. Porque aqui, eu não sinto mais nada, só a monotonia e a melancolia que eu sempre fugi, o tempo todo.

Ou seja, provavelmente deva ser por isso que eu não consigo escrever mais nada; eu simplesmente não tenho sobre o que escrever.



segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Das coisas simples e essenciais da vida

Já pensou no que te faz feliz? Nas coisas pequenas e que te fariam bem? Isso não é um meme, nem algo do tipo. Mas tive vontade de escrever sobre as pequenas coisas da vida, tão banais e tão essenciais...


Um banho quente depois de um dia cansativo
A comida preferida, quando se passou horas com fome. Comer quando se tem fome
Ter ataque de riso de fazer sair lágrima do olho e não conseguir parar
Um olhar que te derruba
Um coração que bate mais rápido
Frio na barriga, ansiedade, expectativa. Espera
Receber um bom dia de alguém sorrindo em um dia que está tudo dando errado
Abraço. O tempo todo, de todo mundo
Preocupação, cuidado que não se pede, não se exige, só se recebe sem explicação
Andar descalço na grama e na areia
Uma viagem para o lugar que mais gosta; ver o mar
Deitar e esquecer da hora
Deitar no chão e ver as estrelas
Dormir várias horas, uma noite toda, sem interrupção, depois de vários dias de insônia
Amigos em uma mesa de bar, conversa jogada fora, sem preocupação. Cerveja gelada
Um sentimento correspondido
Um primeiro encontro
Uma surpresa no meio do dia
Uma mensagem no meio da noite; saber que é importante para alguém
Tomar banho de chuva
Uma tarde de cinema, pipoca e guaraná
Uma roupa nova, um número a menos no manequim
Se sentir bonita e confiante mesmo de calça jeans, blusa e tênis
Dançar, beber e rir com as amigas a noite toda
Berrar no show, sem se importar se está cantando certo
Receber um elogio pelo trabalho bem feito


São coisas simples, que não requer dinheiro; apenas boa vontade. São coisas que me fazem bem, que eu gosto. Simples, básicas e bem essenciais. Quem não tem uma lista desta – secreta ou não de tudo o que te faria ter o dia perfeito.
São tão simples, e por vezes nos focamos em algo tão banal que nos esquecemos que a vida é feita desses pequenos detalhes.


PS: Não sei fazer verso, muito menos rimar. São palavras aleatórias.

sábado, 11 de setembro de 2010

Pessoas que encontramos pela vida

Depois de muitas recomendações, ontem o Telecine colaborou comigo e eu assisti 500 dias com ela (ou 500 Days of Summer), de 2009. O filme é muito ruim. Basicamente aquele velho lero-lero de Hollywood sobre o cara que encontra a menina, se apaixona, toma um pé na bunda, fica na fossa, supera tudo e fim. Ou seja, nada do que você ainda não tenha visto antes, tanto na ficção, quanto na realidade.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) conhece e se apaixona pela colega de trabalho, Summer (Zooey Deschanel). O diretor do filme conta a história como se ela fosse pequenos clipes; intercalando os bons e maus momentos. O detalhe da trama é que, diferente de outros filmes água com açúcar, os papéis são invertidos: normalmente a mocinha sofre de amores pelo mocinho que a renega. Inverta isso e terá o enredo do longa. Bom, até esse ponto é uma grata surpresa; é tão difícil fazerem os machões chorarem de amor pelas mulheres.
O problema da história de amor dos dois é que Summer não acredita no amor (ok, não que isso seja o fim do mundo, vamos deixar claro); ou seja, ela não está ligando nem um pouco para o que Tom sente. É algo tão casual que se Tom largar Summer, ela nem vai ligar. Mas é claro que é o oposto que acontece e quando Summer larga Tom, ele fica na fossa.
E é nesse ponto que eu quero chegar. A Summer é a personificação da pessoa filha da puta (ok, desculpe o palavrão, mas não achei nada melhor para descrever). Quem nunca encontrou uma pessoa assim na vida? Olha, se você nunca encontrou agradeça, porque não é fácil lidar com alguém assim.
Summer sabe que Tom é apaixonado por ela (e não é tão difícil descobrir quando alguém está apaixonado; tem um letreiro luminoso piscando na testa incansavelmente), e sabe que ele fará tudo para conquistá-la. E Summer, na falta de ter o que fazer (sabe aquele tédio que bate ás vezes, pois é, ela deveria estar entediada) dá corda para Tom. É aquela velha história: não tenho nada para fazer, ele gosta de mim, vou lá gastar meu tempo. Depois se eu mudar de ideia eu invento algo e desapareço.
Só que Summer é aquele tipo de pessoa que pouco se importa. Ou seja, para ela tanto faz se durar um dia, uma noite ou vários meses. Um belo dia ela vai acordar e mudar de ideia, cansar e partir para outra.
E é claro, que pessoas que são filhas da puta iguais a ela pouco se importam com quem está ao seu redor. É um tipo de egoísmo humano desenfreado, de andar de cabeça baixa olhando somente para o próprio umbigo.
Ao invés dela dizer a Tom que não queria mais, ela foi se tornando fria e distante. Até sumir. E a pior coisa que alguém pode fazer para quem está apaixonada é sumir; isso é a maior das covardias que o ser filho da puta pode fazer – e é claro, que ele sempre faz, já que não tem coragem de encarar a realidade.
No final, depois de recuperado (porque todo mundo sempre se recupera, por maior que seja a rasteira que uma Summer tenha te dado), Tom acaba a reencontrando e descobre que ela casou. E que ela estava com outro enquanto dançava com ele, alimentando os sentimentos do rapaz, sem que ele soubesse de nada. Sabe aquele tipo de coisa: “olha só, ele ainda gosta de mim; como eu sou foda”.
O que mais me desanima nos relacionamentos é isso. Encontrar esse tipo de gente que não liga para exatamente nada; nem para ela mesma, se duvidar. Acho que são coisas tão desnecessárias, sem sentido.
Gosta, então goste de verdade. Se gostou e agora não gosta mais, diga, explique, deixe isso claro. Agora criar a expectativa e deixar a pessoa ali, isso não se faz. Por mais que você seja seguro de si e do que quer. Há certas coisas que somente seres filhas da puta conseguem fazer sem sentir remorso.
É aquela velha história: Se não tiver coração, que pelo menos tenha consciência de que você pode afetar positivamente ou negativamente a vida de alguém com apenas um gesto. Sinceridade é tudo; ninguém vai morrer ao ouvir: “não te quero mais”, mas certamente o desaparecer sem explicação vai deixar muitas marcas.

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