domingo, 8 de maio de 2011

Entre a realidade e a ficção, você fica sem nada

11 em cada 10 pessoas que eu conversei nos últimos meses se queixam da mesma coisa: Relacionamento – de todos os níveis possíveis e imagináveis (amigos, família, amor). Pois é, parece que ter – e também manter um relacionamento ficou mil vezes mais difícil do que no tempo de nossos avôs.
Anda tudo muito fácil. Você quer sexo? Vai até uma balada que consegue fácil – por vezes basta jogar um charme na rodoviária, terminal, no trem, metrô ou em qualquer outro lugar. Você quer mulher nua? Ligue a TV a qualquer hora do dia ou da noite; e assim por diante. Tudo o que era proibido ou difícil de ser conseguido, virou mais fácil do que ir à padaria comprar um pão.
Ou seja, se a pessoa acha a meia dúzia que encontrou no caminho são fáceis (ou seja, ela conseguiu o que queria sem esforço algum), ela não vai procurar o que é difícil. E vai além: toma aquilo como regra: considera todas as pessoas da mesma maneira que as fulanas e fulanos que encontram por ai. E ai eu te pergunto: E são?
Mas o grande problema é que nem todo mundo é assim, graças a Darwin. Se você está acostumado ao fácil, não adianta querer forçar o mesmo com todo mundo, não vai rolar. As pessoas são foram feiras em série, elas têm suas particularidades e diferenças, físicas, emocionais e de pensamento.
É igual à famosa frase: “Mas você está solteira (o) e eu quero ficar com você, qual é o problema?” – algo do tipo: estou salvando sua vida, me agradeça. O problema é que eu tenho todo o direito de não querer; não é o fato de estar sozinha (ou na solteirice) que vai obrigar a 100% das pessoas a seguirem o mesmo padrão que algumas poucas seguem.
Você não é obrigada (o) a ficar com ninguém, nem manter um relacionamento falido só para não ser considerado sozinho (a) – o medo da solidão e da pressão da sociedade acabam transformando uma pessoa neste tipo de ser humano. Se as pessoas acostumaram-se a se tratar e serem tratadas feito lixo, nada te obriga a aceitar o mesmo. Muito pelo contrário: está mais do que na hora de mostrar que nem tudo é assim. Sucumbir a pressão não é o caminho; a não ser que você pretenda ter a mesma vida vazia e sem sentido que impera na sociedade.
Não adianta você sair por ai, cultuando aos 4 ventos que fulano ou sicrano da mídia são seu desejo de consumo ou seu amor eterno. Ok concordo que a mídia mexe com a cabeça dos menos desavisados e menos culto; achar alguém bonito e desejável é válido, quando acontece uma ou duas vezes, não adianta ficar falando incansavelmente disso, só vai afastar as pessoas.
Mas pense a situação de alguém que precisa se aproximar de alguém assim. A mídia cultua algo inalcançável, justamente para você se prender a ela; é um vício: se aparece alguém bonito hoje, amanhã aparecerá uma pessoa 200 vezes mais desejável. Mas isto é a realidade?
Não, não é. A realidade é aquela do dia a dia. As pessoas são bonitas do jeito que são; sem falsidade, sem maquiagem e sem máscaras. Não é apenas beleza física que faz alguém se ligar a outra pessoa. Há quem ache que começar uma conversa com: “nossa, você é bonita!” significa a porta de entrada para um motel, um quarto ou um relacionamento.
A mente humana pode até ser conquistada pela imagem, mas e quando a imagem atrapalha a conquista? Se você não esconde de ninguém que pessoa X, Y ou Z da mídia são seus “amores”, “lindas”, etc. e tal, como você espera que um reles mortal se aproxime de você?
É claro que tudo o que é falado atinge direta ou indiretamente uma pessoa. Incomoda-me muito esse culto ao exterior. Primeiro porque ninguém consegue ser artificial quanto um personagem e segundo porque esse é um modelo inalcançável então você nunca vai se contentar com outra pessoa. E acredite: a outra pessoa sabe disso; é como você namorar alguém e saber que ela tem várias amantes porque está apenas com você por dó – o que é bem comum atualmente.
É como uma pessoa da alta sociedade casar com um morador de rua e ficar falando 24 horas por dia que só está com ele por dó. É mais ou menos a mesma coisa. O mundo da Sociedade do Espetáculo envolveu tanto o ser humano, que ele não consegue mais ver o que é real e o que é ficção. A prova são as novelas e filmes: Tudo é fácil ali, então as pessoas pegam esse modelo como algo real e necessário para as próprias vidas. O problema é que elas não tem ideia da manipulação que sofrem e como fazem isso totalmente sem pensar e sem perceber; apenas copiam.
Tem a certeza de quem tudo o que está ali pode ser real; de que todo mundo aceita ser tratado da mesma maneira e de que tudo pode ser forçado através de algumas palavras vazias, máscaras e mentiras.
Você não tem mais o direito de dizer não; de escolher, de querer algo melhor. Tem que se contentar com a sobra, como se isso fosse caridade, uma forma de te tirar do limbo ou debaixo da ponte.
O que aconteceu com o respeito, a dedicação, carinho etc. e tal que havia em todo o relacionamento – amoroso, familiar ou de amizade – em um passado nem tão distante assim?
Tudo o que vejo são pessoas querendo tirar proveito; usando e jogando fora, descartando como se fosse uma folha de sulfite usada e sem utilidade. Tudo se tornou muito fácil e muito na mão que nada mais tem sentido; faz-se porque todo mundo faz. Tem-se porque é fácil conseguir em qualquer esquina e descarta-se porque ninguém mais se importa, já que volta ao ciclo inicial: você acha outra em outra esquina, usa, descarta e por ai vai. E você nem percebe como entrou nesse ciclo, e nem se preocupa em saber que está nele ou em querer sair do mesmo.
Até quando esbarra na realidade: A vida não é assim. Não precisa ser banalizada, nem descartada, muito menos irreal.
Se você conseguir ver a realidade, verá que aquele seu “amor eterno” pelo rosto bonito na TV não significa mais do que a solidão de quem impõe barreiras para qualquer outra pessoa mortal se aproximar.

Não sei onde isso vai parar. Mas digo que eu não me curvo e não aceito esse modelo de vida reinante.
Mudo de opinião, mas minha dignidade continua intacta. Posso estar certa, ou errada; e isso é uma coisa que nunca saberei.

4 comentários:

Erik Paixão disse...

Muito bom Vivi, acho que de tanto se repetir no twitter aquelas frases bonitinhas, as pessoas acabaram por achar que aquilo é real, que realmente em algum lugar do mundo existe uma pessoa perfeita, linda, que te completa e ainda por cima adora seus defeitos.

E completo, assim como a pessoa tem o direito de ficar sozinha, às vezes dê-se ao luxo de se permitir. Acho que falta um pouco disso tambem.

Carlos Leite disse...

O ponto principal foi o que você abordou no meio do texto: a pressão da sociedade. Por algum motivo as pessoas começaram a acreditar que estar sozinho é errado e sinônimo de fracasso absoluto. Então se rebaixam e se passam pelo papel de permanecer num relacionamento que não traz nada de bom, a não ser o "título" de comprometido.

Cabecinhas fracas sempre vão existir. O problema é deixar que se tornem maioria.

Rafael Techima disse...

Eu não sou uma pessoa que quer viver sozinha. Pelo contrário.
Mas o fato da pessoas estarem sozinhas ou querer estarem sozinhas não é visto com bons olhos, mesmo. E eu não entendo pq isso acontece.
Esse anseio das pessoas em encontrar alguém perfeito muitas vezes fazem elas meterem o pés pelas mãos. Ao invés delas só viverem, elas vivem pra isso: encontrar sua metade (e esse papo de que existe uma metade é um papo besta que dói).

SOMOS TODOS FELIZES disse...

Pior que o babaca aqui teve uma jack da vida e com nome mesmo da mesma da foto nossa fiz e sofri e ela sofreu e me se vingou de mim friamente fez o que fez e ainda saiu sorrindo e por isso que hoje não acredito em mulher e tão pouco relacionamentos hoje uso o mesmo feito antes de me zua ESCULACHO ANTES

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