
Tudo começou ontem à noite quando o Luciano Huck (o marido da Angélica) resolveu dizer que o Gugu copiou o quadro do Caldeirão do Huck. Leia o resumo aqui no post do Maurício Stuycer. Não sei quanto a vocês, mas a reclamação do Luciano Huck me soou tanto como o discurso daquelas crianças birrentas que vão chorando pra mãe dizendo que o coleguinha está copiando o que ele faz. Algo do tipo: “A bola é minha e se eu não jogar ninguém joga”; quer fazer birra? Pois bem, faça birra por algo que você tenha razão.
Meus pêsames Huck, Gugu, Faustão e toda laia que faz programa na televisão aberta brasileira: Vocês não passam de meras cópias. E eu nem posso dizer que são cópias bem feitas que alguns programas deixam muito a desejar dos prováveis originais, ou melhor, do local que vocês usaram para copiar – que também deve ter sido copiado de outro local e por aí vai.
Plagiando Chacrinha: “Nada se cria, tudo se copia” eu acrescentaria: “Nada se cria, tudo se copia, se modifica um pouco e se assume a autoria”. É isso mesmo o que os programas fazem. Nada em televisão nenhuma do mundo é original; ninguém pode reivindicar a autoria de nenhum programa. Foi criado um formato, ele fez sucesso e é amplamente copiado; a única coisa que muda é a forma como ele é apresentado ao telespectador.
O que acontece é que ele aparece com diferentes roupagens e isto faz com que o telespectador tenha a errônea impressão de que assiste algo inédito, algo inovador que vai revolucionar a sua vida. Na verdade não passa de algo “mais do mesmo”, uma mera cópia que é divulgada mundo afora e cada um se diz pai de um filho que não lhe pertence. Ninguém tem sequer o direito de reivindicar a autoria de nenhum programa televisivo, filme, herói, banda; nada que seja o mais novo sucesso do momento, já que o mais novo sucesso do momento não passa de algo antigo.
É tudo cópia com uma roupa diferente. Dando um exemplo melhor: é como se você visse uma pessoa um dia com certa roupa e no outro dia achasse que conheceu alguém diferente porque ela está com outra roupa. É um exemplo pífio, mas é realmente assim que funciona.
Então Luciano Huck, você não pode reivindicar e nem ficar bravo se assistir em outra emissora um programa parecido com o seu. Nem nenhum outro apresentador pode fazer o escândalo que você fez por ver um quadro do programa em outra emissora. Pra começo de conversa qualquer quadro que se apresente na televisão brasileira é uma cópia de algum estrangeiro. Quem tem televisão a cabo ou navega pela internet sabe muito bem disso. E provavelmente aquele programa estrangeiro também é uma cópia de algum outro programa.
Então parem de achar que os programas lhes pertencem, pois se todos começarem a fazer o mesmo por ver uma cópia da cópia, da cópia em outro local, os programas irão todos acabar, pois não há nada inédito, original ou genuinamente feito por aquela pessoa X que só existe naquela emissora X naquele programa X.
O Gugu copiou o Lata Velha do Caldeirão do Huck – ora, como se você leitor nunca viu em nenhum outro local um programa de reconstrução de carros - e certamente o Huck já deve ter copiado algum quadro do Gugu e todos os programas copiaram a fórmula de que assistencialismo de sábado de tarde e de domingo o dia todo trás IBOPE e atrai as pessoas.
Exposto tudo isso, será mesmo que Luciano Huck ou qualquer outro apresentador tem o direito de reclamar? Se o produto foi explorado a exaustão, a fórmula funciona há tempos e não há sinal de que a população percebeu que assiste há séculos “mais do mesmo”, porque todo esse medo da cópia? Será que eles começam a se dar conta de que o telespectador não é tão burro assim e percebe que tudo isso é obra da Sociedade do Espetáculo que quer que eles consumam tudo à exaustão sem se importar com o que estão consumindo e que bem aquilo fará para eles?
Bom, eu acho que não. Mas quem sou eu para achar algo? Esses pensamentos são apenas cópias dos pensamentos do Debord que por sua vez eram cópias de...