sexta-feira, 2 de julho de 2010

Eu não preciso de uma casquinha

Tudo acontece em Elizabethtown (2005) é um filme antigo. Mas que fala sobre coisas interessantes sem cair na mesmice. É um filme bobo, mas não necessariamente pode ser rotulado como água com açúcar. E porque eu estaria falando de um filme tão velho por aqui? Simples: Primeiro porque nunca falei dele, segundo porque tem frases e teorias muito interessantes, que vão de encontro com várias coisas que ando escrevendo por aqui.
O filme começa de um jeito totalmente diferente dos outros. Com o protagonista tentando se matar. Primeiro ele descobre que nem para isso ele presta. Depois é a vez de ser interrompido pela morte de seu pai; e é ele quem precisa ir até a cidade que ele morreu fazer os preparativos para o enterro.
E nessa jornada o protagonista encontra a mocinha. E ao contrário dos demais filmes, a mocinha não é tão “boazinha” assim. Ela é cheia de teorias e frases feitas e realistas. Uma mistura de uma pessoa autoconfiante que sabe o que quer, mas também extremamente carente (e eu não estou falando de mim, mas sim da personagem, só para deixar claro). E são justamente essas frases e teorias que mais me fascinam no filme.
Claire (a mocinha meio má) explica a teoria que eu mais gosto. A que algumas pessoas são pessoas substitutas. Para explicar melhor: Sabe no filme, aquele personagem que só está ali para fazer o papel de “melhor amigo(a)”? Pois é, essa é uma pessoa substituta. Ela está ali para “tapar um buraco”, mas nunca para brilhar.
É muito parecida com a teoria do estepe. Ou seja, é uma pessoa que está ali apenas para fazer número. Isso não quer dizer que ela vá (ou não) ocupar um papel de destaque na vida de outrem.
E quem nunca foi uma pessoa substituta? Aquela pessoa que aparece na nossa frente só quando ela precisa. Nada definitivo, somente para preencher um vazio necessário e momentâneo – ou para a pessoa sair da rotina.
Não importa por qual motivo seja. Todo mundo já foi – ou ainda será uma pessoa substituta. Ou seja, não se assuste se você for descartado – ou substituído em um piscar de olhos. E lembre-se que isso vai acontecer no momento em que você achar que vai ocupar o papel principal. Então nunca se esqueça que “melhores amigos” serão eternamente melhores amigos e nada mais. ATENÇÃO: quem assiste a filmes conhece essa analogia.
Mas, Tudo acontece em Elizabethtown não tem só essa teoria que eu acho valiosa. Tem um diálogo muito interessante entre o protagonista e a mocinha. Mais uma mostra de que esse não é um filme “tradicional”. Primeiro porque em qualquer filme tradicional a mocinha é tonta, segundo porque ela nunca renegaria o protagonista:

Drew: You’re kind of great, Claire. You do know that. Sort of amazing, even.
Claire: Oh, come on! I don’t need an ice cream cone.
Drew: It’s not an ice cream cone. What’s an ice cream cone?
Claire: You know. “Here’s a little something to make you happy. Something sweet that melts in five minutes.”

Ou seja, traduzindo: “Eu não preciso de uma casquinha. Você sabe. Aqui está alguma coisinha pra te deixar feliz. Alguma coisa doce que derrete em cinco minutos”.
Quer frase mais realista do que essa? Porque todo mundo pensa que precisa dar alguma coisa para ver alguém feliz. Principalmente quando precisam dizer algo ruim. É como se fosse um “bate, depois assopra”. Ninguém precisa de uma casquinha; algo que só vai alegrar por alguns minutos.
E porque eu gosto tanto dessas teorias e frases? Porque elas são reais! É fácil ser uma pessoa substituta (eu já fui por várias vezes e serei até o momento que alguém decidir que eu posso ser uma protagonista).
O que eu não gosto nisso tudo, é das pessoas quererem “dar uma casquinha”. Não preciso de algo momentâneo, que dure pouco tempo só para me sentir bem. A realidade me atrai muito mais do que o mundo da imaginação.
Toda pessoa substituta sabe que mais cedo ou mais tarde alguém vai oferecer uma casquinha “pelos serviços prestados”. O problema é que nem todo mundo quer essa casquinha.

E as duas frases vencedoras do filme:


"Você tem 5 minutos para se entregar a tristeza profunda: curta-a, abrace-a, descarte-a e prossiga"

I'm impossible to forget, but I'm hard to remember - "sou impossível de esquecer e difícil de se lembrar".


Um comentário:

ALEXANDRE ROCHA disse...

Amo esse filme,ja vi e revi varias vezes

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