terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cérebro ou um rostinho bonito?

Uma vez alguém me disse: “Você nasceu no país errado, aqui ninguém liga para cérebro”. Claro que eu fiquei muito brava, afinal de contas não é fácil ser chamada de baranga na cara dura.
Mas, diga-se de passagem, que o que ele falou é uma verdade universal. Graças a Sociedade do Espetáculo (Debord, te amo gato!) e o esvaziamento do conteúdo é muito mais provável atualmente um rostinho bonito com cérebro vazio obter mais sucesso e chances profissionais do que alguém que realmente tenha um pingo de capacidade. Não estou falando em ser um gênio, mas ser capacitado para o trabalho, possuir Know-How.
As pessoas preferem muito mais falar com a aparência do que com o conteúdo da pessoa. É muito melhor e mais cômodo apenas observar a beleza do que parar para prestar atenção ou ouvir o que uma pessoa tem realmente a dizer.
A beleza não precisa ser entendida, muito menos explicada. Ela não precisa de estudo, não precisa abrir a boca. Seu instrumento de trabalho é o corpo. Tanto é que as poucas vezes que é obrigada a abrir a boca, uma montanha de pérolas se forma em pouco menos de 5 minutos.
As pessoas s acostumaram a tanto esse estereótipo de “come com os olhos e lambe com a testa” que acabaram por colocar todos neste mesmo patamar. Acredita-se que hoje ninguém consegue nada sem teste do sofá ou tendo a genética a seu favor. O teste de QI é medido pela quantidade de olhares e de cantada de pedreiros que ela recebe. Arrancou suspiros, aceitou se submeter a trabalhar seminua e sem abrir a boca, mas explorando o corpo, então PARABÉNS você faz parte do seleto grupo que tiveram a sorte de ter uma genética boa e que não veem problemas em se submeter ao ridículo como se fosse um pedaço de carne por aí.
Agora por outro lado se você sabe que seu potencial vai além de um tórax definido e de uma bunda empinada, saiba que infelizmente o seu caminho vai ser mil vezes mais complicado do que se você aceitasse a ter uma boa genética. Quem tem cérebro precisa provar que é capaz 10 vezes mais do que quem apenas usa o corpo para se promover. A oportunidade de começo vai aparecer muito mais tarde.
E nós que prezamos pela nossa inteligência e não admitimos nos humilhar para conseguir ser notado passamos pela fama de nerds, intelectualóides e chatos. Querer de aprimorar, estudar ou seguir uma carreira que utilize os neurônios que seus pais lhe deram é uma tarefa até que fácil. Difícil é observar que nada disso adianta frente o esvaziamento do conteúdo da sociedade atual.
É muito mais fácil não pensar do que pensar; copiar histórias do que criá-las; adotar estereótipos do que ter o próprio. É mais fácil se deixar moldar pelo espetáculo e se submeter a ele do que confrontá-lo.
Algumas pessoas só precisam de uma primeira chance para mostrar do que são capazes. E é esse o maior problema, como competir em uma sociedade que presa mais a forma do que o conteúdo?
Estudar no Brasil não dá futuro, muito menos reconhecimento. É remar contra a maré e se frustrar a cada dia, cada minuto em ver pessoas “vendendo” seu trabalho como imagem e não como uma ideia
É por tudo isso, por essa ida sem volta da indústria cultural e da sociedade do espetáculo juntamente com o esvaziamento de conteúdo é que eu digo: Na minha próxima encarnação eu quero nascer burra e gostosa. Assim as coisas serão muito mais fáceis. Para que cérebro nos dias atuais?

2 comentários:

Thais disse...

Tchutchuquinho o layout...esse é o meu coment mais que inteligente pro seu post....rs

AJ disse...

Na minha próxima encarnação eu quero nascer burra e gostosa. Assim as coisas serão muito mais fáceis.

Difícil é muito mais gostoso meu bem...

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